Um Livro às Quintas

n_meros_do_jogo_abre“É inacreditável o quanto você não sabe do jogo que tem jogado a vida toda.” (parafraseando Michael Lewis, autor de Moneyball, o homem que mudou o jogo)

Segue um dos meus trechos preferidos dos autores Chris Anderson e David Sally:

“Ficou para trás o tempo em que se confiava puramente no instinto, no palpite e na tradição para saber o que era bom e mau futebol. Em vez disso, agora podemos recorrer a provas objetivas. O uso de informações objetivas está mexendo com o equilíbrio do jogo bonito. O futebol não é mais comandado por uma mistura de autoridade, costume e adivinhação, e está entrando em uma fase nova, mais meritocrática.

Isso é uma ameaça para os poderosos tradicionais do esporte, porque indica que eles deixaram de ver alguma coisa, durante todo esse tempo.

Nesse sentido, o futebol é um pouco de religião: sempre houve a percepção de que, para se tornar um especialista, era preciso ter nascido no lugar certo e ter sido iniciado nos rituais desde a mais tenra idade. O futebol tem credos, dogmas, a comunhão com os coirmãos, confissões, códigos de vestimenta, rituais de imersão, cantorias e tudo o mais.

Mas, se os dados permitem que qualquer um se torne um especialista, alguém com uma opinião bem embasada, aqueles que praticam os métodos antigos se tornam menos poderosos, menos especiais, mais sujeitos a questionamento. No limite, eles podem acabar sendo desmentidos; e quanto mais forem desmentidos, menos poder terão.

Se eles são os sacerdotes e os fazedores de papas, nosso papel, como autores de Os números do Jogo, é ensinar a você como ser e como apreciar os iconoclastas e os combatentes da reforma do futebol.”

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Os Números do Jogo também é um relato honesto sobre a menos romântica das situações: o momento em que o futebol parou de ser 100% jogado no campo para ser pré-definido em números. 

Mas como não ser romântico sobre futebol quando o fator humano está presente em cada momento do jogo e insiste em ignorar nossas certezas?

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Um Livro às Quintas

“Una red de significado interpretada desde el paradigma de la complejidad”

El Modelo de Juego del FC Barcelona – Oscar P. Cano Moreno

MC Sports, 2010.

Oscar Moreno condena e derruba a barreira existente entre teoria e prática, nos conduzindo pelo sinuoso universo das teorias dos sistemas dinâmicos e nos convidando a entender a complexidade do jogo –  desde as evidências da imprevisibilidade à análise minusciosa da construção do modelo de jogo do F.C. Barcelona.

Leitura para Entender de Futebol

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Se você acredita que para entender de futebol basta apenas ler e saber tudo sobre futebol, este livro não é indicado para você.

O Andar do Bêbado, do físico americano Leonard Mlodinow, oferece uma didática introdução aos mecanismos do acaso, nos quais estamos direta ou indiretamente enredados.

A ilusão de que temos o conhecimento necessário para controlar as variáveis mais doidas do mundo cotidiano – como os números de uma roleta – provoca equívocos nas mais diversas atividades.

Em todos os esportes profissionais, o técnico de um time costuma ser responsabilizado quando amarga várias derrotas sucessivas. É comum que ele seja demitido e substituído por outro…

Economistas já fizeram análises rigorosas dos resultados obtidos por equipes que mudaram de técnico e chegaram a uma conclusão que surpreende torcedores e cartolas: a mudança não faz diferença, porque, com perdão do trocadilho, há muitas outras coisas em jogo.

A moral do livro de Mlodinow é que fracasso ou sucesso estão sujeitos a forças que nenhum sistema ou indivíduo pode controlar plenamente. A consciência do acaso pode ser libertadora.

Um Livro às Quintas


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“O Código do Talento”, Daniel Coyle

Editora Agir, 2009.

Você, profissional do futebol ou pretendente a: este é o livro mais importante e útil que você lerá este ano.

Harvards de Fundo de Quintal

Em dezembro de 2006, comecei a visitar lugares minúsculos que produziam um número estratosférico de talentos.

“Minha jornada teve inicio em Moscou, numa quadra de tênis em péssimo estado, e, nos 14 meses seguintes, levou-me a um campo de futebol em São Paulo, no Brasil, a uma escola de canto em Dallas, no Texas, a uma escola no centro histórico de San Jose, na Califórnia, a uma surrada academia de música na região de Adirondacks, em Nova York, a uma ilha dominada pelo beisebol, no Caribe, e a mais uma porção de locais tão pequenos, humildes e fantasticamente bem-sucedidos a ponto de um amigo apelidá-los de “Harvards de fundo de quintal“, em óbvia referência àquela que é tida como a melhor universidade do mundo”

Um Livro às Quintas


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Games em Educação – como os nativos digitais aprendem, João Mattar

Editora Pearson, 2008.

“Introdução

5ª Série (6º Ano).

Fase 1

Aula de História. A professora fala sobre a Mesopotâmia. Escreve na lousa, com giz. Apaga com o apagador. O aluno ouve.

Em casa, o aluno estuda sozinho. No livro didático, ele lê sobre os rios Tigres e Eufrates, sobre a estrutura da sociedade mesopotâmica, sobre sua arquitetura, sobre sua religião, sobre o Código de Hamurábi.

Prova individual e sem consulta. Onde se localizava a Mesopotâmia? Quais as características da civilização mesopotâmica? O que significa zigurate?

Fase 2

Jogando Age of Empires. O jogador divide o controle da Babilônia com um colega e precisa utilizar estratégia e diplomacia para passar pelas idades da Pedra, do Bronze e do Ferro, enfrentando outras civilizações, controladas por outros jogadores.

Os jogadores precisam conseguir comida, madeira, ouro e pedra, dentre outros recursos e administrar cidades, casas, locais de armazenamento, templos etc.

É assim que a educação dos nossos jovens está hoje brutalmente segmentada: na escola, o ensino de um conteúdo descontextualizado que o aluno tem de decorar, passiva e individualmente.

Nos games, o aprendizado em simulações que o próprio jogador ajuda a construir, ativa e colaborativamente.”

Um Livro às Quintas

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“Qual será o efeito a longo prazo de digitalizarmos a nossa vida? E de delegar a nossa memória a terceiros…”

Via Tiago Doria

Terceirização da Memória. Este é o termo que o autor Gordon Bell utiliza quando se refere ao fato de, aos poucos, não nos preocuparmos mais com a memorização dos números de telefone, por exemplo. Mas, sem perceber, a cada dia estamos tentando “expandi-la”.

Muito do desenvolvimento humano sempre teve como base uma constante busca por uma memória expandida. Em parte, a invenção da escrita surgiu para suprir as limitações da biomemória. Escrevemos para guardar coisas, para certificarmos que não vamos nos esquecer.

O diferencial é que, na última década, houve uma explosão desse processo graças ao crescente barateamento das tecnologias de captar, armazenar e recuperar informações. Nunca registramos tantos momentos das nossas vidas como hoje em dia.

Um celular equipado com câmera de vídeo e foto, integrado a um site de compartilhamento de imagens, abre caminho para que possamos registrar todos os momentos de nossas vidas. E ainda recuperá-los a qualquer momento, bastando digitar uma palavra-chave no campo de busca.

Enfim, ficou muito fácil captar, armazenar e recuperar informação pessoal. No entanto, essa facilidade gera questões. Qual será o efeito a longo prazo de digitalizarmos a nossa vida? E de delegar a nossa memória a terceiros, no caso, computadores e programas que lembram desde uma data de aniversário até aquela primeira longa conversa que tivemos com uma pessoa no MSN?

Ficaremos mais preguiçosos? Ou serão abertos novos horizontes ao podermos recuperar facilmente cada momento das nossas vidas?

Um Livro às Quintas


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Sociologia Crítica do Esporte, Valter Bracht

Editora Unijuí, 2005.

Com esta obra o autor pretende atingir basicamente dois objetivos: oferecer à comunidade da Educação Física brasileira e de áreas afins uma síntese das principais críticas de cunho sócio-filosófico ao esporte e contribuir para o avanço da avaliação e do entendimento crítico das funções sociais e do significado humano do fenômeno esportivo.

Obra que representa um grande passo ao desenvolvimento das pesquisas sociológicas do esporte no Brasil, colocando em debate grandes correntes de pensamento e alcançando destaque nas ciências sociais em geral.


Um Livro às Quintas

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Do Dom à Profissão, Arlei Sander Damo.

Editora Hucitec, 2007.

Ao contrário do que se imagina seguidamente, para ser jogador profissional de futebol não basta talento. A formação de futebolistas é um processo extremamente competitivo.

Este livro explicita a trama social e simbólica que constitui o poder de sedução da profissão de jogador.

A partir de um detalhado estudo etnográfico, realizado no Brasil e na França, o livro explora as práticas dos agentes e das agências que gravitam no entorno de jovens em vias de converterem o dom em profissão.

Há 40 Anos

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1969

No Futebol…

… Pelé fazia o milésimo gol.

… o estádio Beira Rio era inaugurado.

… Tostão era o artilheiro das Eliminatórias para a Copa do Mundo no México.

… desfilavam craques pelos gramados do país: Leivinha, Almir, Rivellino, Pelé e tantos outros.

… o Estudiantes da Argentina era campeão da Libertadores.

Fora das Quatro Linhas…

… os Beatles faziam seu último show, no terraço do prédio de sua gravadora.

… o mundo via o homem pisar na Lua.

… o Ato Institucional nº 5 dava poderes extraordinários ao Presidente da República do Brasil.

… o escritor José Sarney publicava o livro “Norte das Águas”, que contava as desgraças das vítimas do sistema político.

Um Livro às Quintas

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“A história do menino que queria ser como José Mourinho”

Ganda Bomba, o Pequeno Treinador – Manuel Arouca

Oficina do Livro, 2006.

Lourenço Figueiredo tem doze anos, vive em Cascais e gosta de jogar Football Manager. O seu pai, técnico de futebol, é contratado pelo clube Estoril Praia. Lourenço vive intensamente os jogos de futebol da equipe do pai, ao mesmo tempo em se que se encontra apaixonado por Sofia, a garota mais linda da 7a série.

Quem não gosta do mundo do futebol é a mãe de Lourenço – uma mulher carinhosa e cheia de garra, com quem ele desabafa os seus desamores – e a sua irmã, uma garota capaz de fazer cair o queixo de qualquer adolescente.

O Pequeno Treinador narra as aventuras que farão nos recordar de nossas próprias histórias: a relação com a família, os amigos, os amores e a euforia contagiante do futebol.

Um Livro às Quintas

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“One ginger Pelé

There’s only one ginger Pelé!

One ginger Pelé, there’s only one ginger Pelé!”

(Canção em homenagem a Gary Doherty, ídolo dos Spurs no início da década, cantada em ritmo de ‘Guantanamera’)

One Ginger Pelé! – Chris Parker

New Holland Publishers, 2008.

O livro desta semana é uma preciosidade trazida da Inglaterra, onde humor e cultura alternam-se durante suas 96 páginas. São os principais cânticos e canções das torcidas inglesas, divididos em várias categorias, dentre elas: atletas favoritos, atletas marcados, adversários odiados, managers etc.

Aliás, a quantidade de assuntos sobre futebol já publicados no Reino Unido é ampla e fascinante para quem busca informação e conhecimento sobre o esporte mais praticado do planeta.

Futebol na WaterStone’s

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Hoje tirei a tarde para visitar a seção de esportes da WaterStone’s da Piccadilly, uma das maiores redes de livrarias do Reino Unido.

Imagine um andar inteiro dedicado aos esportes. Podemos nos perder entre anuários, publicações sobre pilates ou edições de técnicas de alpinismo, por exemplo.

E como não podia deixar de ser, numa seção privilegiada de aproximadamente uns 60 metros quadrados, livros, livros e mais livros sobre futebol.

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Livros sobre clubes ingleses e de todo o mundo, biografias de atletas (várias do Rei Pelé inclusive!) e de muitos técnicos, livros sobre história, filosofia, tática, psicologia, business… uma verdadeira perdição para quem gosta de livros e futebol.
Acho difícil encontrar em nosso país alguma livraria – inclusive a querida Livraria Pontes! – que ofereça tanto conteúdo sobre futebol em tantos países.
Durante minha estadia em Londres voltei mais duas vezes à WaterStone’s da Piccadilly. Numa delas, cruzei com um 007 famoso – Roger Moore. Na outra, assisti a um speach de Philip Norman, autor da mais recente biografia de John Lennon.
Em todas as vezes, deixei alguns pounds no caixa da loja.
E em todas as vezes, o mesmo pensamento ao sair: quanto estará pesando minha mala agora?