Caderno de Campo

Entradas do maio 2009

Universidade Corporativa Futebol Clube

29/05/2009 · 2 comentários

2009-05-29_1549.png

“… Mais do que promover grandes atletas a gestores de campo, diretores de futebol ou presidentes, é necessário que o clube desperte para uma nova cultura.”

São raros os exemplos de atletas que penduram as chuteiras (ou as luvas!) e ingressam imediatamente numa nova carreira, dentro do próprio clube.

Mais raros ainda são os atletas que passam uma vida inteira dentro da mesma instituição, conquistam títulos importantes e transformam-se em referências para várias gerações de torcedores.

O bom caráter, a transparência nas palavras e o amor declarado pelo clube são elementos que potencializam e elevam a imagem destes jogadores a “mártires”, ou até mesmo a “santos”.

Clube e torcedores ficam satisfeitos com a permanência do atleta em seus domínios, seja numa função técnica de campo ou administrativa.

Mas como transformar estes raros exemplos em processos institucionalizados do clube? Como abrir caminhos para a construção de um ambiente corporativo sustentado, que produza não só atletas de alto nível, mas processos de qualidade?

Os processos e métodos de trabalho nos clubes de futebol, em sua enorme maioria, não pertencem a instituição. São de exclusiva propriedade (e know-how) dos profissionais contratados pelo próprio clube.

E como as idas e vindas de comissões técnicas, as vezes quase que inteiras, são frequentes após vencer ou perder campeonatos, no final (ou no início!) o clube é novamente como um computador (hardware) vazio a espera de programação (software).

Jack Welch já havia sacado há muito tempo que enviar seus melhores funcionários em busca de pós-graduações e mestrados era um ledo engano. Primeiro: os altos custos de investimento em capacitação de um funcionário que ficava a maioria do tempo ausente da empresa. Segundo: o assédio de outras empresas que, geralmente, resultava em perder seus melhores talentos.

Trouxe então a capacitação para dentro da companhia, treinando e desenvolvendo seus melhores colaboradores na própria cultura da empresa.

Institucionalizou os processos, melhorou o ‘software’ e alargou os caminhos para o desenvolvimento de melhores gestores. Deu a esta ideia o nome de Universidade Corporativa.

Quantos clubes no Brasil tem uma Universidade Corporativa?

E quantos clubes irão trocar de comissão técnica até o final deste Brasileirão?

Categorias: Crítica · Profissionalização
Etiquetado: , , ,

O Futebol é um Jogo Defensivo

26/05/2009 · 2 comentários

grande_bernardo.jpg.jpeg

* Bernardo, o eremita, é um ex-torcedor fanático que vive isolado em uma caverna. Ele é um personagem fictício de João Batista Freire.

Via Universidade do Futebol

O carnaval foi bem engraçado por aqui. Nós o comemoramos em abril. Oto, meu morcego de estimação, surpreendeu. Sua banda, a Sangue Bom, entre morceguinhos de nossa caverna e convidados, desfilou com mais de dez mil componentes. Arnaldo, o bagre cego, assistiu, ou melhor, ouviu as reprises dos desfiles de escolas de samba de São Paulo e Rio; não desgrudou os ouvidos da telinha. Delirava, de se revirar todo, sempre que a telinha anunciava algum famoso nos camarotes. E Aurora, a coruja, fantasiou-se de águia e voou solitária pelos céus que lhe cabem, de fato e de direito, em alegres evoluções.

Terminada a folia de Momo, procurei-os e disse-lhes que já me davam saudades as conversas sobre futebol.

- Carnaval é bom, mas cansa se passar de três dias – eu disse. – E já se passaram quatro. Futebol, esse pode ser o ano todo, se depender de mim. E eu queria a opinião de vocês sobre uns assuntos que me tiram o sono.

Havia coisas do futebol, que eu, por mais esforço que fizesse, não entendia. Oto estava de ressaca e não quis conversa; Arnaldo ouvia a televisão.

- Por exemplo? – perguntou Aurora.

- Não me conformo com essa excessiva preocupação de só defender, defender, defender – eu disse – como se todos, jogadores, técnicos e comentaristas, fossem golfóbicos.

E acrescentei que, ouvindo e lendo o que pensam sobre o futebol, percebo que falam o tempo todo sobre sistemas de defesa.

- Pois, para mim – disse Aurora – agem dessa maneira porque evitam o verdadeiro problema. Falam do óbvio, daquilo que está mais ao alcance de todos, do banal.

- Como assim? – distraí-me com o barulho da TV e não entendi bem o que a coruja disse.

- Que barulho é esse – ela me perguntou – vindo do fundo da caverna?

- É o Arnaldo ouvindo de novo aquele programa da ESPN sobre a pretensão do Brasil de ser sede das Olimpíadas em 2016. Cada vez que Carlos Nuzman fala, ele baba e faz essa barulheira.

(mais…)

Categorias: Conhecimento · Crítica · Humor · Paradigma
Etiquetado: ,

Rock’n Roll de Verdade

25/05/2009 · Deixe um comentário

Rock’n Roll de Verdade

Aumente o som e boa semana!

Categorias: Apita o Árbitro
Etiquetado: ,

Ranking da Fifa

22/05/2009 · Deixe um comentário

MontanhaRussa.jpg

“…será no ranking de países mais corruptos do mundo que teremos sempre destaque?”

O Brasil liderou o Ranking Oficial da Fifa de 1994 a 2007, treze anos quase ininterruptos, de total hegemonia verde e amarela.

Desde então, o Brasil figura no escalão de baixo, oscilando entre a quarta e sexta posições.

O Ranking da Fifa foi revisado em 2006 e leva em conta vários parâmetros, entre eles: resultados em jogos internacionais, importância da partida, força do adversário no cenário mundial, período em que ocorreu o jogo etc.

Dependendo da atuação da Seleção Brasileira na próxima Copa das Confederações, o Brasil poderá permanecer na mesma faixa de colocação.

E dependendo da nossa atuação na Copa da África, nos contentaremos com a zona intermediária do Ranking por mais alguns anos, até a realização da Copa aqui em nosso país.

Mas o Ranking da Fifa só revela o que acontece lá… dentro do campo.

Sou categórico ao afirmar que nas próximas décadas perderemos de vez o posto de melhor futebol do mundo se algo de diferente não for promovido. E o diferente não significa construir estádios ou fingir que melhoramos as estruturas existentes.

Faltam pouco mais de cinco anos para abrigarmos novamente um dos maiores espetáculos da Terra. Faremos deste evento uma passagem de gala para essa nova realidade?

Ou será no ranking de países mais corruptos do mundo que teremos sempre destaque?

Categorias: Crítica
Etiquetado:

As Lições de Steve Jobs para o Futebol (Mac+)

21/05/2009 · Deixe um comentário

Mac+ Criatividade.jpg

Fui brindado com a publicação do artigo ‘As Lições de Steve Jobs para o Futebol’ na edição do terceiro aniversário da revista brasileira Mac+, especializada em tecnologia e em produtos Apple. Para quem ainda não leu, segue o artigo adaptado e que pode ser visto na última página da Mac+ número 36, ou neste PDF.

O artigo original e sem adaptações está aqui.

Categorias: Conhecimento · Criatividade · Crítica · Profissionalização
Etiquetado: ,

A Função Social do Futebol

20/05/2009 · Deixe um comentário

maradona-en-cuba.jpg

“Futebol não é sinônimo de educação, saúde ou cultura”

via Blog do Medina

Em um outro texto publicado neste blog (*) comentei que o futebol nem sempre é sinônimo de saúde, como muitos imaginam. Sempre que abordo este assunto, as pessoas parecem ficar surpresas com este meu ponto de vista sobre o futebol, esporte que, sem dúvida, é uma das maiores manifestações culturais do século 20 e nada indica que não será assim, também neste século 21.

Muitas pessoas me questionam. “Medina como você, sendo professor e trabalhando no futebol há tanto tempo, pode falar mal do futebol?”

Penso que ter um olhar crítico sobre o futebol não significa necessariamente falar mal dele. Pelo contrário, toda visão crítica pode contribuir mais para a valorização das práticas esportivas, do que uma visão ufanista ou de senso comum.

Defendo que precisamos ter a capacidade para aproveitar o enorme potencial do futebol, para realmente assegurar a promoção da saúde, educação e cultura.

Se o esporte em geral, e o futebol em particular, fosse algo bom por si só, que dispensasse a necessária intervenção competente, positiva e pró-ativa de seus agentes, não veríamos à todo momento exemplos de atletas envolvidos em drogas, atos de violência e corrupção que se repetem dentro e fora dos campos.

Cabe, portanto, àqueles que são os atores responsáveis pelas práticas esportivas, ou seja, treinadores, atletas, líderes comunitários, dirigentes, terem sempre em mente os valores que devem permear o esporte: solidariedade, cooperação, busca de superação dos limites, constante aperfeiçoamento, o espírito democrático, respeito aos nossos oponentes etc.

Com uma visão crítica que dê mais clareza quanto à forma em que as relações sociais se dão no interior das atividades lúdicas, educativas e competitivas, talvez, possamos realmente entender o esporte, e em especial o futebol, como um privilegiado instrumento que auxilia o desenvolvimento do ser humano de uma forma geral.

(*) Futebol não é sinônimo de educação, saúde ou cultura

Categorias: Crítica
Etiquetado: , ,

O Futebol Volta pra Casa

19/05/2009 · Deixe um comentário

Depois de 64 anos, o futebol volta pra casa.

Categorias: Apita o Árbitro · Copa 2014
Etiquetado: ,

O Saber de Cada Um

15/05/2009 · 2 comentários

Einstein_Knowledge Service Center.JPG.jpeg

Reflexões do Mestre João Batista Freire.

Somos muito críticos as vezes com jogadores e técnicos que dizem coisas de senso comum.

Por exemplo, um técnico de futebol sem formação acadêmica, que ao dar entrevista, fala coisas óbvias e que qualquer torcedor mais antenado falaria.

“Como é possível que uma pessoa como esta, que sabe tão pouco, comande uma grande equipe?”

Mas este técnico sabe pouco? Talvez ele apenas não consiga expressar o que sabe.

O saber acumulado, com a experiência do dia-a-dia, tornou-se conhecimento, só que não consegue ser traduzido em discursos falados ou escritos.

No entanto, este técnico é um grande vencedor e que já mostrou repetidas vezes que isso talvez não seja somente obra do acaso ou da sorte. Seu conhecimento contribuiu para diversas conquistas.

Mas se este conhecimento não consegue ser expressado e não vem à público, como saberemos o que ele sabe? Todos nós estamos perdendo com isso.

Há algo a ensinar a este técnico?

Como transformar o conhecimento guardado em discurso falado e escrito?

Desafio este da Universidade do Futebol, que poderá revelar o enorme conhecimento que muitos profissionais possuem e, ao mesmo tempo, enriquecer o conhecimento de muitas outras pessoas.


Categorias: Conhecimento · Crítica
Etiquetado: , ,

A Responsabilidade Científica do Futebol

13/05/2009 · Deixe um comentário

human11.jpg

“…Agora, meu querido amigo, sou eu a perguntar-lhe: todos os jogadores do seu clube acreditam no treinador e naquilo que ele determina ou propõe?”


por Manuel Sérgio, via Universidade do Futebol

Já o Sporting tinha sido excluído da Champions League, por duas derrotas descomunais e o Benfica, ainda na fase de grupos, sofrera igual tratamento porque mostrou, sem margem para dúvidas, que se encontrava corroído por uma espécie de cancro de que não se conhece a origem – e eis que por causa de um erro do árbitro Lucílio Batista, na final da Taça da Liga, o mundo lisboeta do futebol rompeu em sanhudos debates, sustentando os sportinguistas que o árbitro os “roubara” propositadamente e os benfiquistas que a Taça lhes coube, em clara honradez de processos.

Entretanto, o F.C. Porto assiste do pódio de campeão, piscando um olho discreto e vencedor, à conversa azeda entre os dois principais clubes da capital, que parecem viver em clima de marasmo, derrotismo, de verdadeira confusão mental.

Com efeito, o que é a Taça da Liga? No âmbito europeu – muito pouco! No âmbito nacional, é uma prova que serve, à maravilha, para o Sporting e o Benfica esconderem a sua gritante incapacidade à conquista do Nacional de Futebol e para se afirmarem no futebol europeu.

Não ponho em causa as poucas e lúcidas páginas que justificam a Taça da Liga. O que está aí, à vista de toda a gente, é que os principais clubes, ou olham para ela com um olhar lateral e sem interesse, ou fazem o que os actuais Benfica e Sporting (e digo actuais porque já os conheci, quando escreveram páginas imorredoiras, na história do nosso futebol) parecem ser especialistas: legarem à posteridade um retrato onde se surpreendem os tiques e os ridículos de uma macrocefalia que se fez acéfala.

E, no entanto, há no Benfica e no Sporting funcionários e técnicos (incluindo os de saúde) de eloquente competência e honestidade. Uma boa parte deles conheço-os, há largos anos. Alguns muito me ensinaram, quando foram meus alunos. O que se passa então, no futebol sénior destes clubes, que se encontra confuso e envolto em sucessivos falhanços, mascarados por longas disputas e cansativas parlengas?

(mais…)

Categorias: Complexidade · Conhecimento
Etiquetado: , ,

Ideias que Valem a Pena Divulgar

12/05/2009 · Deixe um comentário

J.J. Abrams, criador de Lost e diretor de Star Trek, fala sobre a influência da tecnologia na criatividade.

A segunda (e melhor) parte está aqui.

Via Ted Talks em Português

Categorias: Criatividade · Idéias
Etiquetado:

Once – Apenas Uma Vez

11/05/2009 · Deixe um comentário

Falling Slowly (do filme ‘Once – Apenas Uma Vez’)

Tema do filme ‘Once’, produção independente irlandesa que levou o Oscar de melhor canção original em 2008. O filme foi gravado com duas câmeras semi-profissionais e com muito sentimento. O resultado é de uma simplicidade absolutamente bela e merece ser apreciado por todos aqueles que encontram na música grandes respostas.

Link Oficial do Filme

Categorias: Apita o Árbitro
Etiquetado: ,

I Will Follow Ronaldo

07/05/2009 · Deixe um comentário

Homenagem divertida à superação do ídolo Ronaldo, com destaque ao coral dos Melhores do Mundo, numa montagem bem humorada do Fenômeno, que joga, encanta e, agora, também canta.

Produzido por Carlos Fernandes.

Categorias: Criatividade · Humor
Etiquetado:

Como Analisar uma Equipe Campeã ?

05/05/2009 · 4 comentários

2C3761_1.jpg

“…A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, na maioria das vezes, não seriam notadas.”

A cultura do campeão em nosso país traz consigo várias mazelas, quase impossíveis de serem tratadas no curto prazo. Estamos falando de um paradigma existente em nossa sociedade, que contamina a todos: torcedores, profissionais do esporte, críticos e, principalmente, a imprensa em sua maior parte.

A referência principal, é claro, passa a ser a equipe que alcançou a primeira colocação. Seus atletas e a comissão técnica passam a ser imitados e, igualmente, seus métodos de trabalho.

E a análise sobre o vencedor, que poderia ser rica e ampliada à diversos fatores, quase sempre é óbvia e unânime.

E a unanimidade não é burra, como diria Nelson Rodrigues. A unanimidade é pobre… mas com certeza, nos permite enxergar exceções.

Uma equipe de jogadores bem treinados ou uma comissão técnica integrada e bem articulada são exemplos de unanimidade inteligente. Outro bom exemplo são os pedagogos do esporte, unânimes ao afirmar que o aluno (ou atleta) pode descobrir o prazer de aprender se for devidamente bem estimulado.

E quais aspectos poderiam ser analisados numa equipe que é referência por ter alcançado um título ou a primeira posição da tabela? Aspectos que permitam ir além dos números estatísticos e dos scouts técnicos do jogo e que efetivamente revele a qualidade do trabalho realizado?

Abaixo são apresentados 15 aspectos gerais de uma equipe de futebol, onde cada um é composto de parâmetros específicos e que podem ser coletados no dia-a-dia dos treinamentos e jogos. A análise de cada aspecto pode ser realizada periodicamente, de acordo com os objetivos da comissão técnica.

1. Qualidade Técnica da Equipe;

2. Condição Atlética da Equipe;

3. Padrão Tático de Jogo da Equipe;

4. Perfil Psicológico dos Atletas;

5. Coesão de Grupo – Consciência Profissional Coletiva;

6. Atitude dos Atletas nos Treinamentos;

7. Atitude dos Atletas nos Jogos;

8. Nível Geral de Performance da Equipe;

9. Índice (Ausência) de Lesões;

10. Infraestrutura de Treinamento;

11. Observação Técnico-Tática dos Adversários;

12. Política de Contratações de Atletas;

13. Relacionamento com a Imprensa (para a Direção);

14. Relacionamento com a Imprensa (Comissão Técnica e Atletas);

15. Grau de Cobrança Interna para a Qualidade.

A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, em sua maioria, não seriam notadas.

E muitas vezes, percebe-se que alguns aspectos são mais importantes numa conquista do que a somatória de vários outros juntos.

Quantas equipes campeãs alcançaram um nível de coesão tão grande que superou a falta de qualidade técnica de seus jogadores? Ou vice-versa?

E em quantas oportunidades a política de contratações de atletas causou impacto positivo na melhor classificação da equipe, mesmo com uma fraca infraestrutura para treinamentos? Ou vice-versa?

Essa é a beleza e a complexidade do futebol.

Categorias: Complexidade · Conhecimento · Crítica · Profissionalização
Etiquetado: , , ,

Lucky

04/05/2009 · Deixe um comentário

Lucky (Jason Mraz & Colbie Caillat)

Categorias: Apita o Árbitro
Etiquetado: