Coisas do Futebol 6

Mais uma resposta pra quem vive questionando a nossa paixão pelo futebol…

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Coisas do Futebol 5

Um jogador do Milan é aplaudido em pé por mais de 80 mil pessoas, no Camp Nou, estádio do Barcelona.

E ao término do jogo, recebe o troféu do torneio – vencido pela equipe da casa – como sincero agradecimento de um dia ter vestido a camisa Catalã.

Quem é apaixonado por futebol se emocionou.

E quem já gostava do que o Barcelona produzia dentro das quatro linhas, ficou ainda mais simpático a causa.

Moltes Gràcies Ronaldinho!

O que explica o Internacional

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“…se você pretende dar um passo acima da análise normalmente superficial feita pelos atores envolvidos no futebol, você precisa ir além.”

Via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz.

Analisar sucesso no futebol é sempre uma tarefa complicada e recheada de erros. Quando um time ganha uma partida, isso obviamente faz dele melhor do que o time que perdeu, do contrário o resultado não teria acontecido, independente das variações probabilísticas em curso. Daí a dizer que esse time que ganhou é sempre melhor do que o perdedor ou do que outros com quem ele nem jogou, há um abismo. E esse abismo, muitas vezes, não é respeitado.

Você já leu aqui que futebol é um fenômeno cíclico. Um amigo sabiamente me disse certa vez que todo jogador, independente do quão perna-de-pau for, um dia será chamado de craque. E provavelmente voltará a ser chamado de perna-de-pau pouco tempo depois. O mesmo acontece com times. Todo time será considerado bom em um dia e será considerado ruim no outro, para voltar a ser considerado bom, para depois retornar à ruindade. E assim a roda vai girando. É natural que times passem por ciclos de sucesso e de fracasso.

Esses ciclos, porém, tem sempre alguma motivação. Eles não são decorrentes de processos descontrolados, muito pelo contrário. São frutos de situações, trabalhos e projetos que fazem com que o time obtenha sucesso ou não. Muitas vezes esses processos são invonluntários, o que torna o sucesso instantâneo e breve. Em outras tantas, não.

Assim, se você pretender dar um passo acima da análise normalmente superficial feita pelos atores envolvidos no futebol, você precisa entender que se um time ganha um campeonato, pode ser sim por uma conjuntura única de fatores que dificilmente conseguirá ser replicada. Quando isso acontece, há pouco o que se comentar ou se estudar. Porém, quando um time consegue manter um alto nível de performance por alguns anos em sequência, aí sim há alguma coisa maior acontecendo com ele.

O Atlético Paranaense é um exemplo. No final dos anos 90, o clube conseguiu inventar um mercado novo de atuação, a transferência de atletas medianos. Começou a buscar jogadores desconhecidos e revendê-los para clubes mais ricos no Brasil e, principalmente, no exterior. Com isso, o clube conseguiu ampliar consideravelmente sua receita, o que o levou a entrar em um ciclo de vitórias que teve a primeira clara manifestação em 2001, com o título brasileiro, e terminou em 2004, com o vice-campeonato. A partir dali, o mercado que ele criou passou a ser ocupado por outros clubes, como São Paulo e Cruzeiro.

Em 2002, com a revelação de uma excepcional safra de jogadores, o Santos conseguiu iniciar um ciclo que resultou em dois títulos nacionais e durou até 2007. Em 2005, o São Paulo, com a atuação forte no mercado de empréstimos e de jogadores em fim de contrato, conseguiu criar um outro ciclo de sucesso, que pode ou não estar próximo do fim, possivelmente por conta da entrada de grupos de investidores no mercado, que criou uma nova fase no mercado de jogadores brasileiros e tornou escassa a disponibilidade de jogadores minimamente talentosos por um preço razoavelmente baixo.

O grande beneficiário dessa nova fase do mercado de transferências, com grandes grupos atuantes, parece ser o Internacional, que se relaciona muito bem com estes grupos e tem uma ligação quase que de mecenato com um dos maiores investidores existentes. E esse ciclo, que só se tornou possível por conta de grandes reformulações que o clube no início desse século, é o que pode explicar o grande sucesso do time, que culminou com a nova conquista da Libertadores.

Muito vai se dizer nos próximos dias sobre como que o programa de sócios do Internacional é fundamental para o sucesso do clube. Por mais que o programa seja louvável, porém, a influência dele no sucesso do time é mínima. Se muito, pode complicar o clube no futuro próximo, já que muitos desses mais de 100 mil sócios vão querer se eleger para a presidência ou diretoria, o que possivelmente tornará a disputa política interna algo com um potencial bastante destrutivo para a estrutura administrativa do clube, que precisará ser recheada de acertos, arranjos e favores políticos. No mais, independente dos sócios, a média de público do clube gira em torno de 17 mil torcedores, o que é pouco para ser considerado uma força diferenciada em relação a outros clubes.

Aparentemente, o que responde mesmo pela qualidade recente do time é a enorme habilidade do clube em negociar com diferentes grupos privados, seja na venda ou na compra de atletas, tanto nas equipes de base quanto na equipe profissional. Ao que tudo indica, o Internacional faz isso muito, muito bem, o que é louvável. Resta agora apenas saber quanto tempo vai levar para que o mercado mude ou para que alguém comece a fazer isso melhor do que ele.

Coisas do Futebol

A reação dos americanos no gol de Landon Donovan, já nos acréscimos, classificando os EUA para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2010.

New York

Los Angeles

Nebraska

Texas

Compilação de várias localidades, nos EUA e pelo mundo

E, finalmente, o gol:

Pontos de Vista

via Blog do Juca

É sabido que os brasileiros amam odiar os argentinos e os argentinos odeiam amar os brasileiros.

Mais que isso, no entanto, os argentinos têm de si mesmos uma visão que não bate com a que o mundo têm deles.

Pelo menos é o que mostra este brilhante filmete de uma canal esportivo de lá.

O Cambista Oficial da Copa do Mundo

Quantos brasileiros conseguirão comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem ágio?

Em 2006 na Alemanha, Brasil e Gana faziam em Dortmund o primeiro jogo da segunda fase. A equipe de Ronaldo venceria por 3 a 0 e iria enfrentar a França de Zidane e Henry…

Neste mesmo dia, gravei um vídeo que somente agora consegui editar e que revela a existência de um esquema para a venda de ingressos da Copa do Mundo.

Perdoem-me, mas a edição não é das melhores. Nem a gravação…

Notem o barrigudo de óculos e camisa amarela da seleção sem escudo. Vou chamá-lo a partir de agora de ‘cambista-oficial’.

Numa BMW X5 preta, acompanhado por uma mulher que nunca deixava o carro, ele surgia nos arredores dos estádios onde o Brasil faria seus jogos e organizava a venda de ingressos oficiais da FIFA, conforme poderão conferir no vídeo.

As vendas eram diretas ou intermediadas por alguns “laranjas” (senhor de agasalho azul-marinho no vídeo) e que eram cooptados pelo próprio ‘cambista-oficial’ na porta dos estádios.

Foram gravados vários atos de venda, e o mais nítido está identificado a partir do trecho 01′ 20″ do vídeo, onde se vê claramente a troca de ingressos por dinheiro.

Consegui gravar alguns dos ingressos vendidos pelo cambista-oficial’ e registrar a quem supostamente deveriam estar endereçados.

Abaixo, segue a relação de nomes que aparecem nestes ingressos:

Rony Anderson Rezende, Flávio Talarico, Osmarina Theis, Elton Tedesco, Lincoln Berretta, Sueli Raymundo, José Lima e Eduardo Barella.

Um dos ingressos vendidos pelo 'cambista-oficial'.

E todos eles pertenceriam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ou pelo menos é o que está gravado em cada ingresso.

Caso sejam nomes reais, poderiam ajudar a esclarecer o porquê de seus ingressos estarem sendo comercializados por um ‘cambista-oficial’ na Copa do Mundo.

Naquele mesmo dia, a partir do depoimento de um dos laranjas, soubemos que o esquema de distribuição dos ingressos para os “cambistas-oficiais” era realizado num hotel de luxo em Frankfurt, com direito a um andar privativo, diga-se de passagem. Em média, cada ‘cambista-oficial’ recebia de 300 a 500 ingressos por jogo. Aliás, este mesmo laranja já estava ‘escalado’ para ‘trabalhar’ no jogo entre Brasil e França.

Ou seja, um sistema semi-profissional de comercialização de ingressos. Vendido por brasileiros e comprado por brasileiros.

Pergunta: quantos de nós irão conseguir comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem “ágio” ?

No Anonimato da Multidão

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Pesquisa derruba mitos sobre os componentes de torcidas organizadas

via Carta Capital

Marginais. É assim que muita gente enxerga quem participa de torcidas organizadas de futebol, especialmente se no jogo houve alguma briga, tumulto ou morte. É mais fácil imaginar que sejam vândalos, bárbaros, do que se confrontar com uma realidade que pode surpreender: talvez sejam gente comum. É o que constata em trabalho inédito a pesquisadora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Heloisa Reis. “Os resultados põem por terra a generalização de que torcedores organizados são vadios.”

Para chegar a essa conclusão, a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol fez um perfil minucioso do torcedor organizado. O trabalho, a que CartaCapital teve acesso, será concluído em setembro e pesquisou 813 filiados da maior torcida organizada de cada um dos três principais times da capital paulista (Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Além de informar as características sociais, eles opinaram sobre as causas da violência dentro e fora dos estádios. Interessada nesse tema, Heloisa pesquisou apenas o gênero e a faixa etária dos principais algozes e vítimas de atos violentos – homens entre 15 e 25 anos.

Em vez de pobres marginalizados, encontrou rapazes instruídos, de famílias estruturadas. “Os torcedores organizados têm bom nível educacional, moram com os pais e, além disso, têm noção da própria responsabilidade nos acontecimentos violentos”, expõe Heloisa. O próximo passo será pesquisar todo o País. Conhecer a fundo o torcedor é, segundo a pesquisadora, indispensável para enfrentar a violência de forma eficaz. “Na Europa, as mudanças partiram desse diagnóstico.”

Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, os resultados reforçam a convicção de que não faz sentido marginalizar o torcedor organizado. “São grupos legítimos com quem o Estado precisa dialogar cada vez mais”, disse à CartaCapital. O ministério financiou o estudo.

Apesar de cores e hinos diferentes, a condição social e as opiniões de palmeirenses, são-paulinos e corintianos são muito parecidas. “As informações se repetem independentemente do time”, diz Heloisa. E morre outro clichê: o de que existem torcidas da elite e outras mais carentes.

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