Futebol no Brasil é Paraíso para Lavagem de Dinheiro


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“Brasil é paraíso para lavagem de dinheiro, diz Fifa”

Via Estado de S. Paulo

Transferências de jogadores que não existem, clubes fictícios e dinheiro de origem obscura. Em um raio X preocupante, a Fifa admite abertamente pela primeira vez que o futebol no Brasil e em toda América do Sul se transformou em um paraíso para a lavagem de dinheiro. Nas palavras da entidade, o mercado de jogadores vive uma “lei da selva, sem controle”.

Para acabar com esses esquemas fraudulentos, a Fifa dará até outubro para que todos os clubes do mundo passem a registrar compra e venda de atletas em um sistema eletrônico que dá à entidade amplos poderes para monitorar as transações internacionais. No Brasil, escolinhas de futebol, fundos de investimentos e mesmo empresas como a Traffic poderão ter dificuldades para se adaptar.

Pelas estimativas da Fifa, entre 20 mil e 30 mil jogadores saem de seus países por ano em um mercad o avaliado em bilhões de euros. Tudo sem qualquer controle. “O futebol é um dos últimos setores no mundo em que uma movimentação enorme de dinheiro ocorre internacionalmente sem qualquer controle. Agora, decidimos que essa era está chegando a seu fim”, afirmou Mark Goddard, gerente geral do Sistema de Transferência da Fifa, o novo mecanismo eletrônico que promete revolucionar a administração do futebol.

Há poucos meses, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) comprovou que o futebol se transformou em plataforma privilegiada para lavagem de dinheiro.

Nem a Fifa nem a OCDE dão detalhes do que descobriram na América do Sul. “O que existe é uma selva e essa é a lei que impera. Não há controle, são transferências internacionais e privadas, portanto, fora do alcance dos governos. Decidimos que cabe à Fifa realizar esse monitoramento”, disse, indicando casos de transferência de jogadores que simplesmente n ão existiam e que os contratos serviam apenas para justificar a lavagem de dinheiro.

Pela nova lei da Fifa, apenas clubes podem vender e comprar atletas. Intermediários e fundos como a MSI, e mesmo empresas como a Traffic, simplesmente não terão mais lugar na nova arquitetura que está sendo desenvolvida há dois anos. A entidade sabe que o sistema não impedirá acordos nos bastidores entre clubes e empresários. Mas indica que o sistema é pelo menos um início da tentativa de colocar ordem em um dos negócios mais lucrativos do mundo.

O Estado apurou que, no Brasil, 38 clubes já adotaram o sistema, depois de passar por treinamento. Mas a meta da Fifa até outubro é de que 400 times adotem o sistema de transferência. Isso porque muitas das transferências de brasileiros ao exterior sequer passam pelos grandes clubes.

Na prática, o fax entre federações e clubes desaparece com o novo sistema. Todos os dados terão de ser submetidos a um sistema que será checado pela Fifa. Clubes ainda terão de informar qual é o valor da venda, em que conta e em que país depositaram o dinheiro.

“Algumas federações na América do Sul levantaram questões sobre como aplicar o sistema. Mas nosso discurso foi claro: se o futebol quer ser transparente, não há motivo moral para ser contra o sistema. O que percebemos é que há a conscientização de que o modelo de negócios de muitos clubes terá de ser mudado e os clubes sabem disso”, explicou Goddard.

No Brasil, a Fifa admite que um dos problemas poderia ser a Traffic, que não teria como comprar e vender jogadores pelo novo sistema. “Só clubes podem negociar”, alertou Goddard.

Outra constatação é a de que casos como a transferência de Carlos Tevez, entre a MSI e o Corinthians, teriam de ser esclarecidos se ocorressem hoje. Em 2005, o caso gerou polêmica, principalmente diante do contrato que estipulava que o jogador era d e propriedade do empresário iraniano Kia Joorabachian.

Em todo o mundo, 2,1 mil clubes já estão trabalhando com o sistema em 144 países. Mas a meta é de chegar a 4 mil clubes até outubro. Outra novidade é um maior controle sobre a venda de menores. Pelo sistema, a Fifa poderá verificar a existência de um contrato e autorizar ou não a transferência de um jogador de menos de 18 anos.

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