Caderno de Campo

Entradas do dezembro 2008

Inglaterra, o verdadeiro país do futebol

20/12/2008 · Deixe um comentário

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Por Marcos Alvito (Revista Super Interessante – Setembro de 2008)

A grama, impecável, é cortada a cada dois dias. Mas os jogadores treinam em outro campo. Ninguém pode pôr os pés ali quando não é dia de jogo oficial, fora o zelador. O estádio tem cadeiras para todos os espectadores, vestiários confortáveis, banheiras de hidromassagem e sala de fisioterapia para os jogadores. Você pode comprar seu ingresso pela internet e recebê-lo pelo correio, com lugar marcado e seu nome impresso. Há uma linha especial de ônibus para levar os torcedores, saindo da estação de trem da cidade. No dia do jogo, o clupe põe a venda um programa com as escalações, entrevistas, informações detalhadas sobre o time adversário: história, estatísticas e análise de cada um dos jogadores. Não estamos falando de um grande time europeu. Mas do pequeno Oxford United, que disputa a Blue Square Premier. Traduzindo: a 5ª Divisão da Inglaterra.

Qualquer comparação com o Brasil pode soar leviana. Nosso PIB por habitante não dá nem um terço do da Grã-Bretanha (são US$9.500 contra US$35.500). Mas, se você pensar que existem 40 mil clubes na Inglaterra, contra 13.500 por aqui, e que a média de público da 2ª Divisão deles é 50% maior que a do Campeonato Brasileira da 1a, vê que o país do futebol é outro: uma nação em que o interese pela bola é grande a ponto de os maiores jornais ingleses, como The Guardian, The Times e Daily Telegraph, publicarem os resultados até da 7ª Divisão.

Não é à toa. O futebol está tão enraizado na cultura inglesa quanto o idioma que eles falam. A febre começou na Idade Média, bem antes de a esquadra de Cabral atracar por aqui. Em dias festivos, grupos de aldeões do país todo se batiam-se contra outros tentando levar uma bexiga de boi cheia de ar até o fim do campo inimigo. Em 1863, a The FA (The Football Association) unificou a miríade de jogos regionais derivados desse tipo de brincadeira e o futebol foi adotado com imediato fervor pela classe operária, que, jogando ou assistindo, fez do futebol uma religião.

Essa história explica a força dos times locais. Toda cidadezinha tem seu clube, com seu estádio e seus torcedores fiéis. Fiéis mesmo: muitos times tiveram seus primeiros estádios erguidos graças a doações de torcedores. Também é normal ir a um jogo da 9ª Divisão onde o bar do clube é administrado por torcedores que trabalham ali sem ganhar um tostão.

E, na falta de clube, até hoje pessoas se juntam e formam um. Foi o que fez o ex-jornalista esportivo Will Brooks. No ano passado, ele abriu um site, o Myfootball-Club.co.uk e começou a coletar dinheiro para fundar um time. Não um time dele, mas de todo mundo que doasse as 35 libras que ele pedia como aplicação. O clube funcionaria como uma grande cooperativa. Cada um dos sócios poderia votar tanto em questões administrativas como para decidir a escalação do time. Sim, sim, parece uma idéia de jerica. Mas funcionou. Em novembro de 2007 Brooks já tinha 20 mil “sócios” e comprou um clube que andava mal das pernas, o Ebbsfleet United, por 700 mil libras. E dentro de campo também deu certo: em maio deste ano, o Ebbsfleet foi pela primeira vez a Wembley para disputar a final da FA Trophy – uma espécie de copa para times a partir da 5ª Divisão. E ganhou.

Em 2005, um grupo de torcedores do Manchester United fez algo parecido: raivosos depois que um bilionário americano comprou seu time de coração, eles fundaram o FC United of Manchester, que começou disputando um campeonato regional e agora está na 7ª Divisão, depois de ser promovido por 3 anos seguidos. O clube tem 3 mil membros, que tomam todas as decisões em votações democráticas: cada sócio tem direito a um voto. Mil deles já compraram cartões permanentes para assistir a todos os jogos da temporada 2008-9. Em 2010 eles vão começar a construir um estádio próprio. Tudo à base do esforço dos torcedores, sem patronos milionários.

Mas, se por um lado a presença de investidores estrangeiros faz gente como esses ex-torcedores virar a casaca, por outro ela transformou os times grandes da Inglaterra em potências. Veja o caso do próprio Manchester. Em 1990, a receita do clube foi equivalente a R$58 milhões. Em 2007, já tinha saltado para R$786 milhões – mais do que os 10 maiores clubes do Brasil, que somaram R$690 milhões no mesmo ano. Por essas, hoje 3 dos 5 times que mais faturam no mundo são ingleses. E a previsão é que, em 2009, eles sejam 10 entre os 20 mais ricos.
Mas nem tudo é festa: os ingressos são caros (até R$300) e quase impossíveis de encontrar à venda nas bilheterias para jogos dos 4 grandes – Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester. E desses, o Arsenal é o único que ainda não pertence a um bilionário estrangeiro.
É o preço a pagar pelo sucesso desse esporte na ilha onde a bola é mais redonda. No primeiro e ainda inigualável país do futebol.

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Enxergando a Partir do Todo (Uma História Real no Mundo Corporativo)

15/12/2008 · Deixe um comentário

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“Temas como processo sistêmico, interdisciplinaridade e complexidade, são abordados no universo corporativo.”

(Livro: Presença, de Peter Senge).

O Instituto Tecnológico de Massachusets (MIT) desenvolveu um ambicioso projeto, no qual aplicava conceitos sistêmicos, modelos mentais e outras ferramentas de aprendizado organizacional.

O programa dispunha de um orçamento de mais de um bilhão de dólares para cinco anos, com uma equipe de mil engenheiros em tempo integral, divididos em uma dezena de equipes subsepecializadas, cada qual responsável por uma característica do produto.

Todos trabalhavam sob intensa pressão para cumprir prazos, de modo que as soluções rápidas e superficiais eram a norma – infelizmente, com freqüente desconhecimento dos efeitos colaterais que geravam em outras equipes.

A certa altura, um grupo formado por membros elaborou um mapa de sistemas, a fim de tentar entender o que estava impedindo os engenheiros de trabalhar juntos com proveito e, assim, cumprir os prazos.

Rapidamente foi detectado um padrão. Quando uma equipe subespecializada se deparava com um problema difícil, tinha duas escolhas: ou dava uma resposta rápida e superficial ou ía às raízes do problema.

Por exemplo, quando os engenheiros da área BVT (barulho, vibração, trepidação) resolveram o problema da vibração acrescentando alguns reforços estruturais, criaram novos problemas para a equipe do chassis, responsável pelo peso total do veículo.

(mais…)

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A Experiência com Macacos

09/12/2008 · Comentários desativados

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“Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto ao primeiro.”

(Albert Einstein)

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam davam-lhe uma surra. Dentro de algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado na surra ao novato.

Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.

Para refletir:

Se “trocássemos” os macacos por jogadores, a jaula pela concentração, os cientistas por alguns treinadores e a experiência pelos treinos…

Você sabe me dizer por que os métodos de treinamento são sempre da mesma maneira?

Você sabe por que dizem que não é preciso estudar para ser técnico de futebol?

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Inventando Moda no Futebol

05/12/2008 · Comentários desativados

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“O futebol também é refém do progresso científico e cada vez mais bons profissionais dividirão as responsabilidades que hoje concentram-se nas mãos de alguns somente, em todas as dimensões que este apaixonante esporte está inserido.”

O texto abaixo foi produzido para o grupo DNA (Consultoria Construção de Imagem), do curso de Moda da Universidade Anhembi-Morumbi, no TCC de Consultoria de Imagem para Atletas de Futebol.

Num mundo de celebridades ocas, em que a imagem se sobrepõe a tudo, temos no jogador de futebol um dos principais exemplos de contágio com o que está ao seu redor.

Combinações explosivas: o futebol é o esporte mais praticado do planeta e o jogador brasileiro, um dos mais valorizados do mundo, isto é, devido a sua maneira criativa, lúdica e artística de conduzir o jogo dentro das quatro linhas.

Além disso, o Brasil ainda é o único país a ter conquistado por cinco vezes a Copa do Mundo.

A partir dos elementos acima, podemos entender que um atleta de futebol pode provocar reações interessantes – positivas ou negativas, a partir de uma determinada postura, seja uma conduta dentro de campo, um hábito cultural ou social e, claro, a maneira como se expressa à mídia em geral.

Um dos principais exemplos de sucesso no trabalho da consultoria de imagem no futebol é do inglês David Beckham, que mesmo considerado um atleta tecnicamente comum, tornou-se um dos mais bem remunerados em todos os esportes.

Considerando que a imagem do atleta é um ativo a ser valorizado ao longo de sua carreira, a consultoria de imagem vai de encontro às necessidades de proteger, agregar e potencializar o produto, prestando um importante serviço ao cliente (atleta) e à instituição (clube).

Inventar moda no futebol? É elementar, meu caro Watson!

O futebol também é refém do progresso científico e cada vez mais bons profissionais dividirão as responsabilidades que hoje concentram-se nas mãos de alguns somente, em todas as dimensões que este apaixonante esporte está inserido.

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