Caderno de Campo

Entradas do setembro 2009

Universidade do Prazer

22/09/2009 · 2 comentários

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Valorizar mais as baladas – a disseminação da maconha ou as festas – do que as aulas seria uma fase passageira?

de Gilberto Dimenstein

DIANTE da frase “baladas e jogos me motivam mais do que as aulas”, apenas 16,1% dos estudantes das universidades da capital e região metropolitana de São Paulo disseram discordar totalmente. Uma expressiva parcela (52,3%) admitiu que fumou maconha; muitos certamente preferiam não revelar nada. Beijar na boca várias pessoas numa única noite é rotina. O resultado é que muitos enxergam no ensino superior um espaço de prazer, onde se misturam baladas, drogas e sexo.

Estamos falando aqui de 15 universidades, entre as quais USP, PUC, Unifesp, Mackenzie, FGV, FMU, Unip, Anhembi Morumbi -ou seja, locais que produzem a futura elite política, empresarial, cultural e social do país. Valorizar mais as baladas -a disseminação da maconha pelos campi ou as festas universitárias- do que as aulas seria apenas uma fase passageira, típica da liberdade e transgressão juvenis? Em parte sim, claro.

(mais…)

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O Campo de Distorção da Realidade

21/09/2009 · Deixe um comentário

O termo “campo de distorção da realidade” foi criado por Bud Tribble em 1981, na época, um dos figurões da Apple, e descreve a habilidade de Steve Jobs em conseguir convencer as pessoas a acreditarem em qualquer coisa com uma mistura de charme, carisma, performance, exagero e marketing.

Existem pessoas que levam isso bem a sério, já outros (principalmente os fãs da marca) juram que nada seria possível se os produtos da Apple não fossem realmente “incríveis, maravilhosos, práticos, fáceis, bonitos…”

Fico imaginando se o futebol brasileiro não vive um pouco desse ‘campo de distorção da realidade’.

Onde nossos cinco títulos mundiais e a perspectiva de um sexto chegando, acabam por distorcer nosso campo de visão sobre o que é ter o melhor futebol do mundo.

E fica a pergunta: o que é ter o melhor futebol do mundo?

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A Transição para o Futebol Espetáculo do Século XXI

15/09/2009 · Deixe um comentário

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Trechos do Projeto de Mestrado que estão tirando o tempo de dedicação a este Blog ;)

“Vivemos em pleno século XXI e o nosso melhor produto interno bruto – o futebol brasileiro – ainda trata as novas e complexas demandas deste esporte como no século passado.
O ‘Futebol Espetáculo do Século XXI’ no Brasil poderia ser considerado a partir do momento em que houvesse investimentos consistentes – financeiros e intelectuais – na capacitação de seus agentes diretos (atletas, gestores de campo e gestores administrativos), na inovação em tecnologia, na educação, e na pesquisa e desenvolvimento da indústria desse esporte, que é o mais praticado no mundo.

Os atletas de futebol serão privilegiados nas análises, na busca do entendimento e reflexão sobre o papel da educação em sua performance e na utilização do futebol espetáculo como tema gerador de construção social, cidadania, educação e cultura. Será necessário também entender o papel dos gestores, de campo e administrativos, como co-responsáveis diretos desse complexo processo de desenvolvimento e na própria modernização do esporte em nosso país.

Esta é uma tarefa que implica num processo de mudança cultural e que não ocorre espontaneamente. Tais ações trarão uma vantagem competitiva enorme em relação àqueles que ainda entendem que estas questões podem ser resolvidas de forma amadora.

Outra reflexão importante será sobre a estruturação formal das carreiras do futebol e em como proporcionar acesso a esta nova realidade. Como podemos pensar no desenvolvimento sustentado da indústria do futebol em nosso país se não consideramos graduações específicas às carreiras deste esporte, permitindo embasamento teórico-prático, e que vise a compreensão deste complexo sistema do qual o futebol está inserido?

Alguns dos Objetivos Específicos propostos:

• Identificar e analisar o perfil acadêmico e profissional dos agentes que atuam diretamente no futebol: atletas, gestores de campo e gestores administrativos;

• Analisar o papel da educação na performance dos atletas de futebol;

• Analisar e comparar o processo de desenvolvimento de atletas no Brasil e na Europa;

• Analisar e discutir a criação de um currículo formal para o Atleta de Futebol Brasileiro, suas tendências e impactos futuros;

• Analisar a proposta de educação pelo trabalho como metodologia de capacitação profissional no futebol e oportunidade de formalização das carreiras no futebol ao ensino superior;

• Analisar a história, tendências e perspectivas da EAD (Educação a Distância) e tecnologias interativas no Brasil e no Mundo (…)”

A sarna pra se coçar é grande…

Mas o estímulo e vontade em conseguir achar respostas e um melhor rumo ao nosso futebol também.

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Um Livro às Quintas

10/09/2009 · Deixe um comentário

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Do Dom à Profissão, Arlei Sander Damo.

Editora Hucitec, 2007.

Ao contrário do que se imagina seguidamente, para ser jogador profissional de futebol não basta talento. A formação de futebolistas é um processo extremamente competitivo.

Este livro explicita a trama social e simbólica que constitui o poder de sedução da profissão de jogador.

A partir de um detalhado estudo etnográfico, realizado no Brasil e na França, o livro explora as práticas dos agentes e das agências que gravitam no entorno de jovens em vias de converterem o dom em profissão.

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A Torre de Babel

09/09/2009 · Deixe um comentário

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O Esporte e a Educação, infelizmente, não fazem tabelinha em nosso país.

Via Blog do Cruz

Em dezembro do ano que vem termina o governo do Presidente Lula. Em oito anos, o ministro do Esporte, Orlando Silva, viajou Brasil afora. E pelo mundo também. O mesmo ocorreu com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Mas os ministros não conseguiram atravessar o canteiro central da Esplanada dos Ministérios para dialogar sobre um assunto comum às duas pastas, o esporte na escola, como instrumento de apoio à formação educacional dos jovens.

Em duas ocasiões, os ministros foram convidados, pela Câmara e Senado, para debaterem sobre o assunto. Não compareceram.

Namoro e deboche

Quando ministro da Educação, logo no início do governo Lula, o hoje senador Cristovam reuniu-se com o então ministro de Esporte, Agnelo. “Era o começo de um namoro” brincou o senador, há poucos dias, durante encontro com Orlando Silva.

- E no que deu tal namoro? – indagou Cristovam.

“Não passou de um flerte”, resumiu o ministro, com um sorriso algo assim, um deboche.

Realidade

Conto estas passagens para mostrar a realidade do esporte educacional no país, onde temos fartura de instituições, como mostrarei abaixo.

Falta, porém, quem lidere o diálogo para termos um ponto de partida nessa discussão sobre o desporto escolar, tema que envergonha as instituições do governo pela omissáo e falta de iniciativa.

E o que temos, afinal?

a) em nível do Executivo

Ministério do Esporte

Secretaria Nacional do Esporte

Conselho Nacional de Esporte

Fórum Nacional de Gestores e Secretários do Esporte

Conferência Nacional do Esporte (duas edições, em sete anos)

Comissão Nacional de Atletas (desativada)

b) em nível do Legislativo

Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados

Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal

Frente Parlamentar do Esporte

c) Sistema Nacional do Esporte (Lei Pelé)

Comitê Olímpico Brasileiro

Comitê Paraolímpico Brasileiro

Confederações esportivas

Confederação Brasileira de Desporto Universitário

Confederação Brasileira de Desporto Escolar

Comissão Desportiva Militar do Brasil

Federações esportivas (estaduais)

Clubes

Atletas

d) Iniciativas privadas

Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos

Congresso Brasileiro de Clubes

Confederação Brasileira de Clubes

Fórum Nacional de Gerentes e Gestores de Clubes

Fórum Nacional de Profissionais do Esporte de Clubes

É a Torre de Babel do esporte.

     

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Escola de Futebol ou Fábrica de Frustrações?

02/09/2009 · 1 comentário

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“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

(Paulo Freire)

Estatisticamente mais de 99% das crianças e adolescentes que sonham em ser atletas de futebol não conseguem seus objetivos.

Portanto se todos aqueles que participam do processo de aprendizagem desses jovens não estiverem muito bem preparados, correm o risco de transformarem os espaços de ensino do futebol em verdadeiras fábricas de frustração.

Por outro lado, o futebol, se bem orientado, pode ser um poderosíssimo instrumento de educação e de construção da cidadania para 100% desses jovens.

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