Pra que Diploma no Futebol?


Picture 1.png

“Permanecer por alguns anos observando o dia-a-dia de um engenheiro civil seria suficiente para qualquer pessoa aventurar-se a erguer um edifício?”

Dia desses escutava um programa de rádio esportivo, onde o apresentador principal fazia comentários que imediatamente me chamaram a atenção.

Dizia ele, que para comandar uma equipe de futebol, pouco importavam diplomas ou certificados de conhecimentos técnicos ou específicos. O importante mesmo era ter estado ali.. dentro de campo.. onde a experiência prática da bola era mais que o suficiente.

“No futebol é assim: não se pode inventar moda…” – continuava o sábio.

O diploma era literalmente um metafórico pedaço de papel, representando os conhecimentos e saberes teóricos e que, sem defensor algum, estava perdendo de goleada no covarde embate do apresentador.

Até que, ao final de toda a sua razão, o apresentador chamou ao microfone seu filho, um repórter novato que anunciava os resultados dos jogos naquela noite. Repleto de orgulho, dizia que o guri findaria em dezembro o último ano da faculdade de comunicação. E com o canudo na mão – continuava orgulhoso – estaria apto para assumir um lugar em definitivo na equipe da rádio.

Fui dormir. Já era tarde e os pensamentos me seriam companheiros por um bom tempo naquela noite.

No fundo, esta história pouco representa os embates entre teóricos e práticos, pensadores e pragmáticos, cientistas e céticos…

O que está presente aqui e no futebol brasileiro de maneira geral é a chancela de esporte mais conservador e burocrático aos olhos de muitos.

Que esta (falta de) visão possa nos fazer despertar para um crescimento mais humano, amplo e sustentado, capaz de educar, evoluir e ensinar ao restante do mundo. E quem sabe, seja também capaz de manter nossa hegemonia pelas próximas Copas.

Da série “Jornalismo: aprenda fazendo” e “Diploma pra quê?”

Anúncios