Mano Menezes, Treinador das Categorias de Base do Internacional de Porto Alegre

por João Paulo Medina

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Há dez anos novo treinador da seleção brasileira já demonstrava potencial diferenciado

Fico feliz com a notícia de que Mano Menezes é o novo treinador da Seleção Brasileira. Não deixando de considerar as enormes dificuldades que o novo comandante técnico terá que enfrentar, diante da falta de preocupação efetiva da CBF em contribuir para a estruturação do futebol brasileiro, creio que ele poderá levar um pouco de modernidade ao difícil trabalho a ser realizado.

Conheci o Mano no ano 2000. Nesta época eu era Coordenador Técnico do Departamento de Futebol do S. C. Internacional e tínhamos uma vaga para treinador da equipe juvenil. Buscando modernizar o modelo de contratação de nossos profissionais, anunciamos a vaga após definirmos internamente o perfil de profissional que queríamos. Alguns itens deste perfil incluíam que o candidato fosse formado em educação física, atualizado e atento à evolução do futebol em todos os seus aspectos, tivesse experiência com o trabalho de categorias de base, facilidade de comunicação e, sobretudo tivesse ambição de crescimento e liderança.

Lembro-me que recebemos dezenas de currículos de pretendentes ao cargo. Alguns deles meus amigos e que – não obstante suas qualificações – viam nesta amizade um caminho mais curto para que fossem o escolhido.

Após analisar cuidadosamente cada CV, uma equipe formada para este propósito selecionou 5 candidatos para uma entrevista individualizada. Além de mim, faziam parte desta comissão de avaliação, o coordenador e o diretor de futebol das categorias de base e, por um interesse especial e particular, o próprio presidente do clube na época, Fernando Miranda.

Como já havíamos feito uma seleção prévia, não nos surpreendeu o fato de que todos os 5 treinadores e candidatos entrevistados apresentassem boas qualificações. Porém nenhum parecido com as qualidades apresentadas por Mano Menezes. Em pouco mais de meia hora de conversa ele desfilou amor e dedicação por seu trabalho, segurança e convicções sobre vários temas relacionados ao futebol, conhecimentos gerais e específicos e capacidade para lidar com grupos e situações-problema (ou seja, liderança).

Não hesitamos em escolhê-lo como o novo treinador da nossa equipe juvenil. Suas atuações no desenvolvimento do seu trabalho, na sequência, nos deram a convicção de que tínhamos feito a escolha certa.

Deixo registrado aqui este período da carreira do Mano Menezes, já que ele próprio não gosta muito de lembrar-se dele, uma vez que terminada a gestão da diretoria eleita para administrar o Inter nos anos 2000 e2001, foi dispensado pelos novos dirigentes do clube, apesar de suas enormes potencialidades.

Da minha parte fico orgulhoso de ter contado com a participação ativa deste profissional em um trabalho que, sem nenhuma dúvida, resgatou a saúde de um clube que durante muito tempo lutava por sua sobrevivência entre os grandes do futebol brasileiro.

Desejo ao Mano Menezes um pouco de sorte em seu novo desafio já que competência para contribuir com a evolução do futebol brasileiro não lhe falta.

Felipão e Mano Menezes: uma dupla para a Seleção


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Na semana que antecede a divulgação do nome para o cargo de treinador da Seleção Brasileira até a Copa de 2014, ouvi de um sábio uma interessante sugestão.

E se a CBF convidasse para compor sua comissão técnica a dupla Luís Felipe Scolari e Mano Menezes?

Felipão como treinador e Mano Menezes como assistente técnico.

Os salários não seriam um problema para a CBF, nem tampouco a questão de ego dos dois, profissionais bem resolvidos e conhecedores de seus papéis.

Luís Felipe administraria qualquer crise de curto prazo e, com a devida experiência, levaria uma boa e renovada equipe até 2014.

Mano seria preparado para a passagem do bastão, assumindo a equipe para o Mundial de 2018, já conhecedor das dificuldades e pressões que um treinador de Seleção Brasileira tem que passar.

Com dois profissionais deste nível, a (boa) ideia da renovação pretendida pelo presidente Ricardo Teixeira poderia acontecer além da equipe principal, estendendo-se às equipes de base e permitindo uma real intervenção no atual trabalho de convocação dos melhores atletas pelo país, que ainda são chamados com base no “Q.I”.

Afinal, estamos falando de renovação não apenas para 2014.

Os atletas que irão compor a base da Seleção de 2018 possuem hoje entre 11 e 16 anos, portanto já foram captados por algum clube formador.

E onde estão sendo realizados os melhores trabalhos de desenvolvimento de talentos pelo país?

Não responda baseando-se apenas nos clubes que possuem Centros de Treinamento de luxo.

Questiono sobre os métodos de trabalho, ou seja, os processos para desenvolvermos atletas acima da média mundial e que saibam resolver os problemas mais adversos dentro e fora de campo.

Talvez um caminho para esta resposta seja investigar em quantos destes trabalhos a educação tem peso.

E escola pública não conta.

Sobre Heróis do Nosso Futebol

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“…Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional.”

Era inverno e início de semana na fria Porto Alegre. O termômetro da Avenida Independência alertava para uma noite das mais geladas e o dirigente estava naquela mesma mesa, no mesmo restaurante.

Fernando, o presidente do Internacional, organizava a pauta da reunião do dia seguinte enquanto aguardava o jantar, que mais era sinônimo de trabalho-fora-do-expediente do que de refeição, propriamente dito.

Muitas frentes estavam se estruturando e um novo clube parecia nascer naquele gigante da Beira-Rio. Em verdade, as críticas também cresciam nas mesmas proporções e muitos eram os assuntos que circulavam nos programas de TV.

Onde já se viu entrevistar técnico de futebol? Investir em centro de informação e inteligência (Intercenter) pra quê? Universidade corporativa, então? Nós precisamos de jogadores e não de alunos! O Inter irá cair sem nossos principais jogadores! Socorro!

Fernando não se continha em felicidade com o pagamento de boa parte das dívidas, conseguido através da venda de dois atletas para clubes da Europa. Os investimentos futuros estariam voltados ao crescimento sustentado do clube, através de fatores importantes, como a capacitação de profissionais, busca equilibrada de receita e foco no processo de desenvolvimento dos atletas, buscando valorizar cada vez mais o artista da bola.

Tinha uma oportunidade única em tentar mudar a história daquela instituição de pouco mais de 90 anos e que se via cercada pelas mesmices do nosso futebol: dívidas, salários de atletas incompatíveis com a realidade do país, receita concentrada nos direitos televisivos, ausência de um planejamento de longo prazo, ambiente contaminado por empresários de atletas sanguessugas e por aí vai.

Um projeto audacioso que estava sendo conduzido por um engenheiro de formação, homem sério, de gênio forte e pulso firme, capaz de olhar seus atletas e colaboradores nos olhos, dar apoio e transmitir segurança de que esse era o caminho.

Era uma das tarefas mais difíceis de toda a sua vida. Colorado e apaixonado pelo Inter desde guri, havia planejado se tornar presidente de seu clube do coração oito anos antes.

Junto de seu coordenador técnico, homem de confiança e co-responsavel na reestruturação do clube, enfrentou toda uma nação colorada de frente, ao anunciar que uma transformação estava por vir. Jogadores custosos seriam dispensados e outros substituídos, dando lugar a atletas pouco conhecidos, alguns deles já formados no próprio clube.

E o mais fantástico, e talvez, mais chocante para os gaúchos colorados: divulgaram uma previsão que o grande Inter de Porto Alegre poderia voltar a sonhar com um título de expressão somente em 4 ou 5 anos a partir das mudanças.

Estávamos no ano de 2001.

Em determinado momento daquela noite, toca o telefone do dirigente:

– Muito boa noite. É o presidente Fernando?

– Boa noite. Sim, quem é? – responde o dirigente.

– Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional. O senhor poderia me auxiliar com algumas informações?

– Pois não, Luiz. Vou lhe passar os dados do nosso responsável e peço que entre em contato ainda nesta semana, tudo bem? – interagiu o presidente.

– Muito obrigado, Sr. Fernando. Farei este contato o mais breve possível. Agradeço a sua atenção e lhe desejo uma boa noite. – despediu-se Luiz Antonio.

– Boa noite e boa sorte! Será um prazer encontrá-lo por lá. – agradeceu o presidente.

Luiz Antonio é Luiz Antonio Venker Menezes, o Mano Menezes. Um dos principais treinadores e conhecedores da gestão de campo (e de gente!) no futebol da atualidade.

E o presidente Fernando, não é o mesmo que saiu na foto do título mundial do Inter. Nem tampouco é o que passou vergonha há alguns dias com declarações típicas de dirigentes que tentam se passar por heróis.

Seu nome é Fernando Miranda.