A Evolução das Comissões Técnicas no Futebol


“O técnico tem de estar livre para ficar focado 24 horas por dia na parte técnica e tática.”

A estrutura de poder do futebol atual ainda sobrecarrega o técnico, o ser ‘todo poderoso’ que, na cabeça do dirigente, da imprensa e do torcedor, tudo pode. E de quem é toda a culpa em caso de fracasso.

Não é uma coisa nem outra.

É um profissional fragilizado e que não pode ser responsabilizado sozinho – nem pelo sucesso nem pelo fracasso. Um sistema massacrante, já que é impossível que o treinador domine todas as disciplinas necessárias para o sucesso do seu trabalho.

Em 2000 e 2001, o prof. João Paulo Medina implantou no Internacional de Porto Alegre um projeto moderno, que transformou o clube e deu frutos.

Mas ainda não chegou ao limiar da comissão técnica do futuro que propõe. Uma comissão técnica onde o treinador seria substituído pela figura do ‘orientador tático’. Ele explica:

“Nos anos 50, sobressaía a figura do técnico centralizador, quase sempre um ex-jogador que acumulava até a função de preparador físico. Na década seguinte, o futebol sofreu a primeira modificação, com a introdução da preparação física, do médico acompanhando os atletas. Nos anos 70, surgiu a figura do assistente-técnico, do preparador de goleiros e foram agregados à comissão técnica dos clubes e seleções profissionais de áreas como Nutrição, Psicologia, etc. “

Esta comissão técnica multidisciplinar, no entendimento de Medina, foi um passo importante, mas gerou um problema que, hoje, é mal crônico nos clubes: a crise de liderança.

“A necessidade de compor uma comissão técnica com profissionais de diferentes áreas, se por um lado aliviou o trabalho do técnico, por outro acabou criando áreas de atrito. Na comissão técnica do futuro, cresce a importância da figura do coordenador técnico, o agente facilitador para o trabalho do técnico”, explica Medina.

Quando trabalhou com Parreira em 2001, no Internacional, Medina acumulou experiência prática suficiente para saber que este é o caminho. “A função do coordenador não é dar ordens ao técnico, que é o homem que, entre outras responsabilidades, detém a liderança e a confiança do time. Sua função é a de facilitar e fazer funcionar, na forma e no conteúdo, cada aspecto do trabalho técnico de modo integrado. Em síntese, ser o agente facilitador da busca do melhor rendimento do time. O técnico tem de estar livre para ficar focado 24 horas por dia na parte técnica e tática.”

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