
“Para entender a alma do brasileiro é preciso surpreendê-lo no instante de um gol.”
Armando Nogueira (1927-2010)

“Para entender a alma do brasileiro é preciso surpreendê-lo no instante de um gol.”
Armando Nogueira (1927-2010)
Categorias: Profissionalização
Etiquetado: Frase
Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação?
via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz
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Uma questão que eu acho que merece uma discussão detalhada para a melhor compreensão possível sobre o comportamento da indústria do futebol brasileiro é a influência que o ego possui nas ações dos tomadores de decisão envolvidos com o jogo. Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação? Até que ponto essa necessidade de se auto confortar influencia o rumo das suas ações?
Eu venho batendo na tecla de que o futebol gera mais exposição do que dinheiro há muito tempo. Assumindo que isso seja verdade, é natural imaginar que boa parte das pessoas que se envolvem com o futebol buscam mais exposição do que dinheiro. Isso explica, por exemplo, o grande envolvimento de diretores não remunerados com os clubes. O cara larga o trabalho, a casa e a família para se dedicar ao clube. Muita gente vê nisso, não sem subsídios, uma ação de picaretagem. Afinal, se o cara se dedica tanto assim, o cara deve levar uma boa grana por fora. Por vezes, isso é verdade. Mas a impressão que eu tenho é que na maioria das vezes isso se dá por uma questão de auto-estima.
Pessoas que se envolvem com o futebol rapidamente alcançam um status de importância não necessariamente relacionada ao seu currículo pessoal. Isso acontece, por exemplo, com um cara qualquer que de repente vira presidente do clube de futebol. Do dia pra noite, o cara larga o anonimato e se torna uma figura pública. Alguns não gostam disso. A maioria acaba se embebedando. E não larga o osso. Pior, acha que a exaltação é pessoal, e não institucional. Acha que a bajulação se dá pela figura individual, e não pelo fato de ser presidente de uma organização muitas vezes histórica e influente. Aí começa a confundir as coisas. Faz uma conta no Twitter e vai pro abraço. Tenta ser maior que o clube. Logicamente, não é. E tudo, hora ou outra, acaba se esfacelando.
Mas não é só o presidente. Talvez pior sejam os diretores. Afinal, presidente é presidente. Justo que seja minimamente egocêntrico. Diretor, porém, é outra história. O cara é eleito, nunca foi nada, e de repente acha que é o ó do borogodó, que eu não sei se está relacionado apenas à última vogal ou ao fato de ocupar 50% de uma palavra oito letras. Enfim, o cara sobe nas tamancas e, por ter feito parte de uma chapa – uma vez que na maioria dos clubes os diretores não são eleitos individualmente, mas sim fazem parte de um grupo encabeçado pelo presidente – acha que tem certeza daquilo que está fazendo. Afinal o cara é diretor. E diretor é da diretoria. E diretoria é vip. É nata. É elite. É qualquer outro adjetivo que indique superioridade. Tipo a última bolacha do pacote, ainda que eu ache que não seja muito apropriado uma vez que a última bolacha está sempre quebrada e sai junto com um monte de farelo. Ainda assim, ele vai lá, acha que sabe, faz o que quer e dificilmente alguém vai reclamar, uma vez que isso pode gerar um problema político.
Normalmente, portanto, há forte influência do ego no processo cognitivo dos principais tomadores de decisão do futebol.
O problema é que o esquema não para aí. Afinal, não é só dentro do clube que o ego impera. Fora dele pode ser pior ainda, principalmente na imprensa. Muito jornalista que trabalha com futebol ganha muito pouco. Muito comentarista que comenta futebol não ganha nada. Ainda assim, o cara não larga o osso por duas razões: a) porque ele gosta do que está fazendo e é feliz, o que é muito justo; e b) porque ele aparece na televisão e assim ele se torna uma pessoa conhecida e respeitada, o que até pode ser justo também, mas pode carregar um lado nefasto.
Ao aparecer todo dia e ser reconhecido na rua, um jornalista pode eventualmente achar que automaticamente sabe tudo sobre aquilo que ele está falando, e não se preocupa em aprofundar muito a sua opinião. Seu ego influencia na não necessidade do aprimoramento profissional. Muitas vezes, essa opinião é crítica em relação às decisões tomadas pelo clube, que por sua vez também são geradas pela necessidade de auto-estima. Aí, quando um ego bate outro ego, a coisa se complica. E o rumo das decisões começa a tomar a direção do caos.
Se você é psicólogo, você deve ter percebido que eu não sei muito bem sobre o que eu estou falando. Por isso que eu mencionei a necessidade do assunto ser mais bem pesquisado. O entendimento mais profundo dessa questão me parece ser bastante importante para o desenvolvimento mais apropriado da indústria.
E, se eu estou falando, pode ir com fé.
Acredite.
Não seje burro.
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Futebol também é teatro!
Uma engraçada compilação de simulações ridículas nos gramados pelo mundo.
“Quanto maior é a dúvida, maior é o despertar.”
(Albert Einstein)
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Fenômeno que reflete a própria vida, visto de maneira espontânea, como manifestação cultural, artística e social.
Como nasce e como prolifera, em qualquer espaço, com um sorriso no rosto e uma bola nos pés.
Já pensou se lembrassem que a educação faz parte deste contexto?
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“O futebol é muito mais emocional, espiritual e psicológico do que técnico, físico e tático.”
(Deva Pascowitch, santista e narrador da rádio CBN, após o resultado de Santos 3 X 4 Palmeiras, no último domingo.)
Games em Educação – como os nativos digitais aprendem, João Mattar
Editora Pearson, 2008.
“Introdução
5ª Série (6º Ano).
Fase 1
Aula de História. A professora fala sobre a Mesopotâmia. Escreve na lousa, com giz. Apaga com o apagador. O aluno ouve.
Em casa, o aluno estuda sozinho. No livro didático, ele lê sobre os rios Tigres e Eufrates, sobre a estrutura da sociedade mesopotâmica, sobre sua arquitetura, sobre sua religião, sobre o Código de Hamurábi.
Prova individual e sem consulta. Onde se localizava a Mesopotâmia? Quais as características da civilização mesopotâmica? O que significa zigurate?
Fase 2
Jogando Age of Empires. O jogador divide o controle da Babilônia com um colega e precisa utilizar estratégia e diplomacia para passar pelas idades da Pedra, do Bronze e do Ferro, enfrentando outras civilizações, controladas por outros jogadores.
Os jogadores precisam conseguir comida, madeira, ouro e pedra, dentre outros recursos e administrar cidades, casas, locais de armazenamento, templos etc.
É assim que a educação dos nossos jovens está hoje brutalmente segmentada: na escola, o ensino de um conteúdo descontextualizado que o aluno tem de decorar, passiva e individualmente.
Nos games, o aprendizado em simulações que o próprio jogador ajuda a construir, ativa e colaborativamente.”
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“São três as características para se tornar um grande treinador: ser líder, saber ler o jogo e saber comunicar para motivar.”
(Manuel Sérgio, filósofo portugês)
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“Na parte administrativa do futebol, o que impera é o conhecimento ordinário; não raro, por conta disso, o conhecimento científico é deixado de lado…”
Via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz
Existem grandes chances de eu ser levemente problemático.
Afinal de contas, uma das poucas coisas que me lembro dos quatro anos que passei na faculdade é de uma aula de teoria do conhecimento, epistemologia para os nerds, que discutia as diferenças entre conhecimento científico e conhecimento ordinário.
A diferença, e posso estar completamente errado sobre isso, é, basicamente, que o conhecimento científico tem justificativa experimental e metodológica, e o conhecimento ordinário é gerado pela experiência pessoal, sem um padrão definido de observação. Consequentemente, o conhecimento ordinário tende a ser mais leviano e sujeito a falhas.
Na parte esportiva do futebol, quem reina é o conhecimento científico. Comissões técnicas bem estruturadas dão números a diversas variáveis que influenciam na performance de cada jogador, seja por medições de aspectos físicos, seja com estatísticas relacionadas ao jogo. A ciência tem, pelo menos nos clubes mais bem estruturados, um peso muito grande no departamento de futebol. Não é porque um cara acompanha futebol há trinta anos que ele terá razão suficiente, por exemplo, para definir um programa de treinamento de atletas. Para isso, é de fundamental importância a adoção de critérios científicos que existam ou estejam em desenvolvimento pelo mundo afora.
Na parte administrativa do futebol, entretanto, o esquema muda completamente. O que impera é o conhecimento ordinário, gerado por pessoas que fazem parte do sistema há anos ou que observam esse sistema desde muito tempo atrás. Em geral, não há e não se pede por ciência. Muito pelo contrário. Não é raro que um determinado conhecimento científico seja deixado de lado em função do conhecimento ordinário.
Um exemplo disso é o programa de sócios de um clube de futebol. A lógica mais evidente e simples sugere que quanto mais sócios um clube de futebol tiver, mais receita ele será capaz de gerar. Conhecimento ordinário, originado de observações sem cunho metodológico e sem padrão de mensuração, que move o direcionamento de diversas administrações de clubes de futebol pelo país. Um faz porque o outro faz, porque acha que dá certo e fica anunciando pra todo mundo.
O conhecimento científico, ainda que bastante carente de maiores aprofundamentos, sugere que a importância do sócio não é tão grande assim, uma vez que os efeitos de um programa com elevado número de participantes podem gerar significativos distúrbios administrativos e privar o clube de importantes canais de receita, principalmente no longo prazo.
Mas se alguém for defender isso junto para maioria dos tomadores de decisão nos clubes de futebol, será motivo de chacota. Afinal, é o conhecimento popular que prevalece sobre o científico. E ai de quem reclamar. Na melhor das hipóteses, será ignorado. Na pior, será taxado como levemente problemático. Corre até o risco de ser chamado de ordinário.
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