O que Steve Jobs significa para mim

por Tiago Doria

Acredito que o grande mérito de Steve Jobs foi:

1) Ter transformado computadores em objetos de consumo, em objetos que não fossem utilizados somente por especialistas, mas que pudessem ser tão intuitivos e corriqueiros de usar quanto um aparelho de televisão
2) E ter descoberto a “competência central” da Apple (usabilidade e design), em seu retorno à empresa em 1996. A partir daí, Jobs aplicou essa competência a diversos mercados e produtos. iPad, iPod, iTunes foram consequência dessa atitude.

Entre outras coisas, ele mostrou ao mercado que a internet é device agnostic e que, antes de tudo, as pessoas estão atrás de facilidade na web.

Jobs entendeu muito bem a dinâmica da área de tecnologia, um meio onde você é valorizado não por quem é, mas sim pelo que faz. Não é à toa que, mesmo após ter o seu nome garantido na história da computação, ele insistiu em trabalhar dia e noite e lançar novos produtos.

Para mim, ficam várias lições. Por mais estranho que possa parecer, todas elas não-tecnológicas.

A importância do peopleware, de trabalhar com o que gosta e de estar no lugar certo e na hora certa, além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Há uma frase de Steve Jobs que define bem tudo isso. Aliás, ela foi dita ao lado de outro ícone, quando Jobs se encontrou com Bill Gates durante a conferência D: All Things Digital, em 2007.

No palco da conferência, ao lado de Gates, Jobs fez uma rápida avaliação da sua própria vida.

“Vejo-nos como dois dos caras mais sortudos do planeta. (…) Encontramos o que amamos no lugar certo e no tempo certo, família, trabalho, amigos. Que mais poderíamos pedir?”

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Fim de Jogo

Já com saudades, publico a última coluna de Bernardo, o ermitão – personagem do mestre João Batista Freire – que desde 2008  nos brinda na Universidade do Futebol com a vida deste ex-torcedor fanático, que decidiu largar tudo e viver numa caverna com seus companheiros Aurora, Oto e Arnaldo, a amiga coruja questionadora, o simpático morcego e o bagre cego deslumbrado-com-os-prazeres -mundanos, respectivamente.
Todas as colunas do Bernardo você lê aqui.
“Quando a gente joga alguma coisa, nunca sabe o que vai acontecer, não conhece o fim da história, e é isso que dá graça ao jogo. Se sabe o fim, não é jogo”

 

Sem risco não há jogo, dizia-me Aurora, a coruja, na madrugada que declinava, cedendo lugar ao sol, um fino traço dourado no horizonte. No céu as estrelas aproveitavam-se de um resto de noite e eu aproveitava o que poderiam ser minhas últimas madrugadas neste lugar. Sim, eu pensava deixar a caverna, e já antecipava as saudades que sentiria de Aurora, minha amiga coruja, e das auroras que consumimos em conversas sobre a vida. Saudades que terei de Oto, meu amigo e mensageiro morcego, e do bagre cego Arnaldo, aquele que nunca me viu, mas que muito bem me conheceu.

Sem risco não há jogo, ia dizendo Aurora, como no caso daquele piloto brasileiro, o Felipe Massa, que deixou o companheiro passá-lo no final da corrida. Massa descumpriu a regra das regras do jogo, acabou com o risco, contou o final do filme, e tudo perdeu a graça. As crianças, quando o jogo perde a graça, dizem que não brincam mais e vão fazer outra coisa.

De fato, comentei com Aurora, quando a gente joga alguma coisa, nunca sabe o que vai acontecer, não conhece o fim da história, e é isso que dá graça ao jogo. Se sabe o fim, não é jogo. Numa conversa de trabalho, conversa-se para se achar uma solução. Numa conversa entre amigos que se encontram num bar, não há esse compromisso, a conversa se desenrola sem que haja compromisso com um fim.

Pena que os técnicos, mais que os jogadores de futebol, não saibam disso, disse Aurora. Fazem de tudo para não correr riscos, para contar o fim da história, para tornar o jogo sem graça. O futebol é um jogo e os técnicos insistem em não reconhecer isso.

Para mim, eu disse à coruja, o melhor técnico é aquele que entende que o futebol é um jogo, aquele que sabe que o técnico é um jogador, que é impossível saber o final da história, que sabe caminhar no escuro, que sabe lidar com o risco, com o imprevisível. O melhor técnico é um jogador de dados, o que tem a habilidade de caminhar pelo labirinto de imprevisibilidades.

E o melhor jogador de futebol, prosseguiu Aurora, é aquele que tira prazer, acima de tudo, da arte de correr o risco, de jogar o jogo da bola sem saber o que vai acontecer, e gostando de não saber. No jogo, não há compromisso com o resultado, mas apenas com o ato de jogar. O grande jogador não se compromete com o resultado, porque não é possível firmar esse compromisso com o desconhecido.

Afinal, completei, o que há de mais aborrecido que, no meio de um filme de suspense, alguém ao lado contar o final?

Penso em deixar a caverna, mas reluto. Os amanheceres que amanheci aqui talvez eu não amanheça em mais lugar nenhum. Mas acho que não conseguirei resistir à sedução do desconhecido que anda a me chamar para além da caverna, uma tentação que me roi a cada aurora. Se troco o certo pelo duvidoso? Sem dúvida, pois, acima de tudo, sou um jogador.

* Bernardo, o eremita, é um ex-torcedor fanático que vive isolado em uma caverna. Ele é um personagem fictício de João Batista Freire.

Frase da Semana

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“O replay está para a FIFA como a cruz está para o vampiro”

(Manihot Kadj Oman, corinthiano, vegetariano, geógrafo, anarquista e apaixonado por futebol e cachorros.)

Ciclos

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“Essa é uma das peculiaridades do futebol. A coisa no curto prazo é maluca. E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas. Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.”

por Oliver Seitz, via Universidade do Futebol

Existem poucas verdades absolutas. No futebol, naturalmente, também.

Entre essas poucas verdades, uma delas é que o futebol é cíclico.

Coisas vem e vão.

Pessoas aparecem, somem e reaparecem.

Injustiças acontecem com você agora e, amanhã, acontecerão com seus adversários.

Seu time domina hoje e será rebaixado em pouco tempo.

É assim que as coisas vão. E vem.

No curto prazo, é tudo insano.

No longo, as coisas fazem mais sentido.

Essa é uma das peculiaridades do futebol.

A coisa no curto prazo é maluca.

E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas.

Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.

O afã do próprio eu, somado ao imediatismo da demanda de segundos e terceiros fazem com que se tomem atitudes impensadas.

Motivadas por impulso. Momentâneas.

De curto prazo. Sem lógica.

Sem sentido.

Isso é visível durante e após partidas mais conturbadas.

Mas tem implicações maiores.

Não se enxerga o longo prazo no futebol brasileiro.

Porque ninguém se importa com ele.

É preciso resolver o agora. É necessário se importar com o já.

Mais pra frente, outro que se vire. O meu é aqui, e agora.

O depois, que fique para depois.

De que adianta montar uma estrutura sustentável para vitórias futuras se ela implica em derrotas no presente?

Nada. Absolutamente nada.

Independente se as atitudes que se tomem sejam efêmeras.

Ninguém quer saber. Foca no relógio.

E não no calendário.

E o relógio dá voltas.

O presidente do Palmeiras sentiu isso na pele.

Foi um exemplo claro.

Quem foi prejudicado ontem é beneficiado hoje.

E será prejudicado novamente amanhã.

Quem se preocupa, perde cabelo.

Quem percebe, assiste de camarote.

Mas não tem a mesma graça.

A Torre de Babel

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O Esporte e a Educação, infelizmente, não fazem tabelinha em nosso país.

Via Blog do Cruz

Em dezembro do ano que vem termina o governo do Presidente Lula. Em oito anos, o ministro do Esporte, Orlando Silva, viajou Brasil afora. E pelo mundo também. O mesmo ocorreu com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Mas os ministros não conseguiram atravessar o canteiro central da Esplanada dos Ministérios para dialogar sobre um assunto comum às duas pastas, o esporte na escola, como instrumento de apoio à formação educacional dos jovens.

Em duas ocasiões, os ministros foram convidados, pela Câmara e Senado, para debaterem sobre o assunto. Não compareceram.

Namoro e deboche

Quando ministro da Educação, logo no início do governo Lula, o hoje senador Cristovam reuniu-se com o então ministro de Esporte, Agnelo. “Era o começo de um namoro” brincou o senador, há poucos dias, durante encontro com Orlando Silva.

– E no que deu tal namoro? – indagou Cristovam.

“Não passou de um flerte”, resumiu o ministro, com um sorriso algo assim, um deboche.

Realidade

Conto estas passagens para mostrar a realidade do esporte educacional no país, onde temos fartura de instituições, como mostrarei abaixo.

Falta, porém, quem lidere o diálogo para termos um ponto de partida nessa discussão sobre o desporto escolar, tema que envergonha as instituições do governo pela omissáo e falta de iniciativa.

E o que temos, afinal?

a) em nível do Executivo

Ministério do Esporte

Secretaria Nacional do Esporte

Conselho Nacional de Esporte

Fórum Nacional de Gestores e Secretários do Esporte

Conferência Nacional do Esporte (duas edições, em sete anos)

Comissão Nacional de Atletas (desativada)

b) em nível do Legislativo

Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados

Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal

Frente Parlamentar do Esporte

c) Sistema Nacional do Esporte (Lei Pelé)

Comitê Olímpico Brasileiro

Comitê Paraolímpico Brasileiro

Confederações esportivas

Confederação Brasileira de Desporto Universitário

Confederação Brasileira de Desporto Escolar

Comissão Desportiva Militar do Brasil

Federações esportivas (estaduais)

Clubes

Atletas

d) Iniciativas privadas

Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos

Congresso Brasileiro de Clubes

Confederação Brasileira de Clubes

Fórum Nacional de Gerentes e Gestores de Clubes

Fórum Nacional de Profissionais do Esporte de Clubes

É a Torre de Babel do esporte.

     

O Cambista Oficial da Copa do Mundo

Quantos brasileiros conseguirão comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem ágio?

Em 2006 na Alemanha, Brasil e Gana faziam em Dortmund o primeiro jogo da segunda fase. A equipe de Ronaldo venceria por 3 a 0 e iria enfrentar a França de Zidane e Henry…

Neste mesmo dia, gravei um vídeo que somente agora consegui editar e que revela a existência de um esquema para a venda de ingressos da Copa do Mundo.

Perdoem-me, mas a edição não é das melhores. Nem a gravação…

Notem o barrigudo de óculos e camisa amarela da seleção sem escudo. Vou chamá-lo a partir de agora de ‘cambista-oficial’.

Numa BMW X5 preta, acompanhado por uma mulher que nunca deixava o carro, ele surgia nos arredores dos estádios onde o Brasil faria seus jogos e organizava a venda de ingressos oficiais da FIFA, conforme poderão conferir no vídeo.

As vendas eram diretas ou intermediadas por alguns “laranjas” (senhor de agasalho azul-marinho no vídeo) e que eram cooptados pelo próprio ‘cambista-oficial’ na porta dos estádios.

Foram gravados vários atos de venda, e o mais nítido está identificado a partir do trecho 01′ 20″ do vídeo, onde se vê claramente a troca de ingressos por dinheiro.

Consegui gravar alguns dos ingressos vendidos pelo cambista-oficial’ e registrar a quem supostamente deveriam estar endereçados.

Abaixo, segue a relação de nomes que aparecem nestes ingressos:

Rony Anderson Rezende, Flávio Talarico, Osmarina Theis, Elton Tedesco, Lincoln Berretta, Sueli Raymundo, José Lima e Eduardo Barella.

Um dos ingressos vendidos pelo 'cambista-oficial'.

E todos eles pertenceriam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ou pelo menos é o que está gravado em cada ingresso.

Caso sejam nomes reais, poderiam ajudar a esclarecer o porquê de seus ingressos estarem sendo comercializados por um ‘cambista-oficial’ na Copa do Mundo.

Naquele mesmo dia, a partir do depoimento de um dos laranjas, soubemos que o esquema de distribuição dos ingressos para os “cambistas-oficiais” era realizado num hotel de luxo em Frankfurt, com direito a um andar privativo, diga-se de passagem. Em média, cada ‘cambista-oficial’ recebia de 300 a 500 ingressos por jogo. Aliás, este mesmo laranja já estava ‘escalado’ para ‘trabalhar’ no jogo entre Brasil e França.

Ou seja, um sistema semi-profissional de comercialização de ingressos. Vendido por brasileiros e comprado por brasileiros.

Pergunta: quantos de nós irão conseguir comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem “ágio” ?

Futebol e Fama – O Tiny Dancer Brasileiro

Grande sequência do filme “Quase Famosos”, ao som de Tiny Dancer.

Quase famoso. Este é o esmagador perfil do atleta profissional de futebol brasileiro.

Que recebe em média salário mínimo.

Sonha em receber milhões, jogar na Europa e andar de carro importado. Mas apenas uma minúscula parcela chega lá.

A impressionante maioria não teve oportunidade de combinar a escola com o futebol e acaba rodando o país (e o mundo) atrás de um holerite.

Depois volta pra casa, geralmente com esposa e filhos e tenta alguma função no meio da bola.

Geralmente como empresário de atletas. Assistente técnico também serve, já que a vida lhe ensinou na prática o que fazer.

Vira um minúsculo dançarino, assim como o tema do filme, e que dança conforme a música.

Vida que segue.

Atualização (em 21/08)

Dados divulgados no II Encontro Nacional sobre Legislação Esportivo-Trabalhista:

77% dos atletas profissionais de futebol no Brasil ganham até R$ 1 mil

13% recebem entre R$ 1 mil e R$ 9 mil

10% têm salários acima de R$ 9 mil.