Life’s for Sharing

Life’s for Sharing

O comercial da T-Mobile na Inglaterra tornou-se um dos melhores e mais bem produzidos virais da internet há alguns meses.

Vale começar a semana ouvindo a bela seleção musical desta produção, que reuniu mais de 350 dançarinos.

Inglaterra, o verdadeiro país do futebol

DSC07543.JPG

Por Marcos Alvito (Revista Super Interessante – Setembro de 2008)

A grama, impecável, é cortada a cada dois dias. Mas os jogadores treinam em outro campo. Ninguém pode pôr os pés ali quando não é dia de jogo oficial, fora o zelador. O estádio tem cadeiras para todos os espectadores, vestiários confortáveis, banheiras de hidromassagem e sala de fisioterapia para os jogadores. Você pode comprar seu ingresso pela internet e recebê-lo pelo correio, com lugar marcado e seu nome impresso. Há uma linha especial de ônibus para levar os torcedores, saindo da estação de trem da cidade. No dia do jogo, o clupe põe a venda um programa com as escalações, entrevistas, informações detalhadas sobre o time adversário: história, estatísticas e análise de cada um dos jogadores. Não estamos falando de um grande time europeu. Mas do pequeno Oxford United, que disputa a Blue Square Premier. Traduzindo: a 5ª Divisão da Inglaterra.

Qualquer comparação com o Brasil pode soar leviana. Nosso PIB por habitante não dá nem um terço do da Grã-Bretanha (são US$9.500 contra US$35.500). Mas, se você pensar que existem 40 mil clubes na Inglaterra, contra 13.500 por aqui, e que a média de público da 2ª Divisão deles é 50% maior que a do Campeonato Brasileira da 1a, vê que o país do futebol é outro: uma nação em que o interese pela bola é grande a ponto de os maiores jornais ingleses, como The Guardian, The Times e Daily Telegraph, publicarem os resultados até da 7ª Divisão.

Não é à toa. O futebol está tão enraizado na cultura inglesa quanto o idioma que eles falam. A febre começou na Idade Média, bem antes de a esquadra de Cabral atracar por aqui. Em dias festivos, grupos de aldeões do país todo se batiam-se contra outros tentando levar uma bexiga de boi cheia de ar até o fim do campo inimigo. Em 1863, a The FA (The Football Association) unificou a miríade de jogos regionais derivados desse tipo de brincadeira e o futebol foi adotado com imediato fervor pela classe operária, que, jogando ou assistindo, fez do futebol uma religião.

Essa história explica a força dos times locais. Toda cidadezinha tem seu clube, com seu estádio e seus torcedores fiéis. Fiéis mesmo: muitos times tiveram seus primeiros estádios erguidos graças a doações de torcedores. Também é normal ir a um jogo da 9ª Divisão onde o bar do clube é administrado por torcedores que trabalham ali sem ganhar um tostão.

E, na falta de clube, até hoje pessoas se juntam e formam um. Foi o que fez o ex-jornalista esportivo Will Brooks. No ano passado, ele abriu um site, o Myfootball-Club.co.uk e começou a coletar dinheiro para fundar um time. Não um time dele, mas de todo mundo que doasse as 35 libras que ele pedia como aplicação. O clube funcionaria como uma grande cooperativa. Cada um dos sócios poderia votar tanto em questões administrativas como para decidir a escalação do time. Sim, sim, parece uma idéia de jerica. Mas funcionou. Em novembro de 2007 Brooks já tinha 20 mil “sócios” e comprou um clube que andava mal das pernas, o Ebbsfleet United, por 700 mil libras. E dentro de campo também deu certo: em maio deste ano, o Ebbsfleet foi pela primeira vez a Wembley para disputar a final da FA Trophy – uma espécie de copa para times a partir da 5ª Divisão. E ganhou.

Em 2005, um grupo de torcedores do Manchester United fez algo parecido: raivosos depois que um bilionário americano comprou seu time de coração, eles fundaram o FC United of Manchester, que começou disputando um campeonato regional e agora está na 7ª Divisão, depois de ser promovido por 3 anos seguidos. O clube tem 3 mil membros, que tomam todas as decisões em votações democráticas: cada sócio tem direito a um voto. Mil deles já compraram cartões permanentes para assistir a todos os jogos da temporada 2008-9. Em 2010 eles vão começar a construir um estádio próprio. Tudo à base do esforço dos torcedores, sem patronos milionários.

Mas, se por um lado a presença de investidores estrangeiros faz gente como esses ex-torcedores virar a casaca, por outro ela transformou os times grandes da Inglaterra em potências. Veja o caso do próprio Manchester. Em 1990, a receita do clube foi equivalente a R$58 milhões. Em 2007, já tinha saltado para R$786 milhões – mais do que os 10 maiores clubes do Brasil, que somaram R$690 milhões no mesmo ano. Por essas, hoje 3 dos 5 times que mais faturam no mundo são ingleses. E a previsão é que, em 2009, eles sejam 10 entre os 20 mais ricos.
Mas nem tudo é festa: os ingressos são caros (até R$300) e quase impossíveis de encontrar à venda nas bilheterias para jogos dos 4 grandes – Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester. E desses, o Arsenal é o único que ainda não pertence a um bilionário estrangeiro.
É o preço a pagar pelo sucesso desse esporte na ilha onde a bola é mais redonda. No primeiro e ainda inigualável país do futebol.

Futebol na WaterStone’s

piccadilly_xmas.jpg.jpeg

Hoje tirei a tarde para visitar a seção de esportes da WaterStone’s da Piccadilly, uma das maiores redes de livrarias do Reino Unido.

Imagine um andar inteiro dedicado aos esportes. Podemos nos perder entre anuários, publicações sobre pilates ou edições de técnicas de alpinismo, por exemplo.

E como não podia deixar de ser, numa seção privilegiada de aproximadamente uns 60 metros quadrados, livros, livros e mais livros sobre futebol.

DSC07868.JPG  
Livros sobre clubes ingleses e de todo o mundo, biografias de atletas (várias do Rei Pelé inclusive!) e de muitos técnicos, livros sobre história, filosofia, tática, psicologia, business… uma verdadeira perdição para quem gosta de livros e futebol.
Acho difícil encontrar em nosso país alguma livraria – inclusive a querida Livraria Pontes! – que ofereça tanto conteúdo sobre futebol em tantos países.
Durante minha estadia em Londres voltei mais duas vezes à WaterStone’s da Piccadilly. Numa delas, cruzei com um 007 famoso – Roger Moore. Na outra, assisti a um speach de Philip Norman, autor da mais recente biografia de John Lennon.
Em todas as vezes, deixei alguns pounds no caixa da loja.
E em todas as vezes, o mesmo pensamento ao sair: quanto estará pesando minha mala agora?

Apple Store da Regent Street

photo_regentstreet.jpg.jpeg

Sim. A Apple Store da Regent Street merece um post particular. Aliás, merece muitos, mas nem todos que leem este blog são fascinados pela cultura Mac.

Durante o período mini-sabático que fiquei em Londres, o número 235 da Regent Street foi um dos mais visitados por este que vos escreve.

Além de ser um espaço privilegiado no coração da cidade inglesa, tem uma atmosfera agradável e fascinante, envolta por tecnologia e conhecimento com o foco sempre centrado no cliente.

DSC07594.JPG DSC07595.JPG
Além de poder utilizar os mais novos dispositivos, desktops e notebooks sem restrição – com acesso a internet inclusive – os Workshops promovidos pelos experts da Apple são verdadeiras aulas de inglês e de cultura tecnológica.

DSC07597.JPG
Num auditório para aproximadamente 100 pessoas, todos os dias são oferecidos gratuitamente treinamentos e capacitações, dos mais diversos aplicativos e softwares da Apple, voltados ao público em geral. Desde os usuários mais básicos – PC to Mac (como adaptar-se ao mundo mac) até aqueles que utilizam os macs no seu dia-a-dia de trabalho.
A Appe Store foi desenvolvida com o foco voltado ao usuário, ou seja, seja um cliente Mac ou não, as experiências proporcionadas às pessoas que estão neste ambiente são ricas e, dificilmente apreciadas somente uma vez.
E o que é bom, a gente quer mais. O que é ótimo, a gente quer sempre.

Leaders in Football no Chelsea FC

DSC07666.JPG

“Além disso, a maioria destes softwares táticos são verdadeiras autópsias do jogo, ou seja, de nada adianta ter uma leitura ou enxergar uma determinada tendência após o paciente ter morrido. Tais ferramentas teriam a função de alertar comportamentos ou padrões que indiquem perigo ao paciente, ou seja, que a equipe está próxima de levar o gol.”

Hoje terminou o evento de dois dias, o Leaders in Football, direcionado aos “decision makers” do futebol internacional, realizado em Stamford Bridge, casa do Chelsea FC.

A presença de representantes de clubes ingleses e europeus foi ampla. Do Brasil, além da presença do prof. João Paulo Medina, convidado pela organização do evento, reconheci o presidente do Coritiba, Jair Cirino e do colunista da Universidade do Futebol e professor da Universidade de Liverpool, Oliver Seitz.

Palestrantes e representantes de várias entidades dividiram-se nos dois dias, trocando experiências e promovendo o business futebol. O espaço da feira foi ocupado por expositores de diversos países, que apresentaram desde projetos para a construção de estádios aos softwares de leituras tática do jogo.

Aliás, esta é uma frágil realidade que acompanho há algum tempo. A oferta de softwares técnicos no futebol – no Brasil e no mundo – em sua grande maioria, é restrita a opções de organizações táticas online, no auxílio da leitura mais detalhada do jogo. Isso mostra o quanto espaço ainda temos para explorar sobre as questões técnicas, envolvendo o conhecimento de diversas áreas que dão suporte ao campo.

Além disso, a maioria destes softwares táticos são verdadeiras autópsias do jogo, ou seja, de nada adianta ter uma leitura ou enxergar uma determinada tendência após o paciente ter morrido. Tais ferramentas teriam a função de alertar comportamentos ou padrões que indiquem perigo ao paciente, ou seja, que a equipe está próxima de levar o gol.

IMG_0249.JPG DSC07667.JPG

Os principais keynotes nesses dois dias de Leaders in Football, na minha opinião foram:

– MLS (Major Soccer League) – o case de construção da Liga Americana e a explosão do futebol no país, por Joe Roth, um dos fundadores da MLS.

– Desenvolvimento de Talentos – Frank Arnesen, Diretor e manda-chuva do Chelsea FC.

DSC07685.JPG DSC07680.JPG

– Mantendo o passado para o futuro. O case Bundesliga, por Martin Burkhalter, CEO da Virzrt, empresa especializada em capturar, organizar e distribuir conteúdo, em diversas plataformas.

O espaço do evento foi muito bem aproveitado, com o espaço ao ar livre integrado ao gramado do Chelsea, literalmente aproximando os negócios com o campo.

DSC07668.JPG DSC07669.JPG
No final, aproveitei para tirar uma foto com o squad dos Blues e até que saí bem na foto ao lado Lampard e do John Terry… E, é claro, também visitei a mega loja do clube, deixando o Sr. Abramovich um pouco mais rico.
IMG_0256.JPG DSC07674.JPG