Caderno de Campo

Entradas do fevereiro 2009

A Escola Mata a Criatividade?

28/02/2009 · 2 comentários

“A criatividade pode ser definida como o processo de ter idéias originais que possuam valor, e que, manifesta-se com bastante frequência através da interação de diferentes formas de se ver as coisas.”

(Ken Robinson – Educador Inglês)

O especialista em criatividade, Sir Ken Robinson, nos remete à reflexão sobre a maneira que estamos educando os nossos filhos.

Nesta brilhante apresentação, ele defende uma reformulação radical do nosso sistema escolar, para cultivar a criatividade e reconhecer vários tipos de inteligência.

Assista a segunda parte da palestra clicando aqui.

Extraído do blog Fazendo E-Learning, via TED.

Categorias: Conhecimento · Criatividade · Idéias
Etiquetado: , ,

A Metodologia do Futebol Brasileiro – Vide Bula

23/02/2009 · 2 comentários

Schattenspiele_01

Este medicamento deve ser mantido ao alcance das crianças!

A metodologia do futebol brasileiro, caso viesse com bula, deveria ter marca registrada ( * ) e conter o seguinte:

Informações ao Paciente

Metodologia é o estudo das diferentes maneiras como se ensina.

Portanto, essa maneira de se ensinar, procura resgatar a tradição e a essência do futebol brasileiro, que se construiu mais espontaneamente, através dos jogos populares, disseminada em campos de várzea, campinhos, praias e espaços urbanos improvisados, o que nos garantiu um estilo próprio, peculiar, belo e refinado de jogar futebol, que se aproxima da arte.

É o jeito brasileiro de jogar futebol tão admirado em todo o mundo.

Informações Técnicas

Ação esperada do medicamento: para que este método funcione, há a necessidade de se criar ambientes favoráveis e adequados capazes de provocar estímulos e que possam, além de trazer informações, facilitar o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e habilidades, desenvolvendo atletas com condições de solucionar problemas, dentro e fora de campo.

O método deverá ser pautado no jogo. Dessa maneira, dará condições de formar atletas adaptados ao seu contexto, e não formar atletas deficientes na leitura do jogo ou malabaristas com a bola nos pés.

Informação Técnica Adicional:

Pautar pelo jogo significa procurar desenvolver as competências técnicas, táticas, físicas e emocionais dentro do contexto em que são requeridos no jogo de futebol.

Indicações

Este remédio é indicado para a construção e resgate de atletas talentosos, criativos e inteligentes: os antigos Camisas 10.

Indicado para atletas e seus formadores que pretendam desenvolver um rico repertório de possibilidades de respostas para as diferentes e imprevisíveis situações de jogo.

Contra-Indicações

Não há contra-indicações para esse método. Jogue e brinque a vontade.

Precauções e Advertências

Ao priorizar o ensino fragmentado dos fundamentos (chute, passe, lançamentos, dribles etc.), de forma limitadora, repetitiva e individual, estamos nos distanciando dos aspectos mais criativos, do imprevisível, do intuitivo, do lúdico, do coletivo e das necessárias tomadas de decisão que caracterizam a essência do jogo de futebol.

Reações Adversas / Colaterais

Pode causar estranheza à muitos que assistem de fora este processo de desenvolvimento. Principalmente se não presenciarem práticas tradicionais de treinos, como chutes a gol, dribles em cones, jogadas ensaiadas onde todos respeitam o script etc.

Posologia

Ministrar através de pequenos, médios e grandes jogos, onde os aspectos lúdicos, competitivos e de constantes desafios possam estar inseridos.

Dosar de acordo com o grau de desenvolvimento (da iniciação à especialização), respeitando os níveis de maturação em cada faixa etária.

( * ) A marca registrada do futebol brasileiro é o talento técnico de seus jogadores, caracterizado principalmente pela sua capacidade de improvisação e criatividade.

Categorias: Crítica
Etiquetado: , , , ,

Deus Castiga

17/02/2009 · 1 comentário

deus.jpg

Para quem é leitor deste blog, sabe que procuro ampliar as reflexões sobre o universo do futebol ao escrever sobre diferentes ângulos e dimensões deste esporte.

No entanto, neste post, prometo falar de futebol exclusivamente sob a dimensão espiritual:

Investidores e Banqueiros que mentem sobre projetos de longo prazo e que adoram se intrometer na área técnica ao sentir o cheiro do vestiário: Deus castiga!

Diretores de clubes que gostam de investir seu dinheiro nos direitos econômicos dos atletas de seu próprio clube: Deus castiga!

Técnicos e outros profissionais da bola que se esquecem de pessoas que as ajudaram a conquistar uma posição melhor: Deus castiga!

Jornalistas que abdicam do juramento da profissão e passam a atacar profissionais do futebol por interesses financeiros pessoais próprios ou da Instituição em que trabalham: Deus castiga!

Atletas que acreditam estar acima do bem e do mal e esquecem que dinheiro não leva desaforo: Deus castiga!

Presidentes que misturam a gestão de seus clubes com suas vidas particulares: Deus castiga!

Políticos que usam clubes de futebol para projetos de vida pessoal: Deus castiga.

Categorias: Crítica
Etiquetado: , ,

Maneiras de Ensinar Futebol

12/02/2009 · 2 comentários

Bola furada.jpg

“Quando o cara é da rua, não tem o preparo técnico, ele tem a chance de ser muito mais único, muito mais brasileiro, do que aquele que recebe a escolinha e o treinamento parecidos com o modelo europeu, americano e australiano.”

(Dan Stulbach – Ator, diretor e apresentador)

Entender o futebol não significa apenas entender a técnica, os fundamentos, os gestos isolados, ou mesmo as táticas aplicadas ao jogo.

É preciso compreender que por trás do atleta há sempre um ser humano, sensível, emotivo, que chora, que ri, que sente dores e tem, enfim, necessidades biológicas, psicológicas, sociais e espirituais.

Acreditar que continuaremos produzindo espontaneamente os atletas talentosos – os camisas 10 – em quantidade como antigamente, é um erro estratégico para a manutenção da nossa hegemonia no cenário mundial da bola.

Foram se os tempos em que os campinhos improvisados nas ruas, várzeas e praias eram em maior número do que as escolinhas de futebol.

A maneira espontânea de se aprender a jogar bola foi substituída pela mecanização dos gestos e técnicas, criando-se barreiras e limitações para esse desenvolvimento.

Foi desse aprendizado natural e pouco sistematizado que ‘brotaram’ nossos craques e que mais tarde acabariam por fascinar o mundo com a nossa maneira artística, criativa e lúdica dentro das quatro linhas.

Cabem aos nossos professores e pedagogos, que acompanham a evolução e as tendências da Pedagogia do Esporte, uma sistematização deste processo, numa metodologia capaz de compreender a nossa essência, além das nuances do jogo e do ser humano.

Uma metodologia do genuíno futebol brasileiro.

Categorias: Estudos Aplicados · Paradigma
Etiquetado: , ,

O Jogador de Futebol Inteligente

03/02/2009 · Deixe um comentário

2971106765_53699dc34fjpg

“Antigamente, inteligente era aquele bom em matemática, ou que tivesse um pensamento lógico e claro, ou que conseguisse falar bem.”

do Manual do Atleta Inteligente

O que é inteligência?

Esse conceito vem mudando muito. Antigamente, inteligente era aquele bom em matemática, ou que tivesse um pensamento lógico e claro, ou que conseguisse falar bem. Ou aquele que tivesse estudado e soubesse muita coisa de um ou de vários assuntos.

Muita gente ainda pensa assim, mas estudos mostraram que a inteligência é bem mais do que isso.

Basicamente a inteligência pode ser definida como “a capacidade que o ser humano tem para resolver problemas”. Mas problemas aparecem a toda hora na nossa vida. E não é só com pensamento lógico ou falando que conseguimos resolvê-los. Precisamos ainda de força de vontade, coragem, intuição, criatividade, habilidade, conhecimento e atitude. Ser inteligente reúne todos esses ingredientes. Os orientais resumem bem: “Se você sabe e não faz, ainda não sabe”.

Com este entendimento mais ampliado os estudiosos começaram a desenvolver outros conceitos que incluem muitos outros tipos de inteligência, além da tradicional inteligência lógicoformal (matemática, línguas, oratória).

Foi assim que surgiram conceitos como a inteligência emocional (a sua capacidade de controlar emoções), inteligência social ou interpessoal (capacidade de se relacionar com as outras pessoas), inteligência motora (saber usar o corpo para resolver determinadas situações), inteligência musical (fazer músicas ou tocar um instrumento)… e assim por diante.

É com essa nova visão de “inteligência” que vamos falar do jogador de futebol.

Assim, o jogador de futebol inteligente resolve os problemas dentro de campo, o que é importante para ganhar e ter sucesso, claro. Então, treina e faz amistosos. Mas, para jogar bem, o atleta não pode depender só de treinos e jogos. Precisa de conhecimentos, de habilidades e de atitudes também fora do campo.

E isso faz uma grande diferença. Para toda a sua vida – não só de jogador.

Categorias: Complexidade · Criatividade
Etiquetado: , ,