Caderno de Campo

Entradas do fevereiro 2010

A Evolução do Ensino da Matemática no Brasil

23/02/2010 · Deixe um comentário

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Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação,datilografia…

Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.

Segue o relato de uma Professora de Matemática:

“Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos

olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.

Está certo?

( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2011 vai ser assim:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, homosexual, portador de necessidades especiais, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00″

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Futebol no Brasil é Paraíso para Lavagem de Dinheiro

22/02/2010 · Deixe um comentário

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“Brasil é paraíso para lavagem de dinheiro, diz Fifa”

Via Estado de S. Paulo

Transferências de jogadores que não existem, clubes fictícios e dinheiro de origem obscura. Em um raio X preocupante, a Fifa admite abertamente pela primeira vez que o futebol no Brasil e em toda América do Sul se transformou em um paraíso para a lavagem de dinheiro. Nas palavras da entidade, o mercado de jogadores vive uma “lei da selva, sem controle”.

Para acabar com esses esquemas fraudulentos, a Fifa dará até outubro para que todos os clubes do mundo passem a registrar compra e venda de atletas em um sistema eletrônico que dá à entidade amplos poderes para monitorar as transações internacionais. No Brasil, escolinhas de futebol, fundos de investimentos e mesmo empresas como a Traffic poderão ter dificuldades para se adaptar.

Pelas estimativas da Fifa, entre 20 mil e 30 mil jogadores saem de seus países por ano em um mercad o avaliado em bilhões de euros. Tudo sem qualquer controle. “O futebol é um dos últimos setores no mundo em que uma movimentação enorme de dinheiro ocorre internacionalmente sem qualquer controle. Agora, decidimos que essa era está chegando a seu fim”, afirmou Mark Goddard, gerente geral do Sistema de Transferência da Fifa, o novo mecanismo eletrônico que promete revolucionar a administração do futebol.

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A Criatividade no Desenvolvimento do nosso Futebol.

05/02/2010 · Deixe um comentário

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“Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo ‘em berço esplêndido’…”

por João Paulo S. Medina

Podemos analisar o trabalho com as categorias de base nos clubes de futebol sob diversos ângulos. Preferi abordá-lo na perspectiva do seu potencial criativo, tentando com isto dar uma contribuição para a reflexão sobre o nível do nosso futebol.

Durante muito tempo a formação de jovens talentos para a prática do futebol em nosso país se deu de forma quase espontânea, germinado nos quintais das casas, ruas, campinhos, praias, entre outros lugares mais inusitados. Com o desenvolvimento urbano e mudanças de hábitos e mesmo de cultura (a cultura rural, por exemplo, foi praticamente substituída pela urbana nas últimas 6 ou 7 décadas), estes locais foram sendo seqüestrados da população ou, quando não, fortemente “disciplinados”.

Hoje em dia é comum, por exemplo, vermos regras rígidas para que o futebol possa ser praticado até em certas praias que tenham grande movimento de pessoas. Aos poucos, a imaginação e a criatividade, que são exercidas nestas circunstâncias de práticas livres e espontâneas, foram sendo substituídas por práticas cada vez mais reguladas, regulamentadas, disciplinadas, por modelos que tentam reproduzir, desde tenra idade (8, 7, 6, 5 anos), o modelo de futebol profissional, adulto e altamente competitivo.

As chamadas “escolinhas de futebol” e o trabalho feito por muitos clubes em suas categorias de base são os exemplos mais bem acabados destas mudanças. Muitas vezes, liderados por profissionais incríveis e surpreendentemente despreparados (às vezes são professores “formados”), nossas crianças e adolescentes são submetidas a verdadeiras torturas motoras, emocionais e psicológicas. Não fosse o alto grau de resistência presente em nossa maravilhosa e rica cultura brasileira, que acaba driblando com ginga e “malandragem” estas limitações impostas, conseguindo colocar alegria e vida em tudo que faz, e já teríamos destruído este aparentemente inesgotável potencial criativo do nosso povo e, e em especial, do nosso futebol.

Bem, mas já imagino o que você leitor pode estar pensando. Afinal de contas somos 5 vezes campeões mundiais e atualmente somos considerados os melhores do mundo e ainda temos grandes talentos jogando no Brasil e fora dele. Portanto a situação não deve ser tão dramática assim…

No meu modo de ver, temos que rapidamente reconhecer que estamos gradativamente perdendo nossa criatividade, este fundamental ingrediente do futebol brasileiro. E isto não quer dizer que não estejam nascendo mais crianças talentosas com este potencial, como antigamente. O que acontece é que aquilo que surgia de forma quase espontânea, às vezes com a ajuda de alguns adultos com alguma dose de bom senso (pais, professores, treinadores), hoje necessita de uma estimulação cada vez mais consciente e mesmo profissional. Se for verdade que a adequada preparação orgânica, motora, técnica, tática, emocional, social etc. é fundamental, não se pode esquecer de, ao mesmo tempo, criar-se um ambiente de liberdade, favorável às expressões de criatividade. Infelizmente o esforço, através dos processos educativos formais, não-formais ou informais, tem sido muito maior no sentido de matá-la do que de desenvolvê-la. Infelizmente…

Torço para que as nossas conquistas nos campos de futebol, que tantos benefícios profissionais podem nos trazer, não nos deixem cegos para as enormes possibilidades que temos de sermos ainda mais brilhantes neste século XXI. Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo “em berço esplêndido”.

Se concordarmos que este potencial já não pode ser desenvolvido de forma tão espontânea como em tempos passados, em virtude de mudanças na nossa maneira de viver, precisamos começar a fazer uma reflexão crítica sobre como melhorarmos este nosso ainda elevado nível de prática futebolística.

Não se constrói um ambiente favorável à criatividade da noite para o dia. Muitas vezes este processo leva anos. Sabemos que existem profissionais competentes com estas preocupações em nossa comunidade do futebol e que estudam seriamente este fenômeno, mas é preciso que esta consciência se amplie e, mais do que isso, que haja políticas (principalmente nos clubes e escolas) incentivando e estimulando a criatividade, este que é, hoje em dia, não só uma matéria prima diferenciada para o futebol, mas para o próprio desenvolvimento humano e social.

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A Chave do Vestiário

01/02/2010 · Deixe um comentário

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O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

A maioria dos presidentes de clubes de futebol, ao contratar seus treinadores, solenemente, entrega a ‘chave do vestiário’ ao novo orientador tático da equipe.

Funciona mais ou menos assim: o presidente chega para o seu novo contratado e diz nas entrelinhas:

“Vai lá.. e joga. Se você ganhar, continua. Se perder, eu serei obrigado a trazer outro melhor.”

E o ciclo se repete na próxima contratação…e na próxima, até que a equipe esteja alinhada cosmicamente e consiga os resultados.

Mais tarde, assim que novas derrotas se apresentem, o ciclo volta a se repetir.

Não se contrata treinadores pensando exclusivamente em salário. Contrata-se pensando em processos.

Ou seja, busca-se um nome que tenha o perfil desejado e que esteja alinhado com o que a instituição pretende desenvolver no curto, médio e longo prazos.

Um treinador que acredite nas mesmas coisas que o presidente acredita. E vice-versa.

E como um clube pode encontrar o treinador certo?

Da mesma maneira que as grandes corporações que procuram disputar espaços no mercado: minimizando erros na escolha de cargos estratégicos, ao tratar com competência o processo de escolha para a função pretendida.

Entrevistar candidatos com um roteiro bem definido e que revele aspectos importantes do perfil do futuro treinador, já é um primeiro passo.

Ao conhecer melhor o candidato a treinador, pode-se aprofundar e querer discutir questões básicas do dia-a-dia, como política de relacionamento com os diferentes profissionais que lhe darão suporte (fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, profissional de TI etc.) e processos de vestiários, talvez o mais sensível de todos os ambientes dentro de um clube.

Quem faz o quê neste ‘sagrado’ local? Como minimizar egos e integrar sinergicamente os (mesmos) objetivos da comissão técnica, gestores e diretoria?

Quais são as informações que a comissão técnica deve passar à diretoria para que ela ‘compre uma briga’? Seja com um empresário/procurador, outro clube, tv, patrocinador, arbitragem, federação…

Ou problemas de autoridade no vestiário, onde transitam os mais diversos tipos de profissionais e amadores bem intencionados.

Vejam quantas são as dimensões e assuntos vivenciados diariamente neste ambiente e o quanto seria pouco produtivo e/ou inteligente deixá-los apenas a cargo do treinador que recebeu ‘a chave’.

O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

Alinhando os principais processos, fica inócua a discussão de quem manda no vestiário, por exemplo.

E isto não significa em absoluto querer escalar a equipe, ou induzir o treinador a jogar em duas linhas de quatro fora de casa.

Tal fato torna-se tão pequeno perto de todo um processo de trabalho, que nenhum presidente-de-verdade gostaria de se meter.

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