Não estou desmerecendo o nobre esporte bretão de botão… longe disso. Aliás, esporte de mesa apaixonante que me traz saudosas recordações nos confrontos com meu irmão.
Por exemplo, do “homem-gol”, o camisa 11 do Vitória. Seu poder ofensivo era inacreditável. Bastava encostar a palheta com certa habilidade que a bolinha de feltro tinha endereço certo: as caprichosas redes de filó do meu Estrelão.
Mas voltando ao “xingamento”, mandar o juiz apitar jogo de botão era o meu teste de autoridade preferido nos tempos em que eu era bom de bola.
Lembro-me até de uma passagem, onde o treinador do selecionado sub-14 em que jogava, procurando inibir seus atletas a não tomar cartões, repetiu por diversas vezes no vestiário que para aquele jogo em especial, não existiria cartão vermelho. O cartão amarelo seria o suficiente para irmos pro chuveiro mais cedo.
Como as regras sobre cartões mudavam quase sempre para as categorias de base, achei normal o reforço do treinador.
Lá pela metade do primeiro tempo, após algumas botinadas dos zagueiros adversários, me levantei de mais uma falta e encarei o juiz lhe perguntando se não tinha cartão…
Cinicamente, o árbitro veio ao meu encontro e me presenteou com o cartão amarelo. “Tem sim! Esse é só pra você…” – disse o homem de preto.
Recordando-me da preleção do treinador e já me imaginando no chuveiro, educadamente solicitei ao digníssimo que fosse apitar jogo de botão.
E para a minha surpresa, um outro cartão saiu do bolso esquerdo do peito do árbitro, agora da cor vermelha.
Foi o suficiente para eu encarar o juiz com cara de bobo, abaixar a cabeça, seguir pro vestiário e tomar um banho refletindo se o meu treinador estaria preparado ou não para comandar o “homem-gol” no meu Estrelão.
O termo “campo de distorção da realidade” foi criado por Bud Tribble em 1981, na época, um dos figurões da Apple, e descreve a habilidade de Steve Jobs em conseguir convencer as pessoas a acreditarem em qualquer coisa com uma mistura de charme, carisma, performance, exagero e marketing.
Existem pessoas que levam isso bem a sério, já outros (principalmente os fãs da marca) juram que nada seria possível se os produtos da Apple não fossem realmente “incríveis, maravilhosos, práticos, fáceis, bonitos…”
Fico imaginando se o futebol brasileiro não vive um pouco desse ‘campo de distorção da realidade’.
Onde nossos cinco títulos mundiais e a perspectiva de um sexto chegando, acabam por distorcer nosso campo de visão sobre o que é ter o melhor futebol do mundo.
E fica a pergunta: o que é ter o melhor futebol do mundo?
Primeiro, que não pude dedicar-me o quanto gostaria, em função de um extenso projeto de pesquisa para seleção de mestrado.
E segundo, porque o último post O Cambista-Oficial da Copa do Mundo rendeu além de milhares de acessos, um relativo trabalho em retornar as dezenas de emails e comentários de indignação com a denúncia.
E para começarmos bem a semana, publico um maravilhoso anúncio espanhol do Atlético de Madrid, que retrata a Guerra Civil de 1937 e o poder do futebol em mudar as coisas.
“É só pelo futebol que as pessoas esquecem de política, da rivalidade entre suas tribos e da pobreza que assola o nosso continente. O futebol consegue reunir num mesmo local o presidente, o ministro e o homem comum, todos torcendo pelo mesmo objetivo: o gol.”
Mini documentário produzido pela Coca-Cola, utilizado na campanha da Copa do Mundo da África 2010.
Tema do filme ‘Once’, produção independente irlandesa que levou o Oscar de melhor canção original em 2008. O filme foi gravado com duas câmeras semi-profissionais e com muito sentimento. O resultado é de uma simplicidade absolutamente bela e merece ser apreciado por todos aqueles que encontram na música grandes respostas.
Eduardo Conde Tega acredita que o Brasil poderá um dia, enfim, tornar-se um centro de excelência na formação de profissionais do futebol.
Também sonha em ver o Brasil como uma nação de primeiro mundo, onde a educação e a verdadeira cidadania possam ter o valor e destaque que devidamente merecem.
O GEF - Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol foi criado em 2003 motivado pela necessidade de reunir alunos de graduação e pós-graduação interessados no debate sobre futebol numa perspectiva histórica e sociológica na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Em 2004 o grupo foi registrado na base de dados do CNPq.