Feliz 2013 !

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Desejo de um 2013 repleto de saúde e de realizações positivas.

E de boas e saudáveis notícias ao futebol brasileiro, sonhadas para mais este Ano Novo:

  • Grandes marcas e patrocinadores optam por projetos que utilizam o futebol e o esporte como veículo de transformação social ao invés de investirem em atletas e equipes de ponta.
  • Jornalistas esportivos discutem sobre novas tendências nas metodologias de treinamento no futebol e questionam treinadores nas coletivas sobre seus métodos de treino.
  • Federações de futebol dos Estados brasileiros tornam-se pólos de ensino e de desenvolvimento ao esporte para quem atua ou pretende atuar com o futebol.
  • Treinadores consagrados do futebol brasileiro fazem intercâmbio com Universidades e trocam conhecimento com jovens acadêmicos.
  • Liga Universitária Nacional de Futebol é sucesso de crítica e público.
  • Liga Feminina Nacional de Futebol finalmente é uma realidade em todos os Estados do país.
  • Empresários de Jogadores cedem parte dos lucros ao fundo de incentivo à educação e desenvolvimento de atletas;
  • Democratização do conhecimento no futebol é incentivada por dezenas de instituições de ensino e refletem em oportunidades para várias profissões ligadas ao futebol;
  • Ministérios da Educação, do Esporte e do Trabalho alinham com a CBF, Federações, Sindicatos de Treinadores e Conselho Nacional de Educação Física uma política institucional para a regularização definitiva da profissão de treinador e demais gestores de campo.
  • Clubes e Universidades fecham parcerias para aproximar a teoria da prática no futebol brasileiro.
  • Mais uma turma de executivos e presidentes de clubes de futebol conclui especialização em ciências humanas no futebol.
  • Inteligência de Jogo é privilegiada e clubes formadores brasileiros passam a buscar perfis de atletas que não precisam ser necessária e simplesmente altos e fortes.
  • Indicadores sociais, culturais, educacionais, econômicos e esportivos dão salto positivo na última prévia.
  • Escolinhas de Futebol pelo país tornam-se alvos da política institucional do Governo, que visa a organização e orientação pedagógica no ensino do futebol à meninas e meninos.
  • Treinadores finalmente percebem que não basta apenas ter sido jogador de futebol ou mesmo ter frequentado uma Escola de Educação Física para ser um treinador bem sucedido.
  • Calendário nacional do futebol é ajustado aos interesses dos atletas, dos clubes e à cultura do nosso país.
  • CBF e Globo entendem que seus interesses particulares não podem conflitar com os interesses do desenvolvimento do futebol brasileiro.

Amém!

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Um Livro às Quintas

“Una red de significado interpretada desde el paradigma de la complejidad”

El Modelo de Juego del FC Barcelona – Oscar P. Cano Moreno

MC Sports, 2010.

Oscar Moreno condena e derruba a barreira existente entre teoria e prática, nos conduzindo pelo sinuoso universo das teorias dos sistemas dinâmicos e nos convidando a entender a complexidade do jogo –  desde as evidências da imprevisibilidade à análise minusciosa da construção do modelo de jogo do F.C. Barcelona.

Fim de Jogo

Já com saudades, publico a última coluna de Bernardo, o ermitão – personagem do mestre João Batista Freire – que desde 2008  nos brinda na Universidade do Futebol com a vida deste ex-torcedor fanático, que decidiu largar tudo e viver numa caverna com seus companheiros Aurora, Oto e Arnaldo, a amiga coruja questionadora, o simpático morcego e o bagre cego deslumbrado-com-os-prazeres -mundanos, respectivamente.
Todas as colunas do Bernardo você lê aqui.
“Quando a gente joga alguma coisa, nunca sabe o que vai acontecer, não conhece o fim da história, e é isso que dá graça ao jogo. Se sabe o fim, não é jogo”

 

Sem risco não há jogo, dizia-me Aurora, a coruja, na madrugada que declinava, cedendo lugar ao sol, um fino traço dourado no horizonte. No céu as estrelas aproveitavam-se de um resto de noite e eu aproveitava o que poderiam ser minhas últimas madrugadas neste lugar. Sim, eu pensava deixar a caverna, e já antecipava as saudades que sentiria de Aurora, minha amiga coruja, e das auroras que consumimos em conversas sobre a vida. Saudades que terei de Oto, meu amigo e mensageiro morcego, e do bagre cego Arnaldo, aquele que nunca me viu, mas que muito bem me conheceu.

Sem risco não há jogo, ia dizendo Aurora, como no caso daquele piloto brasileiro, o Felipe Massa, que deixou o companheiro passá-lo no final da corrida. Massa descumpriu a regra das regras do jogo, acabou com o risco, contou o final do filme, e tudo perdeu a graça. As crianças, quando o jogo perde a graça, dizem que não brincam mais e vão fazer outra coisa.

De fato, comentei com Aurora, quando a gente joga alguma coisa, nunca sabe o que vai acontecer, não conhece o fim da história, e é isso que dá graça ao jogo. Se sabe o fim, não é jogo. Numa conversa de trabalho, conversa-se para se achar uma solução. Numa conversa entre amigos que se encontram num bar, não há esse compromisso, a conversa se desenrola sem que haja compromisso com um fim.

Pena que os técnicos, mais que os jogadores de futebol, não saibam disso, disse Aurora. Fazem de tudo para não correr riscos, para contar o fim da história, para tornar o jogo sem graça. O futebol é um jogo e os técnicos insistem em não reconhecer isso.

Para mim, eu disse à coruja, o melhor técnico é aquele que entende que o futebol é um jogo, aquele que sabe que o técnico é um jogador, que é impossível saber o final da história, que sabe caminhar no escuro, que sabe lidar com o risco, com o imprevisível. O melhor técnico é um jogador de dados, o que tem a habilidade de caminhar pelo labirinto de imprevisibilidades.

E o melhor jogador de futebol, prosseguiu Aurora, é aquele que tira prazer, acima de tudo, da arte de correr o risco, de jogar o jogo da bola sem saber o que vai acontecer, e gostando de não saber. No jogo, não há compromisso com o resultado, mas apenas com o ato de jogar. O grande jogador não se compromete com o resultado, porque não é possível firmar esse compromisso com o desconhecido.

Afinal, completei, o que há de mais aborrecido que, no meio de um filme de suspense, alguém ao lado contar o final?

Penso em deixar a caverna, mas reluto. Os amanheceres que amanheci aqui talvez eu não amanheça em mais lugar nenhum. Mas acho que não conseguirei resistir à sedução do desconhecido que anda a me chamar para além da caverna, uma tentação que me roi a cada aurora. Se troco o certo pelo duvidoso? Sem dúvida, pois, acima de tudo, sou um jogador.

* Bernardo, o eremita, é um ex-torcedor fanático que vive isolado em uma caverna. Ele é um personagem fictício de João Batista Freire.

Lesoto é Argentina!

via Brainstorm

Lesoto é um pequeno país que fica ‘dentro’ da África do Sul. Um país dentro de outro país.

A Coca-Cola resolveu aproveitar para contar uma boa história de como os torcedores da Argentina estão convencendo a população local a torcer pelo seu time na Copa do Mundo 2010.

Vai Apitar Jogo de Botão!

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Alguém já mandou algum juiz apitar jogo de botão?

Eu já. O Dunga também.

Não estou desmerecendo o nobre esporte bretão de botão… longe disso. Aliás, esporte de mesa apaixonante que me traz saudosas recordações nos confrontos com meu irmão.

Por exemplo, do “homem-gol”, o camisa 11 do Vitória. Seu poder ofensivo era inacreditável. Bastava encostar a palheta com certa habilidade que a bolinha de feltro tinha endereço certo: as caprichosas redes de filó do meu Estrelão.

Mas voltando ao “xingamento”, mandar o juiz apitar jogo de botão era o meu teste de autoridade preferido nos tempos em que eu era bom de bola.

Lembro-me até de uma passagem, onde o treinador do selecionado sub-14 em que jogava, procurando inibir seus atletas a não tomar cartões, repetiu por diversas vezes no vestiário que para aquele jogo em especial, não existiria cartão vermelho. O cartão amarelo seria o suficiente para irmos pro chuveiro mais cedo.

Como as regras sobre cartões mudavam quase sempre para as categorias de base, achei normal o reforço do treinador.

Lá pela metade do primeiro tempo, após algumas botinadas dos zagueiros adversários, me levantei de mais uma falta e encarei o juiz lhe perguntando se não tinha cartão…

Cinicamente, o árbitro veio ao meu encontro e me presenteou com o cartão amarelo. “Tem sim! Esse é só pra você…” – disse o homem de preto.

Recordando-me da preleção do treinador e já me imaginando no chuveiro, educadamente solicitei ao digníssimo que fosse apitar jogo de botão.

E para a minha surpresa, um outro cartão saiu do bolso esquerdo do peito do árbitro, agora da cor vermelha.

Foi o suficiente para eu encarar o juiz com cara de bobo, abaixar a cabeça, seguir pro vestiário e tomar um banho refletindo se o meu treinador estaria preparado ou não para comandar o “homem-gol” no meu Estrelão.

Olimpíadas no Rio em 2016

Não sei se Rio ou se choro…

Copa em 2014… Olimpíadas em 2016…
Mas que oportunidade para fazermos do esporte uma contribuição significativa a favor da educação, da cultura e da cidadania em nosso país, hein?

Um verdadeiro legado para as gerações futuras.

Um Livro às Quintas

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“A história do menino que queria ser como José Mourinho”

Ganda Bomba, o Pequeno Treinador – Manuel Arouca

Oficina do Livro, 2006.

Lourenço Figueiredo tem doze anos, vive em Cascais e gosta de jogar Football Manager. O seu pai, técnico de futebol, é contratado pelo clube Estoril Praia. Lourenço vive intensamente os jogos de futebol da equipe do pai, ao mesmo tempo em se que se encontra apaixonado por Sofia, a garota mais linda da 7a série.

Quem não gosta do mundo do futebol é a mãe de Lourenço – uma mulher carinhosa e cheia de garra, com quem ele desabafa os seus desamores – e a sua irmã, uma garota capaz de fazer cair o queixo de qualquer adolescente.

O Pequeno Treinador narra as aventuras que farão nos recordar de nossas próprias histórias: a relação com a família, os amigos, os amores e a euforia contagiante do futebol.

Conversas no Fim da Tarde

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“É quando, no céu, alguém joga futebol… A ciência diz que é um meteorito.”

Via Universidade do Futebol

Não recebo e-mails. O que me chega vem no bico de Oto e seus morceguinhos-correio, em papel. Tem de tudo: alguns missivistas curiosos duvidam que eu seja de fato um eremita vivendo no fundo de uma caverna. De quê eu viveria? Afinal, dizem, um homem precisa comer. É porque não conhecem do que é capaz a terra quando bem tratada. Meus tomateiros e pés de couve alimentariam bem mais que uma família. Inhames e carás nunca me faltam, além da frondosa árvore de fruta-pão. Nasceu-me, perto daqui, sem que a plantasse, uma pitangueira.

A jabuticabeira já existia quando para cá me mudei. Tenho os pequis e as gabirobas, e até melancias, eventualmente, uma ou outra. As mangas fazem lama no chão. Já me perguntaram se sou vegetariano. Respondo que vegetariano fui ficando, pois que não há açougues por perto, e animais, onde vivo, são companhia, não comida.

Tenho amigos, mas não os quero próximos. O jovem João Paulo manda-me cartas convidando-me para deixar o exílio. Não, eu não deixaria a companhia de Aurora, de Oto e Arnaldo. Fazem-me bem, e bastam-me. Ao João Paulo respondo que não foi algum mal que me expulsou da cidade, mas apenas a caverna que se mostrou mais atraente que todas as luzes, todos os carros, todos os shopping centers.

Nem deixar os estádios de futebol lamento. Já não os frequentava há muito quando vim para cá; violência em excesso, sabem? Do futebol sinto falta, ah, isso sinto! É só o que explica eu ter na caverna uma televisão, alimentada a duras penas por uma bateria solar. Por sorte, onde vivo, há sol quase todo o ano. Como consegui uma televisão alimentada por bateria solar? Por aqui os mistérios são muitos.

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Um Livro às Quintas

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“One ginger Pelé

There’s only one ginger Pelé!

One ginger Pelé, there’s only one ginger Pelé!”

(Canção em homenagem a Gary Doherty, ídolo dos Spurs no início da década, cantada em ritmo de ‘Guantanamera’)

One Ginger Pelé! – Chris Parker

New Holland Publishers, 2008.

O livro desta semana é uma preciosidade trazida da Inglaterra, onde humor e cultura alternam-se durante suas 96 páginas. São os principais cânticos e canções das torcidas inglesas, divididos em várias categorias, dentre elas: atletas favoritos, atletas marcados, adversários odiados, managers etc.

Aliás, a quantidade de assuntos sobre futebol já publicados no Reino Unido é ampla e fascinante para quem busca informação e conhecimento sobre o esporte mais praticado do planeta.

O Futebol é um Jogo Defensivo

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* Bernardo, o eremita, é um ex-torcedor fanático que vive isolado em uma caverna. Ele é um personagem fictício de João Batista Freire.

Via Universidade do Futebol

O carnaval foi bem engraçado por aqui. Nós o comemoramos em abril. Oto, meu morcego de estimação, surpreendeu. Sua banda, a Sangue Bom, entre morceguinhos de nossa caverna e convidados, desfilou com mais de dez mil componentes. Arnaldo, o bagre cego, assistiu, ou melhor, ouviu as reprises dos desfiles de escolas de samba de São Paulo e Rio; não desgrudou os ouvidos da telinha. Delirava, de se revirar todo, sempre que a telinha anunciava algum famoso nos camarotes. E Aurora, a coruja, fantasiou-se de águia e voou solitária pelos céus que lhe cabem, de fato e de direito, em alegres evoluções.

Terminada a folia de Momo, procurei-os e disse-lhes que já me davam saudades as conversas sobre futebol.

– Carnaval é bom, mas cansa se passar de três dias – eu disse. – E já se passaram quatro. Futebol, esse pode ser o ano todo, se depender de mim. E eu queria a opinião de vocês sobre uns assuntos que me tiram o sono.

Havia coisas do futebol, que eu, por mais esforço que fizesse, não entendia. Oto estava de ressaca e não quis conversa; Arnaldo ouvia a televisão.

– Por exemplo? – perguntou Aurora.

– Não me conformo com essa excessiva preocupação de só defender, defender, defender – eu disse – como se todos, jogadores, técnicos e comentaristas, fossem golfóbicos.

E acrescentei que, ouvindo e lendo o que pensam sobre o futebol, percebo que falam o tempo todo sobre sistemas de defesa.

– Pois, para mim – disse Aurora – agem dessa maneira porque evitam o verdadeiro problema. Falam do óbvio, daquilo que está mais ao alcance de todos, do banal.

– Como assim? – distraí-me com o barulho da TV e não entendi bem o que a coruja disse.

– Que barulho é esse – ela me perguntou – vindo do fundo da caverna?

– É o Arnaldo ouvindo de novo aquele programa da ESPN sobre a pretensão do Brasil de ser sede das Olimpíadas em 2016. Cada vez que Carlos Nuzman fala, ele baba e faz essa barulheira.

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