Caderno de Campo

Entradas do setembro 2008

O RH no Futebol

30/09/2008 · Deixe um comentário

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“Capacitação é palavra de ordem em qualquer empresa ou clube de futebol que pretenda atingir diferenciais competitivos no mercado.”

por João Paulo S. Medina

O setor de recursos humanos (RH) nas empresas evoluiu nas últimas décadas, do antigo departamento pessoal, limitado em suas ações, como contratar e dispensar funcionários, para uma visão muito mais ampla e complexa nos dias atuais.

Atividades como recrutamento, seleção, treinamento, desenvolvimento, capacitação, pesquisa, avaliação de desempenho, remuneração, desligamento, tornam-se cada vez mais estratégicos para as empresas que procuram disputar, com competência, espaços no mercado.

No futebol e, particularmente nos clubes com características de empresa, isto não será diferente nos próximos anos.

As soluções para os problemas de produtividade se encontram fundamentalmente no trabalho mais inteligente, participativo, integrado e sinérgico, o que significa melhor educação, melhor treinamento e capacitação.

A melhora nesses aspectos não pode mais ocorrer apenas por iniciativas isoladas. Requer uma atuação efetiva de um setor moderno e dinâmico de Gestão de Pessoas, dando suporte para a construção de perfis profissionais compatíveis com a missão, visão, valores e posturas estratégicas do clube, ou seja, buscando por resultados esportivos, sociais e educacionais expressivos, aliados com resultados financeiros consistentes.

Esta é uma tarefa que implica num processo de mudança cultural que não se faz da noite para o dia. É necessário, portanto, planejamento, investimentos e trabalho, para que ocorram mudanças significativas neste cenário. Tais ações trarão uma vantagem competitiva enorme em relação àqueles que ainda entendem que estas questões podem ser resolvidas de forma espontânea e amadorística.

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22/09/2008 · Comentários desativados

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“O bom rendimento nos estudos é obrigatório para continuar no time.”(César Cielo, nadador brasileiro e recordista mundial nos 50m livres)

A matéria de hoje do Globo Online “Lugar de Atleta é na Universidade” reforça que o desempenho dos atletas necessariamente está conectado a educação. A resposta para a pergunta inicial da jornalista Marta Reis – o Brasil pode se tornar uma potência olímpica? – passa pela escola, numa tabelinha entre esporte e educação.

Segundo a chefe do departamento de estudos do lazer da Faculdade de Ed. Física da Unicamp – Heloísa Reis, “o esporte sempre foi considerado segunda classe dentro do ambiente acadêmico e o desinteresse é maior nas instituições públicas, que ainda por cima, não podem conceder bolsas para os atletas como fazem as particulares. O ingresso deve ser feito através do vestibular. Isso reflete a falta de cultura esportiva do país.”

O texto está recheado de comparações interessantes entre países que gastam milhões em busca das medalhas de ouro nos grandes eventos esportivos e aqueles que tem no esporte a extensão da educação e de seu desenvolvimento sustentado e que, também investem grandes somas em busca das mesmas conquistas.

Ao final do texto, Heloísa Reis cutuca muita gente: “Qualquer iniciativa que invista na educação dos atletas é importante. O que não pode acontecer de jeito nenhum é a produção de jogadores burros e semi-analfabetos, como no futebol. Neste caso, há um total desinteresse dos dirigentes para que os atletas estudem. Afinal, quanto menos sabem, mais facilmente podem ser manipulados pelos empresários e cartolas.” – critica a professora.

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A Coordenação Técnica no Futebol

14/09/2008 · Deixe um comentário

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“O Coordenador Técnico é um agente facilitador no dia-a-dia da área técnica.”

Coordenador Técnico de Futebol é a função capaz de facilitar e fazer funcionar, na forma e no conteúdo, cada aspecto do trabalho técnico esportivo de modo integrado, com uniformização de diretrizes e princípios, estimulando o desempenho e a produtividade de todos os envolvidos no complexo processo de funcionamento de um departamento de futebol, facilitando o alcance de um rendimento ótimo sustentado.

O Perfil do Coordenador Técnico

Para exercer esta função, nova e complexa, nos clubes de futebol, o Coordenador Técnico deve possuir alguns conhecimentos e qualificações especiais.Deve ter noções básicas a respeito de todas as áreas que coordena, sejam elas técnicas, de saúde ou de serviços, sem que precise ser um especialista em qualquer uma delas – “conhecer de tudo um pouco e um pouco de tudo” – se possível, ter uma formação de nível superior, e, sobretudo, que acompanhe permanentemente os avanços constantes das técnicas e ciências esportivas e administrativas. Além disso é indispensável que este profissional tenha também liderança, capacidade de avaliar situações com ponderação e equilíbrio, objetividade, eficiência e eficácia no conjunto de suas ações e, finalmente (mas não menos importante), capacidade de comunicação e relacionamento.

Níveis de Atuação do Coordenador Técnico

Em síntese, o trabalho do Coordenador Técnico envolve, basicamente, três níveis de atuação:

1) Planejamento das atividades voltadas para o alto rendimento esportivo;
2) Controle rigoroso, individual e coletivo, desse rendimento;
3) Melhoria permanente dos processos que conduzem ao alto rendimento esportivo.

Mais adiante iremos nos aprofundar sobre estes níveis de atuação.

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A Evolução das Comissões Técnicas no Futebol

11/09/2008 · Deixe um comentário

“O Coordenador Técnico é um agente facilitador, no dia-a-dia, entre os profissionais da área técnica.”

A estrutura de poder do futebol atual ainda sobrecarrega o técnico, o ser ‘todo poderoso’ que, na cabeça do dirigente, da imprensa e do torcedor, tudo pode. E de quem é toda a culpa em caso de fracasso.

Não é uma coisa nem outra.

É um profissional fragilizado e que não pode ser responsabilizado sozinho – nem pelo sucesso nem pelo fracasso. Um sistema massacrante, já que é impossível que o treinador domine todas as disciplinas necessárias para o sucesso do seu trabalho.

Em 2000 e 2001, o prof. João Paulo Medina implantou no Internacional de Porto Alegre um projeto moderno, que transformou o clube e deu frutos.

Mas ainda não chegou ao limiar da comissão técnica do futuro que propõe. Uma comissão técnica onde o treinador seria substituído pela figura do ‘orientador tático’. Ele explica:

“Nos anos 50, sobressaía a figura do técnico centralizador, quase sempre um ex-jogador que acumulava até a função de preparador físico. Na década seguinte, o futebol sofreu a primeira modificação, com a introdução da preparação física, do médico acompanhando os atletas. Nos anos 70, surgiu a figura do assistente-técnico, do preparador de goleiros e foram agregados à comissão técnica dos clubes e seleções profissionais de áreas como Nutrição, Psicologia, etc. “

Esta comissão técnica multidisciplinar, no entendimento de Medina, foi um passo importante, mas gerou um problema que, hoje, é mal crônico nos clubes: a crise de liderança.

“A necessidade de compor uma comissão técnica com profissionais de diferentes áreas, se por um lado aliviou o trabalho do técnico, por outro acabou criando áreas de atrito. Na comissão técnica do futuro, cresce a importância da figura do coordenador técnico, o agente facilitador para o trabalho do técnico”, explica Medina.

Quando trabalhou com Parreira em 2001, no Internacional, Medina acumulou experiência prática suficiente para saber que este é o caminho. “A função do coordenador não é dar ordens ao técnico, que é o homem que, entre outras responsabilidades, detém a liderança e a confiança do time. Sua função é a de facilitar e fazer funcionar, na forma e no conteúdo, cada aspecto do trabalho técnico de modo integrado. Em síntese, ser o agente facilitador da busca do melhor rendimento do time. O técnico tem de estar livre para ficar focado 24 horas por dia na parte técnica e tática.”

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Futebol e Educação

06/09/2008 · Deixe um comentário

EscolaBola

“O futebol pode (e deve!) ser utilizado como um maravilhoso agente de transformação e instrumento de educação.”

O esporte é vida? É saúde? Educação?

Sinceramente…poderia (e deveria!) ser utilizado para tais fins, mas tristemente enxergamos num jogo de futebol, por exemplo, falta de educação, violência, uso de drogas (dopping), falta de solidariedade…seja na pelada no clube com os amigos, seja nas arquibancadas de um estádio de futebol.

O futebol é um maravilhoso agente de transformação e instrumento de educação e, mesmo assim, poucas vezes é encarado como meio condutor de conhecimento e cultura.

Para que isto ocorra em sua plenitude, é necessário que as pessoas envolvidas em sua prática e, principalmente, os treinadores, professores ou líderes comunitários que conduzem estas práticas, tenham estas boas intenções de forma clara e segura, fato que, infelizmente, nem sempre acontece – reforça o professor e educador João Paulo S. Medina.

No futebol de alto rendimento, em projetos que visam o desenvolvimento de atletas e que não tenham a educação (de verdade!) como pilar básico na estruturação dos conhecimentos e saberes, dificilmente irão obter diferenciais competitivos e mudanças significativas no perfil dos atletas que se pretende alcançar.

Muito menos conseguirão desenvolver jogadores de futebol preparados para encarar um mercado cada vez mais disputado e competitivo, principalmente se os formadores não estiverem devidamente capacitados para este desafio.

Estudos X Carreira de Jogador

Utilizar-se do discurso que a educação e os estudos serão importantes apenas para o momento em que o atleta parar de jogar, é no mínimo pouco inteligente.

Os estudos, a cultura e outras bases do conhecimento são decisivos para o momento imediato do atleta que está em desenvolvimento.

Devidamente bem estimulado, poderá ampliar seu repertório de respostas aos problemas que encontrará dentro e fora de campo.

Não há mágica: desenvolvimento sustentado somente com investimentos reais em educação.

Mas infelizmente, para a grande maioria dos projetos que “(de)formam” atletas, o discurso sobre os diferenciais educacionais e sociais se perde e surge a mesmice: verdadeiros depósitos de atletas, que oferecem alojamento, alimentação, treinamento e escola pública… e que de modo geral é de péssima qualidade.

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