Quer entender sobre um determinado país? Entenda primeiro a estrutura do seu futebol.
O futebol é uma das mais genuínas expressões de um povo.
É o retrato mais fiel de sua cultura, sua política e, por que não dizer, de seus governantes.
Analisando o que acontece dentro e fora das quatro linhas, podemos conhecer e detectar diversas características de uma região, e até mesmo, de um país.
Foram sete os países campeões do mundo até agora, e cada um deles possui características muito particulares no futebol, que denunciam os traços e perfis de seus representantes, de jogadores a gestores, de cidadãos a Chefes de Estado:
PAÍS 1
Futebol técnico, provocativo e muito aguerrido. Possui uma das torcidas mais apaixonadas do mundo e tem representantes de seu futebol nos principais clubes do planeta. Contudo, não é exemplo de organização, mesmo tendo uma das federações mais antigas do mundo. A violência nos estádios e a fraca estrutura dos clubes são constantes negativas em sua história. O pouco avanço na busca de mudanças significativas na gestão do esporte pode estar ligada a baixa renovação no alto comando do futebol: o atual presidente da federação deste país está há 30 anos no cargo.
PAÍS 2
Futebol técnico, criativo e que se aproxima da arte. Há décadas que sua principal marca no exterior é o futebol praticado dentro de campo. Fora dele, acompanha a cultura de um país também campeão, só que em corrupção, onde atos secretos para nomeações e mudanças em leis e estatutos são praticados quando o assunto é manutenção do poder. Estádios inseguros, violência entre torcidas e clubes endividados são fatores do cotidiano da bola. Em função disto, seus clubes tem pouca representatividade internacional e não chegam a estar entre as equipes preferidas de torcedores de mercados como Japão e China, por exemplo. O presidente de sua confederação também está no cargo há mais de 20 anos. Sua torcida é alegre e conformada, pois acredita que no futebol e na política, as coisas são assim mesmo.
PAÍS 3
Futebol elegante, dinâmico e caracterizado pela forte marcação. É um dos principais detentores de títulos mundiais por seleções e possui um dos mais tradicionais campeonatos nacionais de clubes do mundo, atraindo atletas de várias nacionalidades. Mesmo sendo o atual campeão mundial por seleções, se vê numa das maiores crises financeiras e morais de toda a história, com estádios semi-vazios, clubes se desfazendo de seus principais atletas para pagar dívidas e escândalos de suborno. (mais…)
Diariamente, deixamos uma série de pistas de informações pessoais pelo simples fato de vivermos no mundo moderno. Clicamos em páginas da web, zapeamos os canais de TV, passamos por cabines de pedágio automáticas, compramos com cartões de crédito e utilizamos celulares.
Leitura obrigatória para quem deseja entender a vida e os negócios na era do Google.
“…talvez a vantagem de Dunga seja não ter tido tempo e experiência como técnico dentro do nosso bom futebol brasileiro; e só com isso, já apresenta resultados mais satisfatórios do que seus antecessores em vários aspectos.”
Começo a pensar que aquela que era para mim a principal fragilidade do treinador da seleção do Brasil, é na verdade sua principal virtude
Não estou aqui a escrever esse texto para defender esse ou aquele treinador, nem tão pouco para apontar defeitos personificados em um sujeito qualquer que um dia decidiu se tornar treinador de futebol.
Quando aponto falhas no comportamento organizacional de uma equipe, não tenho pretensão alguma de criticar o trabalho do “comandante” da tal equipe, apenas quero discutir como ela joga o jogo.
Hoje, vou então abrir uma exceção, para escrever sobre o treinador da seleção brasileira de futebol, o Dunga.
Confesso ainda achar muito estranho que alguém assuma como primeiro trabalho em sua profissão (em sua carreira), aquele que é tido como o mais importante, difícil e valorizado dentre seus pares.
O fato é que depois de ouvir recentes depoimentos de jogadores brasileiros que jogam ou jogaram na Europa nos últimos anos, começo a pensar que aquela que era para mim a principal fragilidade (defeito, problema!) do treinador da seleção do Brasil, é na verdade sua principal arma (vantagem, qualidade, virtude).
Explico. É muitas vezes assustador assistir nos programas “especializados” em futebol na televisão brasileira as comparações infundadas sobre o futebol praticado na Europa e o praticado no Brasil. Um sem número de argumentos vazios é usado para tentar convencer aos ouvidos menos atentos de que dentro do campo, seja no âmbito da preparação física, técnica ou tática, nós brasileiros somos imbatíveis.
É um velho-novo discurso que, reduzindo o futebol à relações de causa-efeito, simplifica ao bel prazer dos achismos, fatos e teorias que explicam o ponto de vista que se quer defender.
É incontestável que fatores como a preocupação da Uefa com a qualidade da formação dos treinadores em ação no território europeu (da base ao profissional), a proximidade entre as Universidades (Ciência) e a prática em alguns centros, e o grande número de eventos que promovem discussão entre profissionais em diversos países da Europa têm garantido já há algum tempo um grande salto de qualidade no jogar das equipes européias.
“…A tecnologia não está autorizada a entrar em campo oficialmente.”
A Seleção Brasileira venceu ontem a partida contra a Seleção do Egito pela Copa das Confederações por 4 X 3, com um gol de pênalti assinalado aos 47 minutos do segundo tempo.
Nem o árbitro, nem os assistentes viram a infração. A informação chegou pelo quarto árbitro, que havia visto pelo monitor de tv a ‘defesa’ do zagueiro egípcio em cima da linha de gol, utilizando boa parte do braço.
A Fifa ‘não admite’ o uso de tecnologia que interfira no resultado do jogo.
Mas a regra é clara: mão na bola na pequena área, e que não seja a do goleiro, é cal!
Dunga poderia ter sido prejudicado caso o sopro tecnológico não tivesse ocorrido, além de todos os reflexos diretos e indiretos que uma eliminação precoce poderia causar.
A tecnologia faz derrubar aviões do céu e conecta pessoas ao redor do mundo.
Mas não está autorizada a entrar oficialmente em campo.
Justificar os atos cometidos por atletas de 17 anos com a lendária frase, é perder boa parte do crédito que ainda nos resta como País do Futebol.
Quando John e Paul escreveram: “She’s just seventeen, you know what I mean…”, estava deliciosamente implícito o que cada um poderia pensar a respeito.
Eram anos românticos e o melhor do nosso futebol ainda estava por vir.
Mas quando esta mesma frase é utilizada para justificar os atos cometidos por atletas de 17 anos, que utilizaram o futebol como falta de educação, violência e nenhuma cidadania (para não dizer selvageria!), perdemos boa parte do crédito que ainda nos resta como País do Futebol.
O Corinthians foi expulso do mundial Sub-18 realizado na Espanha e está sumariamente suspenso desta competição pelos próximos cinco anos.
O Real Madrid vencia por 4 X 0 quando houve uma briga generalizada provocada por atletas corinthianos que culminou na eliminação e suspensão do clube no torneio oficial da Fifa.
As cenas gravadas pelo canal Teledeporte são lamentáveis e certamente irão correr o mundo todo, divulgando internacionalmente a imagem do Corinthians, porém de um aspecto nada positivo.
No caso de mais pessoas se iludirem com as recentes vitórias nas eliminatórias para a Copa de 2010, seguem algumas constatações do futebol brasileiro, e de maneira bem didática:
O ATLETA
Acha que a educação (escola) é concorrente da sua profissão. Ser jogador de futebol bem sucedido dispensa todo ‘esse trabalho’ de estudar.
Não percebe que ter suas inteligências mais desenvolvidas hoje, pode significar num melhor rendimento dentro de campo… agora.
O DIRIGENTE
Acha que escola pública é sinônimo de ensino. No fundo, também acha que escola pouco combina com futebol.
Discursa sobre formar cidadãos antes de atletas, mas não sabe como ou de que maneira fazer disso uma realidade.
Acha que Assistente Social, Psicólogo e Pedagogo são profissionais que não entram em campo para fazer gol.
A MÍDIA
Vai utilizar este triste episódio da equipe Sub-18 do Corinthians para explorar os buracos da estrutura de formação dos clubes e vender notícia. É pouco.
GOVERNO
Está preocupado em construir hardwares para a Copa de 2014. O software, vem funcionando bem há décadas e não precisa de upgrade.
E para finalizar:
O S.C. Corinthians Paulista deverá punir os jogadores envolvidos na confusão.
Eduardo Conde Tega acredita que o Brasil poderá um dia, enfim, tornar-se um centro de excelência na formação de profissionais do futebol.
Também sonha em ver o Brasil como uma nação de primeiro mundo, onde a educação e a verdadeira cidadania possam ter o valor e destaque que devidamente merecem.
O GEF - Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol foi criado em 2003 motivado pela necessidade de reunir alunos de graduação e pós-graduação interessados no debate sobre futebol numa perspectiva histórica e sociológica na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Em 2004 o grupo foi registrado na base de dados do CNPq.