A Profecia de Nostradamus Colorada

crystal-ball.jpg

do Jornal Zero Hora, por Diogo Olivier

No já distante começo do milênio, no ano 2000, João Paulo Medina ( * ) era coordenador técnico no Beira-Rio. Tratava-se de uma iniciativa pioneira, na gestão do presidente Fernando Miranda. Medina era um profissional remunerado, cuja missão parecia mesmo milagrosa: integrar todas as áreas do clube e reorganizar os processos das categorias de base, como forma de preparar o futuro. Isso tudo sem dinheiro, que os anos 90 foram medonhos nesta área para o Inter.

Medina é um homem cordato, intelectualizado, incapaz de uma grosseria. Duvido que tenha matado uma mosca, mesmo no auge de um acesso de raiva. Então, a certa altura do campeonato, Medina arriscou-se numa frase que o marcaria a ferro e fogo para sempre na Província de São Pedro:

– O que estamos fazendo no Inter não é para dar resultado agora. É para cinco ou seis anos.

Faltou pouco para a insurreição. A torcida, marcada de cicatrizes após quase 20 anos de derrotas, não aceitou ter que esperar tanto tempo — ainda mais sem garantias. Colorados ilustres se opuseram em público. A imprensa registrou a gritaria toda, criando um clima de insatisfação.

Expressões como “planejamento” ou “trabalho multidisciplinar”, hoje corriqueiras entre profissionais remunerados como Rodrigo Caetano, viraram chacota. Medina não teve outra saída senão deixar o Inter. Hoje, uma década depois, ele brinca:

– Não sou Nostradamus, mas acertei na mosca. Cinco, seis anos depois o Inter começou a vencer. Fui incompreendido, mas não guardo mágoa. Entendo a torcida e mesmo a imprensa. Reconheço méritos em quem veio depois da gente, mas fico feliz de ter acertado — diz Medina, 62 anos, que depois do Inter trabalhou na Arábia Saudita e, hoje, pilota uma consultoria esportiva com atuação nos Estados Unidos e Brasil.

Medina lembra dos tempos de penúria com alguma dor, mas suaviza o tom crítico, bem ao seu estilo lorde inglês:

– As vendas de Rochemback por US$ 12 milhões e Lúcio por US$ 9 milhões só pagaram dívidas. Ouvi que deixamos o vestiário vazio: deixo isso por conta da natural disputa política do clube. Lembro de quando Pato, Daniel Carvalho e Nilmar chegaram ainda meninos, como parte do nosso trabalho na base. Mas ninguém sabia quem eram estas jóias naquela época, é claro.

Pode haver controvérsias de entendimento no que diz Medina, é claro, mas é interessante ouvi-lo 10 anos depois. É um bom debate

* João Paulo S. Medina é o idealizador da Universidade do Futebol

Coisas do Futebol 4

Do inferno ao céu…

Sara Carbonero, repórter e namorada do goleiro espanhol Casillas, fora acusada de ser a responsável pela primeira derrota da Espanha, logo na estréia do Mundial.

Passados 6 jogos, a equipe de Casillas, Xavi, Fábregas e Iniesta vence a Copa da África do Sul, jogando um belo futebol.

O beijo do goleiro campeão durante a entrevista ao vivo fecha com emoção a Copa do Mundo de 2010 e mostra que o futebol é uma paixão de todos.

Parabéns España!

E que venha agora a nossa Copa!

Ego Sum

ego.jpg

Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação?

via Universidade do Futebol,  por Oliver Seitz

( … )

Uma questão que eu acho que merece uma discussão detalhada para a melhor compreensão possível sobre o comportamento da indústria do futebol brasileiro é a influência que o ego possui nas ações dos tomadores de decisão envolvidos com o jogo. Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação? Até que ponto essa necessidade de se auto confortar influencia o rumo das suas ações?

Eu venho batendo na tecla de que o futebol gera mais exposição do que dinheiro há muito tempo. Assumindo que isso seja verdade, é natural imaginar que boa parte das pessoas que se envolvem com o futebol buscam mais exposição do que dinheiro. Isso explica, por exemplo, o grande envolvimento de diretores não remunerados com os clubes. O cara larga o trabalho, a casa e a família para se dedicar ao clube. Muita gente vê nisso, não sem subsídios, uma ação de picaretagem. Afinal, se o cara se dedica tanto assim, o cara deve levar uma boa grana por fora. Por vezes, isso é verdade. Mas a impressão que eu tenho é que na maioria das vezes isso se dá por uma questão de auto-estima.

Pessoas que se envolvem com o futebol rapidamente alcançam um status de importância não necessariamente relacionada ao seu currículo pessoal. Isso acontece, por exemplo, com um cara qualquer que de repente vira presidente do clube de futebol. Do dia pra noite, o cara larga o anonimato e se torna uma figura pública. Alguns não gostam disso. A maioria acaba se embebedando. E não larga o osso. Pior, acha que a exaltação é pessoal, e não institucional. Acha que a bajulação se dá pela figura individual, e não pelo fato de ser presidente de uma organização muitas vezes histórica e influente. Aí começa a confundir as coisas. Faz uma conta no Twitter e vai pro abraço. Tenta ser maior que o clube. Logicamente, não é. E tudo, hora ou outra, acaba se esfacelando.

Mas não é só o presidente. Talvez pior sejam os diretores. Afinal, presidente é presidente. Justo que seja minimamente egocêntrico. Diretor, porém, é outra história. O cara é eleito, nunca foi nada, e de repente acha que é o ó do borogodó, que eu não sei se está relacionado apenas à última vogal ou ao fato de ocupar 50% de uma palavra oito letras. Enfim, o cara sobe nas tamancas e, por ter feito parte de uma chapa – uma vez que na maioria dos clubes os diretores não são eleitos individualmente, mas sim fazem parte de um grupo encabeçado pelo presidente – acha que tem certeza daquilo que está fazendo. Afinal o cara é diretor. E diretor é da diretoria. E diretoria é vip. É nata. É elite. É qualquer outro adjetivo que indique superioridade. Tipo a última bolacha do pacote, ainda que eu ache que não seja muito apropriado uma vez que a última bolacha está sempre quebrada e sai junto com um monte de farelo. Ainda assim, ele vai lá, acha que sabe, faz o que quer e dificilmente alguém vai reclamar, uma vez que isso pode gerar um problema político.

Normalmente, portanto, há forte influência do ego no processo cognitivo dos principais tomadores de decisão do futebol.

O problema é que o esquema não para aí. Afinal, não é só dentro do clube que o ego impera. Fora dele pode ser pior ainda, principalmente na imprensa. Muito jornalista que trabalha com futebol ganha muito pouco. Muito comentarista que comenta futebol não ganha nada. Ainda assim, o cara não larga o osso por duas razões: a) porque ele gosta do que está fazendo e é feliz, o que é muito justo; e b) porque ele aparece na televisão e assim ele se torna uma pessoa conhecida e respeitada, o que até pode ser justo também, mas pode carregar um lado nefasto.

Ao aparecer todo dia e ser reconhecido na rua, um jornalista pode eventualmente achar que automaticamente sabe tudo sobre aquilo que ele está falando, e não se preocupa em aprofundar muito a sua opinião. Seu ego influencia na não necessidade do aprimoramento profissional. Muitas vezes, essa opinião é crítica em relação às decisões tomadas pelo clube, que por sua vez também são geradas pela necessidade de auto-estima. Aí, quando um ego bate outro ego, a coisa se complica. E o rumo das decisões começa a tomar a direção do caos.

Se você é psicólogo, você deve ter percebido que eu não sei muito bem sobre o que eu estou falando. Por isso que eu mencionei a necessidade do assunto ser mais bem pesquisado. O entendimento mais profundo dessa questão me parece ser bastante importante para o desenvolvimento mais apropriado da indústria.

E, se eu estou falando, pode ir com fé.

Acredite.

Não seje burro.

Sobre Heróis do Nosso Futebol

049.jpg

“…Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional.”

Era inverno e início de semana na fria Porto Alegre. O termômetro da Avenida Independência alertava para uma noite das mais geladas e o dirigente estava naquela mesma mesa, no mesmo restaurante.

Fernando, o presidente do Internacional, organizava a pauta da reunião do dia seguinte enquanto aguardava o jantar, que mais era sinônimo de trabalho-fora-do-expediente do que de refeição, propriamente dito.

Muitas frentes estavam se estruturando e um novo clube parecia nascer naquele gigante da Beira-Rio. Em verdade, as críticas também cresciam nas mesmas proporções e muitos eram os assuntos que circulavam nos programas de TV.

Onde já se viu entrevistar técnico de futebol? Investir em centro de informação e inteligência (Intercenter) pra quê? Universidade corporativa, então? Nós precisamos de jogadores e não de alunos! O Inter irá cair sem nossos principais jogadores! Socorro!

Fernando não se continha em felicidade com o pagamento de boa parte das dívidas, conseguido através da venda de dois atletas para clubes da Europa. Os investimentos futuros estariam voltados ao crescimento sustentado do clube, através de fatores importantes, como a capacitação de profissionais, busca equilibrada de receita e foco no processo de desenvolvimento dos atletas, buscando valorizar cada vez mais o artista da bola.

Tinha uma oportunidade única em tentar mudar a história daquela instituição de pouco mais de 90 anos e que se via cercada pelas mesmices do nosso futebol: dívidas, salários de atletas incompatíveis com a realidade do país, receita concentrada nos direitos televisivos, ausência de um planejamento de longo prazo, ambiente contaminado por empresários de atletas sanguessugas e por aí vai.

Um projeto audacioso que estava sendo conduzido por um engenheiro de formação, homem sério, de gênio forte e pulso firme, capaz de olhar seus atletas e colaboradores nos olhos, dar apoio e transmitir segurança de que esse era o caminho.

Era uma das tarefas mais difíceis de toda a sua vida. Colorado e apaixonado pelo Inter desde guri, havia planejado se tornar presidente de seu clube do coração oito anos antes.

Junto de seu coordenador técnico, homem de confiança e co-responsavel na reestruturação do clube, enfrentou toda uma nação colorada de frente, ao anunciar que uma transformação estava por vir. Jogadores custosos seriam dispensados e outros substituídos, dando lugar a atletas pouco conhecidos, alguns deles já formados no próprio clube.

E o mais fantástico, e talvez, mais chocante para os gaúchos colorados: divulgaram uma previsão que o grande Inter de Porto Alegre poderia voltar a sonhar com um título de expressão somente em 4 ou 5 anos a partir das mudanças.

Estávamos no ano de 2001.

Em determinado momento daquela noite, toca o telefone do dirigente:

– Muito boa noite. É o presidente Fernando?

– Boa noite. Sim, quem é? – responde o dirigente.

– Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional. O senhor poderia me auxiliar com algumas informações?

– Pois não, Luiz. Vou lhe passar os dados do nosso responsável e peço que entre em contato ainda nesta semana, tudo bem? – interagiu o presidente.

– Muito obrigado, Sr. Fernando. Farei este contato o mais breve possível. Agradeço a sua atenção e lhe desejo uma boa noite. – despediu-se Luiz Antonio.

– Boa noite e boa sorte! Será um prazer encontrá-lo por lá. – agradeceu o presidente.

Luiz Antonio é Luiz Antonio Venker Menezes, o Mano Menezes. Um dos principais treinadores e conhecedores da gestão de campo (e de gente!) no futebol da atualidade.

E o presidente Fernando, não é o mesmo que saiu na foto do título mundial do Inter. Nem tampouco é o que passou vergonha há alguns dias com declarações típicas de dirigentes que tentam se passar por heróis.

Seu nome é Fernando Miranda.

Como Analisar uma Equipe Campeã ?

2C3761_1.jpg

“…A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, na maioria das vezes, não seriam notadas.”

A cultura do campeão em nosso país traz consigo várias mazelas, quase impossíveis de serem tratadas no curto prazo. Estamos falando de um paradigma existente em nossa sociedade, que contamina a todos: torcedores, profissionais do esporte, críticos e, principalmente, a imprensa em sua maior parte.

A referência principal, é claro, passa a ser a equipe que alcançou a primeira colocação. Seus atletas e a comissão técnica passam a ser imitados e, igualmente, seus métodos de trabalho.

E a análise sobre o vencedor, que poderia ser rica e ampliada à diversos fatores, quase sempre é óbvia e unânime.

E a unanimidade não é burra, como diria Nelson Rodrigues. A unanimidade é míope… mas com certeza, nos permite enxergar exceções.

Uma equipe de jogadores bem treinados ou uma comissão técnica integrada e bem articulada são exemplos de unanimidade inteligente. Outro bom exemplo são os pedagogos do esporte, unânimes ao afirmar que o aluno (ou atleta) pode descobrir o prazer de aprender se for devidamente bem estimulado.

E quais aspectos poderiam ser analisados numa equipe que é referência por ter alcançado um título ou a primeira posição da tabela? Aspectos que permitam ir além dos números estatísticos e dos scouts técnicos do jogo e que efetivamente revele a qualidade do trabalho realizado?

Abaixo são apresentados 15 aspectos gerais de uma equipe de futebol, onde cada um é composto de parâmetros específicos e que podem ser coletados no dia-a-dia dos treinamentos e jogos. A análise de cada aspecto pode ser realizada periodicamente, de acordo com os objetivos da comissão técnica.

1. Qualidade Técnica da Equipe;

2. Condição Atlética da Equipe;

3. Padrão Tático de Jogo da Equipe;

4. Perfil Psicológico dos Atletas;

5. Coesão de Grupo – Consciência Profissional Coletiva;

6. Atitude dos Atletas nos Treinamentos;

7. Atitude dos Atletas nos Jogos;

8. Nível Geral de Performance da Equipe;

9. Índice (Ausência) de Lesões;

10. Infraestrutura de Treinamento;

11. Observação Técnico-Tática dos Adversários;

12. Política de Contratações de Atletas;

13. Relacionamento com a Imprensa (para a Direção);

14. Relacionamento com a Imprensa (Comissão Técnica e Atletas);

15. Grau de Cobrança Interna para a Qualidade.

A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, em sua maioria, não seriam notadas.

E muitas vezes, percebe-se que alguns aspectos são mais importantes numa conquista do que a somatória de vários outros juntos.

Quantas equipes campeãs alcançaram um nível de coesão tão grande que superou a falta de qualidade técnica de seus jogadores? Ou vice-versa?

E em quantas oportunidades a política de contratações de atletas causou impacto positivo na melhor classificação da equipe, mesmo com uma fraca infraestrutura para treinamentos? Ou vice-versa?

Essa é a beleza e a complexidade do futebol.

É Gol… Que Felicidade!

trio-e-nilson

Trio Esperança e Nilson César

Replay foi gravado na década de 70 pelo Trio Esperança. Seu refrão tornou-se jingle e sinônimo de comemoração de gol, através da rádio Jovem Pan.

Por muitos anos, José Silvério dividiu com o Trio Esperança o melhor momento do futebol.

Atualmente é Nilson César quem solta a voz antes do Trio, emocionando torcedores de todas as idades.

Sinta toda a emoção na melhor combinação dessas vozes:

Deus Castiga

deus.jpg

Para quem é leitor deste blog, sabe que procuro ampliar as reflexões sobre o universo do futebol ao escrever sobre diferentes ângulos e dimensões deste esporte.

No entanto, neste post, prometo falar de futebol exclusivamente sob a dimensão espiritual:

Investidores e Banqueiros que mentem sobre projetos de longo prazo e que adoram se intrometer na área técnica ao sentir o cheiro do vestiário: Deus castiga!

Diretores de clubes que gostam de investir seu dinheiro nos direitos econômicos dos atletas de seu próprio clube: Deus castiga!

Técnicos e outros profissionais da bola que se esquecem de pessoas que as ajudaram a conquistar uma posição melhor: Deus castiga!

Jornalistas que abdicam do juramento da profissão e passam a atacar profissionais do futebol por interesses financeiros pessoais próprios ou da Instituição em que trabalham: Deus castiga!

Atletas que acreditam estar acima do bem e do mal e esquecem que dinheiro não leva desaforo: Deus castiga!

Presidentes que misturam a gestão de seus clubes com suas vidas particulares: Deus castiga!

Políticos que usam clubes de futebol para projetos de vida pessoal: Deus castiga.