Futebol Brasileiro: Fechado para Balanço

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Diagnóstico do Futebol Brasileiro

por Eduardo Conde Tega, CEO da Universidade do Futebol.

Como reflexo natural do fracasso do futebol brasileiro na Copa do Mundo, a sociedade passou a refletir em diversos níveis sobre assuntos que comumente não eram aprofundados em tempos de fartura: calendário, qualidade do jogo, fairplay financeiro, dívida dos clubes, governança, violência, público nos estádios, formação de atletas e outros temas fundamentais na compreensão mais ampliada sobre o quão inóspito e desestimulante se tornou o ambiente para quem pratica e participa do futebol de alguma maneira.

Muitas das saídas encontradas para este cenário, que ainda não se estagnou e que deve piorar, são soluções paliativas e que tratam de forma muito individualizada os reflexos desta inércia. Geralmente, nem mesmo o melhor gestor, a sorte, recursos, competência e vontade de fazer direito acabam sendo suficientes para que o clube encontre uma solução no seu crescimento sustentado, através da busca equilibrada de receitas, por exemplo.

Em que ambiente são tomadas decisões impactantes sem conhecer mais profundamente suas causas?

O futebol deveria ter fechado para balanço e diagnosticado em todas as suas dimensões de atuação, de forma profunda e responsável, desde a derrota para a Holanda por 3 a zero, no dia 12 de julho de 2014.

Durante este ano, teríamos compreendido nossas fragilidades e potencialidades, com os diferentes e relevantes agentes que participam deste mesmo ambiente ruim e pouco atrativo onde o futebol é praticado.

Saberíamos, por exemplo, que as categorias de base foi um dos setores que mais avançou nos últimos dez anos, com profissionais preparados, que buscam equilibrar a prática com o conhecimento científico, mas quase sempre estão reféns de um dirigente amador sem fundamentação técnica nas decisões mais estratégicas.

Ficaríamos intrigados com a transformação do perfil do nosso jogador, que há décadas se desenvolvia de uma forma natural e espontânea nos campinhos e nas ruas, e que passou a ser “desenvolvido” numa prática mais sistematizada, regulada e mecanizada nas Escolinhas, tornando o ensino do futebol de hoje em dia muito diferente da forma como o aprendíamos antigamente.

Entenderíamos que o Brasil é ainda um dos poucos países do mundo que não exige qualificação ou certificação profissional para quem atua como técnico de futebol, revelando o descaso de décadas na formação adequada de seus profissionais.

Perceberíamos que o método de formação de atletas ainda é tratado pela maioria de forma fragmentada e autoritária, supervalorizando os aspectos técnicos e provocando ações mecânicas pouco criativas e comportamentos estereotipados, produzindo uma leitura insuficiente do jogo.

Perguntaríamos a quem poderia interessar a lógica deste calendário irracional e improdutivo, que durante a maior parte da temporada mantém milhares de profissionais desempregados e centenas de clubes do interior inativos, dificultando o vínculo com seu torcedor, que passa mais da metade do ano sem assistir seu time de coração jogar.

Acordaríamos para a realidade de que a camisa infantil mais vendida em nosso país é a do F.C. Barcelona, de Messi e cia.

Questionaríamos a origem associativa dos clubes, que em seus estatutos não possui fins lucrativos, mas que, na prática, movimentam cifras milionárias e com pouca transparência na negociação dos atletas.

Reforçaríamos o entendimento sobre o papel desregulado e desproporcional entre agentes, empresários e clubes formadores.

Lamentaríamos a relação entre o grande fluxo de exportação de jovens atletas e a importação das grandes Ligas Europeias na forma de pay-per-view.

Ficaríamos preocupados ao saber que em recentes pesquisas sobre o comportamento do torcedor brasileiro, o índice de pessoas que declararam não torcer para time algum, inclusive para a Seleção Brasileira, aumentou em 25% nos últimos quatro anos.

E, finalmente, duvidaríamos se estamos realmente no século XXI, o de democracia e redes sociais, ao entender que as entidades organizadoras de competições (federações e confederação) são praticamente feudos do século XIII, que concentram a riqueza do futebol brasileiro e definem seu rumo de acordo com os seus respectivos interesses privados.

O maior vexame do futebol brasileiro faz seu primeiro aniversário e, lamentavelmente, continuamos sem um norte, sem um plano de desenvolvimento para o nosso futebol.

Até quando este enfermo futebol brasileiro, paciente da UTI há anos, vai aguentar permanecer nas mãos dos especialistas de sempre?

Vamos continuar dependendo de um eventual fracasso ou sucesso da Seleção Brasileira para reverem suas prescrições?

Parabéns a vocês!

UNICEF, Universidade do Futebol e Fundação Barcelona lançam projeto Educar pelo Futebol

O coordenador técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Carlos Alberto Parreira, nomeado Campeão do UNICEF pelo Esporte Seguro e Inclusivo, é o padrinho do programa.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Universidade do Futebol lançaram na manhã desta quinta-feira, dia 22 de maio, o programa Educar pelo Futebol – Meu time é nota 10, com o apoio da Fundação FC Barcelona, CBF Cursos e Federação Nacional dos Treinadores. A iniciativa é um programa de capacitação online para treinadores e gestores de clubes de futebol, treinadores em escolinhas de futebol, agentes sociais e comunitários e professores da rede escolar. A ideia é prepará-los para ministrar aulas de futebol com fins educativos, com foco na melhoria da qualidade de vida das crianças e dos adolescentes.

Além dos fundamentos da modalidade (técnica, tática, inteligência coletiva de jogo, etc.), o conteúdo do programa aborda temas como direito ao esporte seguro e inclusivo, trabalho em equipe, solidariedade, liderança, autonomia, senso crítico e respeito aos companheiros e adversários, entre outros. A capacitação é gratuita e tem a duração de três meses. O programa tem como padrinho o coordenador técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Carlos Alberto Parreira, que na ocasião foi nomeado Campeão do UNICEF pelo Esporte Seguro e Inclusivo.

Ao final do curso, os participantes receberão certificado do UNICEF, Universidade do Futebol e Fundação Barcelona. “Espera-se que os formados possam levar todo o conhecimento adquirido no curso para dentro dos seus clubes, e consigam promover uma mudança de cultura, diminuindo dessa forma os riscos a que crianças e adolescentes podem estar expostos dentro dos clubes”, explica o chefe da área do Esporte do UNICEF no Brasil, Rodrigo Fonseca.

Rodrigo destaca que o UNICEF vêm trabalhando com diversos parceiros para promover o direito ao esporte seguro e inclusivo de cada criança e cada adolescente. Ele cita como exemplos desse trabalho a criação da Rede de Adolescentes e Jovens pelo Direito ao Esporte Seguro e Inclusivo (Rejupe), as parcerias firmadas com o Flamengo em 2011 e mais recentemente com o Santos Futebol Clube, e agora este projeto com a Universidade do Futebol, com o apoio da Fundação FC Barcelona.

Para o diretor da Universidade do Futebol, Eduardo Tega, o futebol tem potencial para produzir muito mais do que craques e títulos mundiais. “Há milhões de praticantes de futebol, mas apenas uma a cada 3 mil crianças atinge o esporte de alto rendimento, gerando muito mais frustrações do que talentos. Por isso, aqueles que ensinam futebol não podem só valorizar o rendimento, deixando de lado valores fundamentais para a formação e desenvolvimento humanos”.

Sobre a Universidade do Futebol – A Universidade do Futebol tornou-se líder no Brasil no processo de incentivo e estímulo ao estudo e pesquisa do futebol em todas as suas dimensões, contribuindo para o seu desenvolvimento. É uma instituição brasileira de ensino e disseminação do conhecimento do futebol fundada em 2003 e que hoje conta com o reconhecimento de toda a comunidade que estuda o futebol. Tem como missão ser referência brasileira e mundial no ensino e práticas de qualificação profissional no futebol, da dimensão socioeducacional ao alto rendimento. Mais informações: http://www.universidadedofutebol.com.br

Sobre o UNICEF – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) é uma agência da ONU que tem como mandato assegurar que cada criança e cada adolescente tenham seus direitos integralmente cumpridos, respeitados e protegidos. Com presença em 190 países, é referência mundial em conhecimento e ações de desenvolvimento relacionados à infância e adolescência, credibilidade construída a partir do desenvolvimento e intercâmbio de boas práticas.

Apresentação das Propostas do Bom Senso F.C.

BSFC

Dia importante para o futebol brasileiro: evento de apresentação das propostas do Bom Senso (Jogo Limpo Financeiro e Calendário), no último dia 17 de março. Na foto: Rafael Silva, Juan, Alex, Rogério Ceni, Chatô e este que vos escreve.

Texto do Paulo André, divulgado através de um vídeo, na abertura do evento:

“É um prazer estar aqui com vocês. É claro eu gostaria de estar fisicamente presente para poder cumprimenta-los e participar das discussões sobre melhorias para o nosso futebol mas perdi o voo e não conseguirei chegar a tempo. rs. Não tenho dúvida de que o dia de hoje ficará marcado e será fundamental para sacramentar as boas intenções do Bom Senso para com o futebol brasileiro.

 Quando eu liguei para o Alex a primeira vez, em meados de setembro do ano passado, chegamos a uma conclusão em menos de um minuto. O futebol praticado no Brasil está ruim. Devo lembrá-los que naquele momento estávamos jogando às quartas e aos domingos há mais de 10 semanas consecutivas. Estávamos fisicamente cansados, mentalmente sobrecarregados… Mas aquela conversa tratava de algo bem mais importante.

O que mais me chamou a atenção naquela conversa foi ver a paixão com que o Alex falava sobre o futebol brasileiro. Paulo, ele dizia, o potencial é gigantesco mas extremamente mal explorado. Precisamos fazer alguma coisa. E assim começou essa ideia de ligar para os principais jogadores do país e pedir a participação deles neste processo de discussão de melhorias para o futebol brasileiro. Como vocês bem sabem, de lá para cá, muita coisa aconteceu…

Cruzamos os braços, sentamos no chão e esperamos uma resposta da CBF e das Federações que até agora não aconteceu. Reunimos mais de 1000 atletas para reivindicar melhorias, não só para a categoria, mas principalmente, para salvar o nosso querido futebol.

Eu particularmente já cansei de explicar que o Bom Senso não tem papel de Sindicato de Atletas. O Bom Senso é um movimento PRÓ FUTEBOL. Ele está muito mais próximo de ser uma “entidade sombra” da CBF, que é quem deveria fazer esse papel de proteger e desenvolver o patrimônio público que é o futebol brasileiro, do que de ser um sindicato de atletas que busca mais empregos e salários em dia.

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Bom Senso F.C.

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“É preciso pensar o futebol de forma sistêmica. Não se pode acreditar que todos os problemas serão resolvidos só com a mudança de calendário.”

‘O Bom Senso F.C., movimento que surgiu prioritariamente com o objetivo de reunir atletas e demais profissionais do futebol que compartilham a preocupação com o atual cenário futebolístico brasileiro e seu futuro, decidiu ser uma voz única para propor, sugerir e promover melhorias que potencializem a qualidade do espetáculo, a gestão profissional, a saúde física dos atletas e a estabilidade financeira de centenas de clubes e milhares de jogadores.

Os cinco pontos citados neste documento visam auxiliar, de forma propositiva, as entidades que regem o futebol no Brasil, fornecendo ideias, dados e experiência prática de quem está no “front de batalha”. Encontrar um equilíbrio na quantidade de jogos que preserve, ao mais alto grau possível, a integridade física dos atletas e permita que, com pré-temporadas racionais, treinamentos adequados, período de férias suficiente, entre outros cuidados, os atletas possam jogar na plenitude de suas potencialidades ou possibilidades é tarefa de todos os envolvidos e interessados em promover o futebol brasileiro, especialmente da CBF.

Buscar condições efetivas para que os clubes, principalmente os de médio e pequeno portes, possam jogar durante toda a temporada, permitindo que os jogadores consigam exercer a sua profissão de forma digna e, ao mesmo tempo, atraente ao público, para que, estrategicamente, se sustente a base que fornece jogadores para o mais alto escalão de rendimento é tarefa de todos os envolvidos e interessados em promover o futebol brasileiro, especialmente a CBF.

A criação do fair play financeiro é uma forma de proteger o futebol como patrimônio nacional e garantir sua sustentabilidade a longo prazo, assim como implantar a participação de atletas, treinadores e executivos no Conselho Técnico da CBF também é tarefa de todos os envolvidos e interessados em promover o futebol brasileiro, especialmente da CBF. Respeitar e buscar estes aspectos é ter bom senso e, sem dúvida, ajudará os campeonatos à encontrem um equilíbrio saudável para os profissionais, para os clubes, para os patrocinadores e para os torcedores.’

Bom Senso FC

Além de fazer parte deste momento importante do futebol brasileiro, sem dúvida alguma é muito gratificante poder compartilhar ideias, propostas e conhecimento com profissionais do nosso esporte, em especial, com os atletas ligados ao Bom Senso F.C., que em plena atividade por seus clubes, dedicam um tempo sincero na reflexão de um futuro melhor para o nosso futebol, com coragem e inteligência.

Infográfico do Bom Senso FC

                                                                                                                                                                                           Fonte: Folha

Para baixar o documento completo do Dossiê do Movimento Bom Senso F.C., clique no link abaixo:

DOSSIÊ VERSÃO FINAL

Um Livro às Quintas

n_meros_do_jogo_abre“É inacreditável o quanto você não sabe do jogo que tem jogado a vida toda.” (parafraseando Michael Lewis, autor de Moneyball, o homem que mudou o jogo)

Segue um dos meus trechos preferidos dos autores Chris Anderson e David Sally:

“Ficou para trás o tempo em que se confiava puramente no instinto, no palpite e na tradição para saber o que era bom e mau futebol. Em vez disso, agora podemos recorrer a provas objetivas. O uso de informações objetivas está mexendo com o equilíbrio do jogo bonito. O futebol não é mais comandado por uma mistura de autoridade, costume e adivinhação, e está entrando em uma fase nova, mais meritocrática.

Isso é uma ameaça para os poderosos tradicionais do esporte, porque indica que eles deixaram de ver alguma coisa, durante todo esse tempo.

Nesse sentido, o futebol é um pouco de religião: sempre houve a percepção de que, para se tornar um especialista, era preciso ter nascido no lugar certo e ter sido iniciado nos rituais desde a mais tenra idade. O futebol tem credos, dogmas, a comunhão com os coirmãos, confissões, códigos de vestimenta, rituais de imersão, cantorias e tudo o mais.

Mas, se os dados permitem que qualquer um se torne um especialista, alguém com uma opinião bem embasada, aqueles que praticam os métodos antigos se tornam menos poderosos, menos especiais, mais sujeitos a questionamento. No limite, eles podem acabar sendo desmentidos; e quanto mais forem desmentidos, menos poder terão.

Se eles são os sacerdotes e os fazedores de papas, nosso papel, como autores de Os números do Jogo, é ensinar a você como ser e como apreciar os iconoclastas e os combatentes da reforma do futebol.”

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Os Números do Jogo também é um relato honesto sobre a menos romântica das situações: o momento em que o futebol parou de ser 100% jogado no campo para ser pré-definido em números. 

Mas como não ser romântico sobre futebol quando o fator humano está presente em cada momento do jogo e insiste em ignorar nossas certezas?

Entender para Transformar – o futuro do futebol brasileiro em jogo.

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O grupo O JOGO, formado por João Paulo Medina, Sandro Orlandelli, Thiago Scuro e este que vos escreve, buscou neste período de reflexões e encontros propostos pelo Futebol do Futuro, responder a estas questões. Embora tenhamos juntado e construido vários elementos para respondê-las, é fundamental, a partir de agora, que estes questionamentos técnicos entrem nas agendas dos responsáveis e dirigentes do futebol brasileiro.

1) Que tipo de jogo os clubes pretendem que suas equipes (principal e categorias de base) joguem no atual cenário do futebol mundial? Já existe esta referência? Como ela é (ou pode ser) construída metodologicamente? Os clubes têm noções claras sobre a importância destas questões estratégicas?

2) Podemos dizer que temos hoje uma “Escola Brasileira de Futebol” que defina modelos de jogo, estilo, padrões táticos? Neste aspecto, em que estágio estamos em relação a, por exemplo, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda?

3) Continuamos produzindo “talentos” (craques) em profusão para o futebol como em décadas passadas? Se não, sabemos por quê? Não haveria um mecanismo de “exclusão” dos verdadeiros talentos (jovens mais habilidosos, mas fracos fisicamente) no atual processo de seleção de atletas na maioria dos clubes do futebol brasileiro, ao se priorizar apenas jogadores que sejam bem dotados fisicamente e mais aptos para ganharem campeonatos e competições nas categorias de base?

4) Os clubes tem clareza sobre como desenvolver seus processos de seleção, captação e desenvolvimento de atletas, sintonizados com as demandas do século XXI e seu processo intenso de globalização?

5) As instituições responsáveis, direta ou indiretamente, pela prática do futebol no Brasil (Confederação, Federações, Clubes, Escolinhas de Futebol, Ministério do Esporte…) tem consciência da importância estratégica de desenvolvermos mecanismos e processos de formação, capacitação e atualização profissionais no futebol (e não apenas para o alto rendimento)? Como são formados hoje os profissionais que atuam no futebol? Este tema está na agenda de nossos dirigentes?

Palestra sobre a Formação do Treinador na Europa

A Formação do Treinador na Europa

Edição da palestra realizada no Footecon 2012 sobre o processo de qualificação profissional para atuação com o futebol na Europa e os desafios ao futebol brasileiro em encarar estrategicamente este cenário.

Episódio da WebSerie ” Especial Footecon” realizada pela Universidade do Futebol.

A Estrutura das Categorias de Base no Futebol Europeu

Números gerais do relatório da ECA (European Club Association), um dos mais completos já produzidos sobre a qualidade do trabalho nas categorias de base em clubes Europeus:

  • em média, cada clube possui 220 atletas nas categorias de formação entre o U12 ao U21;
  • 50% dos clubes gastam menos de 10% do orçamento para as categorias de formação;
  • 75% dos clubes avaliados possuem a mesma estrutura de treinamento entre a equipe principal e equipes de base;
  • 60% dos clubes possuem departamento de serviço social;
  • 66% clubes focam no desenvolvimento individual dos atletas, entretanto as sessões de treinamento são orientadas ao jogo coletivo;
  • 75% dos clubes permitem a presença dos pais nas sessões de treinos.

Feliz 2013 !

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Desejo de um 2013 repleto de saúde e de realizações positivas.

E de boas e saudáveis notícias ao futebol brasileiro, sonhadas para mais este Ano Novo:

  • Grandes marcas e patrocinadores optam por projetos que utilizam o futebol e o esporte como veículo de transformação social ao invés de investirem em atletas e equipes de ponta.
  • Jornalistas esportivos discutem sobre novas tendências nas metodologias de treinamento no futebol e questionam treinadores nas coletivas sobre seus métodos de treino.
  • Federações de futebol dos Estados brasileiros tornam-se pólos de ensino e de desenvolvimento ao esporte para quem atua ou pretende atuar com o futebol.
  • Treinadores consagrados do futebol brasileiro fazem intercâmbio com Universidades e trocam conhecimento com jovens acadêmicos.
  • Liga Universitária Nacional de Futebol é sucesso de crítica e público.
  • Liga Feminina Nacional de Futebol finalmente é uma realidade em todos os Estados do país.
  • Empresários de Jogadores cedem parte dos lucros ao fundo de incentivo à educação e desenvolvimento de atletas;
  • Democratização do conhecimento no futebol é incentivada por dezenas de instituições de ensino e refletem em oportunidades para várias profissões ligadas ao futebol;
  • Ministérios da Educação, do Esporte e do Trabalho alinham com a CBF, Federações, Sindicatos de Treinadores e Conselho Nacional de Educação Física uma política institucional para a regularização definitiva da profissão de treinador e demais gestores de campo.
  • Clubes e Universidades fecham parcerias para aproximar a teoria da prática no futebol brasileiro.
  • Mais uma turma de executivos e presidentes de clubes de futebol conclui especialização em ciências humanas no futebol.
  • Inteligência de Jogo é privilegiada e clubes formadores brasileiros passam a buscar perfis de atletas que não precisam ser necessária e simplesmente altos e fortes.
  • Indicadores sociais, culturais, educacionais, econômicos e esportivos dão salto positivo na última prévia.
  • Escolinhas de Futebol pelo país tornam-se alvos da política institucional do Governo, que visa a organização e orientação pedagógica no ensino do futebol à meninas e meninos.
  • Treinadores finalmente percebem que não basta apenas ter sido jogador de futebol ou mesmo ter frequentado uma Escola de Educação Física para ser um treinador bem sucedido.
  • Calendário nacional do futebol é ajustado aos interesses dos atletas, dos clubes e à cultura do nosso país.
  • CBF e Globo entendem que seus interesses particulares não podem conflitar com os interesses do desenvolvimento do futebol brasileiro.

Amém!

Frase da Semana

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“‎Jogar como o Barcelona não é tão fácil quanto passar por uma vitrine, ver uma roupa bonita, comprar e pronto. O futebol não é assim. No futebol a gente precisa conseguir o tecido, encontrar os botões, levar ao alfaiate, fazer e depois ver se fica igual. Isso demanda muito tempo, muito conhecimento e muita preparação. Eu não sei o que o Scolari vai fazer, mas acho que tentará jogar de acordo com as raízes históricas do futebol do Brasil”.

Oscar Tabárez, um dos principais responsáveis pelo renascimento do futebol uruguaio.

O Conceito de Educação Corporativa no Futebol

de Eduardo Conde Tega e João Paulo S. Medina

Os processos e métodos de trabalho técnico nos clubes de futebol não pertencem à instituição. Sua sistematização e aplicação são quase sempre de exclusiva responsabilidade dos profissionais contratados pelo próprio clube e que fazem a gestão técnica de campo de suas equipes (treinadores, preparadores físicos, treinadores de goleiro etc.).

É bem verdade que não há como se fazer de outra forma, uma vez que os clubes não possuem – via de regra – uma filosofia definida de acordo com a sua identidade e modelo de jogo que pretendem implantar em seu departamento de futebol, quer em sua equipe principal, quer em suas categorias de base.

A ideia de o clube ter sua própria proposta metodológica de treinamento e de trabalho é algo novo entre nós. Porém, mesmo na Europa, onde os clubes historicamente tendem a se profissionalizar com mais rapidez do que no Brasil, ainda não são todos que a possuem. Mesmo assim, estão mais avançados em relação à realidade brasileira. Barcelona, Manchester United, Arsenal, Ajax, Porto e Bayern de Munique são alguns dos clubes que investem na construção desta estrutura metodológica institucional.

Nos clubes brasileiros, a dificuldade para a implantação de um modelo técnico consistente de trabalho aumenta em razão da alta rotatividade das comissões técnicas, principalmente do treinador. Frequentemente, um planejamento ou uma proposta de trabalho de médio ou longo prazo não resiste a alguns poucos resultados negativos seguidos.

Desta forma, não há como fugir de um círculo vicioso. É como se comparássemos o clube a um computador (“hardware”), e a metodologia de seu departamento de futebol ao programa (“software”) que faz o computador funcionar. Cada troca de treinador ou equipe técnica o “computador” fica vazio à espera de uma nova “programação”.

Por isso, tudo indica que a tendência contemporânea é que os clubes comecem a definir a sua filosofia de trabalho, a partir de sua própria identidade futebolística ou modelo de jogo de suas equipes e, assim, possam contratar melhor seus profissionais e formar seus atletas conforme o perfil exigido, para darem conta de seus objetivos.

Dentro deste novo contexto é que surge a necessidade dos clubes criarem seus próprios ambientes de aprendizagem, através do conceito de “Universidade Corporativa” ou “Educação Corporativa”.

Este conceito já vem sendo aplicado há um bom tempo – e com sucesso – no mundo empresarial, mas só recentemente começa a ser pensado para o futebol.

A ideia surgiu, originalmente, na cabeça do genial CEO e líder empresarial Jack Welch, que entre 1981 e 2001 conduziu um processo inovador de gestão, transformando a General Eletric em uma das maiores empresas do mundo.

Ele percebeu, por exemplo, que enviar seus melhores funcionários para universidades em busca de conhecimentos de ponta (pós-graduações, mestrados etc.) para capacitá-los e/ou atualizá-los era um erro estratégico, devido a duas questões básicas. Em primeiro lugar porque os custos de investimento em capacitação de um funcionário, que ficava um bom tempo ausente da empresa, eram muito elevados. E em segundo, mas não menos importante, porque o assédio de outras empresas por profissionais qualificados resultava, muitas vezes, em perder seus melhores talentos após todo o investimento feito neles.

Jack Welch resolveu, então, trazer a capacitação para dentro da companhia, treinando e desenvolvendo seus melhores colaboradores na cultura da própria empresa. Ao invés de levar os funcionários à universidade, trouxe a universidade aos funcionários.

Institucionalizou os processos, melhorou o ‘software’ e alargou os caminhos para o desenvolvimento de melhores gestores. Deu a esta ideia o nome de “Universidade Corporativa”.

Trazendo estas reflexões para o cenário do futebol podemos perguntar: Quantos clubes no Brasil têm uma “Universidade Corporativa” ou aplicam o conceito de “Educação Corporativa”?

E mais: quantos clubes irão trocar seus treinadores e/ou comissões técnicas durante a temporada, jogando fora um “software” e trazendo outro novo, dando assim continuidade a um círculo vicioso que tem atrasado o futebol brasileiro?

O Rei está Nu

Poder

Estamos no início de novos tempos para o nosso futebol. Não sou vidente, mas é claro o sentimento que mudanças estão por acontecer. E intuo que muitas delas, virão para o bem, ou pelo menos, virão para gerar uma maior reflexão crítica do que vem sendo realizado até então, seja na gestão do espetáculo, na gestão dos clubes ou na maneira de tratar o desenvolvimento dos nossos atletas.

Sempre acreditei que faríamos bem mais pelo futebol brasileiro (e através dele) do que foi realizado nas últimas décadas e o que se percebe é que existe muita gente boa espalhada pelo Brasil na gestão de campo, em especial, os que estão envolvidos nas categorias de base, mas reféns, quase sempre, da estrutura e cultura vigente do clube ou de interesses capazes de mudar a lógica da proposta da formação do atleta, ou da gestão esportiva em si.

E o conhecimento, mesmo que seja considerado relevante, inovador e bem-vindo, torna-se igualmente refém da questão mais antiga na cadeia de evolução da raça humana: as relações de poder.

Ou seja, o quanto de poder vou perder com a chegada dessa pessoa, dessa nova ideia, dessa nova proposta ou projeto?

Quantas vezes estivemos na posição do ameaçador ou do ameaçado?

Comunicação e humildade

Tenho entrevistado ou tido contato com vários profissionais, principalmente treinadores em atividade. Nessas oportunidades, acabamos por discutir as metodologias de trabalho que algumas das principais equipes do mundo desenvolvem, bem como suas aplicações práticas e percebo um índice altíssimo de respostas da maioria desses treinadores, afirmando realizar o mesmo tipo de trabalho que as referências discutidas.

Por exemplo, se discutimos sobre Periodização Táticaque é a maneira de organizar os períodos do treino tendo como norte o modelo de jogo da equipe – escuto que fazem exatamente a mesma coisa no seu dia-a-dia (e sei que NÃO o fazem…).

Se conversamos sobre um trabalho focado em princípios de ataque ou de defesa, também escuto a mesma resposta: “– Faço exatamente isso! ” – mesmo sabendo que esse profissional não tem discernimento sobre um trabalho relacionado à lógica do jogo (inteligência coletiva) de um trabalho fragmentado do jogo.

O que se procura concluir com essa reflexão é que, a grande maioria dos nossos treinadores tem acesso às teorias e conhecimentos produzidos acerca da evolução do “como treinar“, mas não conseguem sistematizá-los na prática. Continuam com uma visão distorcida e fragmentada da construção do jogo, o que vem resultando no nosso distanciamento entre outras tradicionais escolas de futebol.

Precisamos urgentemente de um grito avisando que o rei está nu e um posicionamento mais humilde desta porção de treinadores super valorizada, muitas vezes insensível à revisão de seus conceitos, em função do momento de transição em que se encontra o futebol brasileiro. Em tese, significaria conhecer (entender) teorias que direcionassem seus métodos de trabalho, sem interferir necessariamente no estilo de cada um.

Esta reciclagem conceitual, por exemplo, facilitaria a comunicação entre os profissionais da comissão técnica e atletas, visando o melhor entendimento dos métodos de treinamento e, principalmente, aproximá-los da realidade encontrada no próprio jogo.

Treinar para deixar de dar tanto a posse de bola para o adversário, ou para manter as linhas de zagueiros e volantes sempre próximas e compactadas dos recuos e avanços da equipe ou para aumentar a troca de passes entre seus jogadores.

Alinhar nomenclaturas já poderia ser considerado um primeiro passo dessa reciclagem, onde muitos profissionais poderiam rever detalhes que seus jogadores não conseguiram executar, muitas vezes em função de uma comunicação mal feita do que se pretendia obter no treinamento.

Só dessa forma mais pessoas entenderão o que realmente está acontecendo com o futebol brasileiro, em especial, os próprios treinadores.


A Complicada Linguagem que Atrasa o Futebol

A forma como contar uma história, conceito ou explicação pode contribuir na manutenção do abismo entre a teoria e a prática.
Seja claro!

por Eduardo Barros, via Universidade do Futebol

O jogo de futebol é um confronto entre sistemas caóticos determinísticos com organização fractal. Esta frase, que bem caracteriza a modalidade, é inadequada para ser utilizada em muitos ambientes em que se discute o futebol!

Apesar de ser uma expressão equivocada para determinadas ocasiões, muitos fazem questão de pronunciá-la (ou então outras frases com semelhante grau de dificuldade) para evidenciarem seus conhecimentos acerca do jogo e também para se sentirem superiores.

No cenário atual, milhares de profissionais que atuam neste esporte não têm acesso ao conhecimento científico. Se nem os princípios básicos do treinamento, mais especificamente, do futebol estão sistematizados para estes profissionais, o que dirá da compreensão das tendências, como as leituras da teoria da complexidade, que são pouco discutidas inclusive em ambientes acadêmicos representativos?

Sabemos que os motivos que fazem com que dirigentes (ex-jogadores ou não) e ex-jogadores (que ingressam no corpo técnico) não adquiram conhecimento científico atualizado são diversos, mas não é tema da coluna discuti-los. O fato é que, mesmo sem o referido conhecimento, estes profissionais possuem algumas competências que os credenciam para trabalhar com futebol.

Compreendido este cenário, as pessoas que detêm o conhecimento atualizado sobre o futebol têm a missão de conseguirem transmitir as informações aprendidas de maneira simplificada, mas não menos complexa e, citando o colunista especial Cézar Tegon, se fazerem entender.

Hoje, não faltam oportunidades para a aproximação das pessoas. Seja num relacionamento real ou num virtual, inúmeras são as situações que podem aproximar os diferentes perfis de profissionais do futebol.

Se um dia, leitor (que, se está lendo este portal, tem grande possibilidade de estar interessado em adquirir conhecimento científico atualizado), você tiver oportunidade de discutir a modalidade e todos os seus desdobramentos (treinamento, jogo, análise de jogo, jogadores, planejamento, categorias de base, negociações, contratações, etc.) com algum profissional sem a competência do conhecimento científico recente, não tente querer mostrar que sabe mais do que ele sobre o tema através de uma linguagem rebuscada e, de certa forma, difícil.

Esforce-se para acessá-lo e fazer com que fique instigado em entender mais sobre o jogo (e seus desdobramentos), nem que para isso seja necessário facilitar a comunicação.

E não confunda a facilitação da comunicação com a “boleiragem”. Tentar ser ouvido com uma linguagem simples e eficiente que represente bem a importância do assunto é bem diferente de exercer um comportamento marrento, com os trejeitos característicos de muitos que trabalham com este esporte.

Numa conversa, é perfeitamente possível falar de complexidade, sistemas, modelo de jogo, fractais, lógica do jogo, princípios, referências e momentos do jogo sem utilizar estas palavras e expressões.

Já pensou o quanto o nosso futebol pode ganhar se, pouco a pouco, os ex-jogadores (que treinaram de maneira fragmentada ao longo de toda a carreira) forem convencidos de que ao invés de treinar o físico, depois o técnico e por último o tático, é possível treinar todas as vertentes ao mesmo tempo?

O quanto conseguiremos equipes mais organizadas se todos compreenderem que para tentar manter a ordem no grande ambiente de desordem que é o jogo de futebol, orientações coletivas precisam ser estabelecidas e previamente treinadas?

Quantos atletas mais criativos e autônomos teremos, uma vez que no ambiente de treino predominará situações imprevisíveis semelhantes ao jogo?

Se os dirigentes ampliarem sua visão sobre o treinamento em futebol, será que permitirão treinos ultrapassados realizados pela sua comissão técnica?

Enfim, a aproximação entre os profissionais que dominam a teoria e os que têm maior espaço no mercado de trabalho do futebol de alto rendimento pode ser uma das maneiras de acelerar o processo de mudança do futebol brasileiro. Para isso é certo que os dirigentes e ex-jogadores devem perder o medo do novo e estarem abertos às novas aprendizagens.

Para que o novo não gere espanto, é fundamental que a teoria seja facilitada. Deixem as expressões difíceis para os ambientes em que forem convenientes (e eles são muitos).

Se as ações estiverem direcionadas para a lamentação da falta de espaço para pessoas que dominam o conhecimento teórico, mas têm pouca experiência prática, dificilmente observaremos mudanças. Portanto, não se queixe diante do cenário e aproveite sua oportunidade!

 

Pra pensar…

 

 

 

 

 

 

 

” (…) O problema é que pensava-se em produtividade a partir da especialização, do desempenho ótimo de funções fixas: como na produção fordista, um indivíduo que repetiu milhares de vezes a mesma função tem mais chances de ser mais rápido e menos chances de errar no exercício daquela função determinada. Isso é válido, por certo, para a reprodução mecânica das mesmas ações. Aplicado ao futebol, porém, contribui para eliminar a criatividade, sobretudo a criatividade coletiva, quer dizer, o ambiente favorável à criação, à inovação. Instaura-se assim o futebol reprodutivo, a fábrica de jogar bola da sociedade industrial.

Nesse ambiente reprodutivo o que se destaca é o craque (o indivíduo), não o time (a rede social composta pelos jogadores interagindo segundo determinado padrão). Porque, em tais circunstâncias estruturais da rede centralizada (configurada pelo jogo retrógrado, quer dizer, pelos caminhos escassos que a bola percorre), só a genialidade individual pode romper o esquema, surpreender, sair fora da caixa. Tudo então passa a depender dos craques, dos indivíduos. É o futebol-burro com a sobressaliência dos pontos fora da curva, daqueles indivíduos inteligentes capazes, como se diz, de definir a partida com um lance magistral.

E é por isso que se atribui, não raro, o sucesso do Barcelona à genialidade do craque Messi. Sim, Messi é de fato um jogador excepcional, mas o futebol do Barcelona não depende de suas jogadas excepcionais. Com toda certeza as interações da dupla Xavi Hernandez – Andrés Iniesta e deles com o restante do time (com Lionel Messi inclusive) são mais decisivas para o excelente comportamento coletivo (do time) do que os lances geniais individuais do fabuloso artilheiro argentino. Essas bobagens são ditas porque ainda é bastante generalizada a crença de que o comportamento coletivo pode ser explicado a partir dos atributos dos indivíduos, de que a inteligência coletiva é a soma das inteligências dos indivíduos e não uma nova qualidade que emerge das relações entre eles.

Os gritos enraivecidos de ontem, comemorando a eliminação do Barcelona (sim, porque o time não perdeu o jogo, foi desclassificado pela tabela), revelam que existe base social para legitimar mais um retrocesso no futebol. Dir-se-á que o “estilo-barsa” esgotou-se, que o “futebol-arte” não pode resistir ao “futebol-de-resultados”, que “Messi entrou numa fase ruim” e outras besteiras semelhantes. Já se dá até como certa a derrota do Barcelona para o Real Madrid no campeonato espanhol (e isso pode acontecer mesmo).

Assistiremos, provavelmente, a mais uma das tristes revoltas daqueles escravos que introjetaram a escravidão a tal ponto que em vez de lutarem para se libertar dessa condição, não suportam ver que existem pessoas livres e querem torná-las também escravas como eles.”

Trecho retirado do texto “Barcelona e a Nova Ciência“, do Prof. Augusto de Franco, um dos maiores especialistas em redes e conexões em nosso país.

Inteligência Coletiva

O êxito no futebol depende do bom rendimento de cada jogador ou do trabalho conjunto da equipe?
O canal espanhol Odisea produziu este interessante documentário analisando a importância da visão coletiva e a relevância das estratégias de um grupo no âmbito futebolístico, a partir da perspectiva da complexidade.

Vale a concentração.