Caderno de Campo

Entradas do março 2009

Copa de 2014 – Progresso e Ordem

23/03/2009 · Deixe um comentário

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“…E se futebol pode ser educação e cultura, não temos uma grande oportunidade de tirarmos proveito disto como país de terceiro mundo?”

O advento de uma Copa do Mundo, para qualquer país, pode ser assimilado como uma grande oportunidade de aceleração do crescimento – um verdadeiro PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) * em forma de gols.

Desde 30 de Outubro de 2007, data do anúncio oficial da FIFA indicando o Brasil como sede da Copa de 2014, pouco caminhou-se na direção de uma visão mais estratégica sobre como todos nós – do Chefe Maior ao torcedor comum – poderemos contribuir para fazermos deste evento, não só um grande espetáculo do futebol mundial, mas uma plataforma ampla de melhorias à nossa nação, principalmente em mudanças significativas que estão além das condições mais básicas de infra-estrutura.

O futebol pode ser uma poderosa ferramenta de educação e cultura de um povo, dependendo da forma como o utilizamos. E se futebol pode ser educação e cultura, não temos uma grande oportunidade de tirarmos proveito disto como país de terceiro mundo?

De maneira colaborativa e participativa, podemos fazer surgir tanto idéias quanto envolvimentos e compromissos na construção não só de uma melhor e saudável estrutura para o nosso futebol, mas sobretudo de um país melhor.

Todos sabemos que não vamos mudar a estrutura do futebol profissional brasileiro do dia para a noite. É preciso começar passo-a-passo. É preciso, entre outras coisas, equacionar os problemas administrativos e de gestão dos clubes. E nisto estão envolvidos problemas frequentes vistos no nosso dia-a-dia, como violência nos estádios, política na venda de ingressos, proposta dos clubes formadores de atletas, comportamento das torcidas, ética dos dirigentes esportivos, entre outros assuntos.

A Universidade do Futebol tem um papel importante neste momento, não somente no auxílio à capacitação e qualificação de profissionais, mas na conscientização e divulgação de temas que possam trazer mudanças significativas para o bem do futebol brasileiro e mundial.

* http://www.brasil.gov.br/pac/

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As Lições de Steve Jobs para o Futebol

12/03/2009 · 2 comentários

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“Criatividade é apenas conectar as coisas.”

(Steve Jobs, co-fundador e presidente da Apple.)

Li pela segunda vez o livro “A Cabeça de Steve Jobs”, de Leander Kahney – editor da revista eletrônica Wired.com.
Ao traçar um paralelo de algumas lições de Steve com outros segmentos corporativos, foi na indústria da bola que as coisas se conectaram bem. Teria algo a ensinar ao futebol o homem que é sinônimo de inovação e que desde os anos setenta vem transformando a maneira de pensar da informática, da indústria de animação e, mais recentemente, da música digital?

Busque informação; não faça suposições. Como gestor, audite constantemente o seu clube (empresa) e tome decisões através de dados objetivos. Ter informação não é o mesmo que ter conhecimento.

Foco significa dizer “não”. Steve tem um grupo pequeno de ótimos profissionais que concentram seus esforços em poucos projetos. Identifique as unidades de negócio prioritárias de seu clube, direcione os melhores profissionais à esses focos e execute-os da melhor maneira.

Encontre uma maneira fácil de apresentar novas idéias. Nem sempre os seus próprios funcionários compram a sua idéia ou projeto, ainda mais se mudanças de cultura ou de paradigma estiverem em jogo. Trace uma estratégia para vender bem a sua proposta. O sucesso, antes de mais nada, depende desta tarefa caseira.

Inclua todo mundo. O design não se restringe somente aos designers. Profissionais do marketing, programadores e engenheiros podem descobrir juntos como desenvolver um produto melhor. Não, não estou dizendo que a nutricionista ou o psicólogo devam escalar a equipe. Nem tampouco achar que o departamento de marketing tenha a função de determinar a melhor data para colocar o garoto propaganda do clube de titular. Esta é a função do técnico, o orientador tático, e ainda continuará sendo. Mas a lição serve para mostrar que o conhecimento, quando integrado e coordenado para determinado fim, seja na área técnica, administrativa etc., pode ser melhor aproveitado.

Só estabeleça parcerias com atores nota 10 e demita os idiotas. Invista em pessoas. Ter funcionários talentosos é uma das principais vantagens competitivas diante da concorrência. Sempre perderemos talentos – sejam atletas ou profissionais da área técnica – para outros clubes com maior poder aquisitivo. É a lei da selva. Invista em capacitação sempre e seja um gestor profissional, identificando quem realmente possa contribuir para o seu negócio ou quem já deixou de remar faz tempo.

Não dê ouvidos aos que só dizem “sim”. Trave combates intelectuais. O pensamento crítico e criativo sempre será bem vindo. Desafiar idéias é um dos hobbies preferidos de Steve. Desconfie se as pessoas ao seu redor estiverem dizendo amém à tudo que propõe. São essas pessoas que lhe contradizem após um fracasso e, na maioria das vezes, fazem as críticas indiretamente.

Dê total liberdade a seus parceiros. Criatividade não está restrita ao meio tecnológico. A inovação está presente em todos os segmentos da nossa vida: do GPS do carro ao material da chuteira do atacante. De quem foi a idéia de explorar a camisa do seu time para vender uma marca ou produto?

Não perca o consumidor de vista. Estude o mercado e o setor. Coloque-se no lugar do consumidor do seu produto (torcedor) e analise se o serviço criado atende as expectativas dele ou atende as suas. Esteja vigilante em relação as tendências da indústria do futebol e seja amigo das pesquisas e dos números.

Faça as coisas em equipe. O iPod e o iPhone não foram inventados por uma única pessoa. O sucesso numa temporada, por exemplo, vem do trabalho em equipe e valorizar este aspecto, dividindo responsabilidades e louros, é no mínimo, o caminho mais adequado a seguir.

Estude. Steve não chegou ao final de uma gradução, mas é um profundo conhecedor de arte, arquitetura e design. Isto o coloca em pé de igualdade ao conversar com especialistas de outras áreas na tomada de decisões sobre os rumos de sua empresa. No futebol brasileiro, por exemplo, para muitos basta ter sido um ex-atleta para ter vaga garantida como treinador ou dirigente esportivo. Nossa cultura no esporte é um pouco desse jeito. O conhecimento científico não precisa entrar em campo e a figura caricata do dirigente – que solta pérolas da bola, trata seu consumidor com desrespeito e acha que sabe tudo sobre futebol – ainda existe e irá continuar existindo. Mas no futuro, serão nos modelos de desenvolvimento sustentado que encontraremos profissionais modernos, eficazes e que conhecem (estudaram) vários aspectos que compõe o conhecimento sobre futebol, ou pelo menos, dividem tal sabedoria com profissionais especialistas numa visão integrada.

KAHNLEY, Leander. A Cabeça de Steve Jobs (2008). Agir, Rio de Janeiro, Brasil.

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O Perigo do Especialista

07/03/2009 · Deixe um comentário

OrtegayGasset

“Mas o especialista não é um sábio, porque ignora formalmente o que não entra na sua especialidade; mas tampouco é um ignorante, porque é ‘um homem de ciência’ e conhece muito bem a sua fração de universo.”

por José Ortega y Gasset (1883-1955), pensador espanhol.

O especialista serve-nos para concretizar energicamente a espécie e fazer ver todo o radicalismo da sua novidade. Porque outrora os homens podiam dividir-se, simplesmente, em sábios e ignorantes, em mais ou menos sábios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista não pode ser submetido a nenhuma destas duas categorias. Não é um sábio, porque ignora formalmente o que não entra na sua especialidade; mas tampouco é um ignorante, porque é “um homem de ciência e conhece muito bem a sua fração de universo. Devemos dizer que é um sábio ignorante, coisa sobremodo grave, pois significa que é um senhor que se comportará em todas as questões que ignora, não como um ignorante, mas com toda a petulância de quem na sua questão especial é um sábio.

E, com efeito, este é o comportamento do especialista. Em política, em arte, nos usos sociais, nas outras ciências tomará posições de primitivo, e ignorantíssimo; mas tomará essas posições com energia e suficiência, sem admitir – e isto é o paradoxal – especialistas dessas coisas. Ao especializá-lo a civilização tornou-o hermético e satisfeito dentro da sua limitação; mas essa mesma sensação íntima de domínio e valia vai levá-lo a querer predominar fora da sua especialidade. E a consequência é que, ainda neste caso, que representa um maximum de homem qualificado – especialismo – e, portanto, o mais oposto ao homem-massa, o resultado é que se comportará sem qualificação e como homem-massa em quase todas as esferas da vida.

A advertência não é vaga. Quem quiser pode observar a estupidez com que pensam, julgam e atuam hoje na política, na arte, na religião e nos problemas gerais da vida e do mundo os “homens de ciência”, e é claro, depois deles, médicos, engenheiros, financeiros, professores, etc. Essa condição de “não ouvir”, de não se submeter a instâncias superiores que reiteradamente apresentei como característica do homem-massa, chega ao cúmulo nesses homens parcialmente qualificados. Eles simbolizam, e em grande parte constituem o império atual das massas, e a sua barbárie é a causa mais imediata da desmoralização europeia.

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