Caderno de Campo

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Uma Universidade do Futebol para o Brasil

26/07/2010 · Deixe um comentário

Editorial de 7 Anos da Universidade do Futebol

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Uma condição para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol

Em pleno século XXI e em meio a um processo acelerado de globalização, dizer que o Brasil – e só ele – é o “país do futebol” parece um pouco de exagero, alimentado por um sentimento nacionalista exacerbado muito comum entre nós. Sentimento que não se sustenta quando se verifica cuidadosamente a evolução do futebol ocorrida em outros países, bem como quando se constata que este fenômeno esportivo cada vez mais é também capaz de despertar as mais inusitadas emoções em povos de diferentes culturas, ideologias e religiões pelo mundo afora.

Como afirma o destacado treinador francês Arsène Wenger, “o futebol pertence a todos nós. O mundo inteiro joga. É claro que alguns jogam melhor do que outros, mas todos sabemos como é correr e chutar uma bola… Em todos os continentes, o futebol é uma linguagem e uma cultura comum a todos: alegria, paixão, saber o que é estar num time, fuga, inspiração e afirmação de identidade”.

É inegável que entender o significado social do futebol se constitui em fator fundamental para se entender a “alma brasileira”, mas também o é para entender a cultura contemporânea nos dias de hoje. Como afirmam alguns sociólogos, o futebol explica a vida. E para esta compreensão não se pode deixar de considerar o movimento de globalização determinado pelo modelo econômico hegemônico no mundo.

Encerrada a 19ª. edição da Copa do Mundo, realizada na África do Sul, a primeira disputada em território africano – e igualmente reflexo deste contexto econômico –, o Brasil começa a se preparar com mais intensidade para a organização do seu Mundial.

Independentemente de sermos a favor ou contra a realização deste megaevento em nosso país (o raciocínio também serve para a Olimpíada-2016, no Rio de Janeiro), o fato é que salvo algo muito excepcional ele vai ser concretizado.

Nós, brasileiros, estamos, portanto, diante de uma questão fundamental: de que lado penderá a correlação de forças entre os interesses unicamente financeiros e de poder pelo poder, muitas vezes sem qualquer limite ético ou ideológico, e aqueles interesses representados pela oportunidade de, a propósito desses megaeventos, acelerarmos o nosso processo de desenvolvimento garantindo, de fato, um legado não só esportivo, mas social, cultural e educacional para o Brasil?

É neste cenário que a Universidade do Futebol busca o seu posicionamento. Como vimos, o futebol é manifestação de fundamental relevância não só no Brasil como no mundo todo e como tal pode ser uma excelente alavanca de crescimento sob diferentes aspectos. Nosso projeto, fruto do esforço de alguns abnegados e de muitos colaboradores ao longo dos anos, conseguiu – desde 25 de julho de 2003, quando foi lançado na internet com o nome de Cidade do Futebol – atrair milhares de usuários que acreditam que o futebol pode ser tratado com seriedade e profissionalismo, sem, contudo, perder sua magia, beleza e arte.

Esta constatação de estar contribuindo para a melhor capacitação e reflexão crítica em um ambiente ainda demasiadamente conservador e reacionário nos dá também a medida dos obstáculos que teremos pela frente, uma vez que acreditamos que o nosso sucesso está atrelado aos desafios do nosso próprio crescimento enquanto Nação.

Desde a década de 1980 que o Brasil busca consolidar o seu processo democrático. Com muitos avanços e – temos que reconhecer – com alguns retrocessos, nossas instituições – que garantem o funcionamento de nossa sociedade – são obrigadas por força popular a serem cada vez mais transparentes. Uma transparência que infelizmente ainda não atingiu certos setores, entre eles as instituições futebolísticas.

Como disse Arsène Wenger, o futebol pertence a todos nós, é patrimônio de toda a humanidade e, portanto, não pode pertencer a esta ou àquela instituição, como se eles fossem os seus proprietários, como muitas vezes nos dá a entender certas posturas de CBF e Fifa, para ficar em apenas dois exemplos.

Este é o embate. Neste momento em que o Brasil vai realizar dois grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, todos nós que somos apaixonados pelo futebol temos que entender também o nosso papel como cidadãos e lutarmos pela transparência de nossas instituições e a consolidação, o mais rápido possível, deste processo de democratização.

É neste sentido que a Universidade do Futebol, ao comemorar 7 anos de existência, está propondo a mobilização da sociedade – gostemos ou não do futebol – em busca desses ideais de construção de um ambiente mais transparente e, por consequência, mais democrático em nosso país, através do futebol e do esporte de forma geral.

Não podemos mais continuar vendo passivamente os interesses puramente financeiros e de busca pelo poder a qualquer preço prevalecerem. Da mesma forma que – em se tratando de futebol – não podemos nos contentar em sermos apenas exportadores de bons futebolistas. Há muita coisa para ser feita no “país do futebol”.

Muitas novas tarefas devem ser incluídas na agenda que antecede a realização da Copa do Mundo no Brasil. A primeira delas é cobrar mais transparência de todas as instituições governamentais e não-governamentais envolvidas nesta agenda. A outra é repensar de forma estratégica a infraestrutura e o modelo de organização em que se sustenta o futebol e o esporte brasileiros. Para isso é preciso compreender o futebol (e o esporte) para além de seus aspectos puramente técnicos ou administrativos.

Há também dimensões sociológicas, filosóficas, artísticas, entre outras, que não podem ser desprezadas. Como nos ensina o filósofo Manuel Sérgio, “para saber de futebol é preciso saber mais do que futebol.”

É nesse sentido que se justifica a existência de uma Universidade do Futebol em nosso país. Em um mundo em crise econômica, o Brasil se insinua como uma força emergente. Nesta perspectiva, temos amplas condições de realizar não só uma memorável Copa do Mundo, mas, sobretudo, aproveitarmos este momento para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol e na esteira da construção de uma sociedade mais democrática e justa.

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Mano Menezes, Treinador das Categorias de Base do Internacional de Porto Alegre

25/07/2010 · 1 comentário

por João Paulo Medina

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Há dez anos novo treinador da seleção brasileira já demonstrava potencial diferenciado

Fico feliz com a notícia de que Mano Menezes é o novo treinador da Seleção Brasileira. Não deixando de considerar as enormes dificuldades que o novo comandante técnico terá que enfrentar, diante da falta de preocupação efetiva da CBF em contribuir para a estruturação do futebol brasileiro, creio que ele poderá levar um pouco de modernidade ao difícil trabalho a ser realizado.

Conheci o Mano no ano 2000. Nesta época eu era Coordenador Técnico do Departamento de Futebol do S. C. Internacional e tínhamos uma vaga para treinador da equipe juvenil. Buscando modernizar o modelo de contratação de nossos profissionais, anunciamos a vaga após definirmos internamente o perfil de profissional que queríamos. Alguns itens deste perfil incluíam que o candidato fosse formado em educação física, atualizado e atento à evolução do futebol em todos os seus aspectos, tivesse experiência com o trabalho de categorias de base, facilidade de comunicação e, sobretudo tivesse ambição de crescimento e liderança.

Lembro-me que recebemos dezenas de currículos de pretendentes ao cargo. Alguns deles meus amigos e que – não obstante suas qualificações – viam nesta amizade um caminho mais curto para que fossem o escolhido.

Após analisar cuidadosamente cada CV, uma equipe formada para este propósito selecionou 5 candidatos para uma entrevista individualizada. Além de mim, faziam parte desta comissão de avaliação, o coordenador e o diretor de futebol das categorias de base e, por um interesse especial e particular, o próprio presidente do clube na época, Fernando Miranda.

Como já havíamos feito uma seleção prévia, não nos surpreendeu o fato de que todos os 5 treinadores e candidatos entrevistados apresentassem boas qualificações. Porém nenhum parecido com as qualidades apresentadas por Mano Menezes. Em pouco mais de meia hora de conversa ele desfilou amor e dedicação por seu trabalho, segurança e convicções sobre vários temas relacionados ao futebol, conhecimentos gerais e específicos e capacidade para lidar com grupos e situações-problema (ou seja, liderança).

Não hesitamos em escolhê-lo como o novo treinador da nossa equipe juvenil. Suas atuações no desenvolvimento do seu trabalho, na sequência, nos deram a convicção de que tínhamos feito a escolha certa.

Deixo registrado aqui este período da carreira do Mano Menezes, já que ele próprio não gosta muito de lembrar-se dele, uma vez que terminada a gestão da diretoria eleita para administrar o Inter nos anos 2000 e2001, foi dispensado pelos novos dirigentes do clube, apesar de suas enormes potencialidades.

Da minha parte fico orgulhoso de ter contado com a participação ativa deste profissional em um trabalho que, sem nenhuma dúvida, resgatou a saúde de um clube que durante muito tempo lutava por sua sobrevivência entre os grandes do futebol brasileiro.

Desejo ao Mano Menezes um pouco de sorte em seu novo desafio já que competência para contribuir com a evolução do futebol brasileiro não lhe falta.

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Copa 2010 – Imagens da Primeira Semana

15/06/2010 · Deixe um comentário

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Imagens que valem o clique e melhor traduzem o que rolou na primeira semana da Copa do Mundo 2010 pelo mundo.

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Novos Tempos?

14/06/2010 · Deixe um comentário

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via Prof. Ms. Aldemir Teles Dema

A matéria principal da revista Época desta semana, anunciada em sua capa, tem o seguinte título: “O cérebro do craque de futebol – A ciência comprova: eles não são bons só com os pés – também são geniais com a cabeça”.

Salvo engano, é a primeira vez que o tema relativo às funções cognitivas no esporte (e o papel do esporte no desenvolvimento dessas funções) é divulgado na grande mídia brasileira, embora já publicado por órgãos de imprensa aqui no estado.

O texto é de excelente qualidade e fiel aos achados científicos, mesmo considerando que o público-alvo, em sua maioria, é leigo no assunto.

Chamaria atenção apenas para a não referência aos aspectos da dinâmica do jogo e a sua imprevisibilidade, que demandam mais atenção, percepção apurada, velocidade na tomada de decisão etc. e, como resposta a essa demanda, as funções que são desenvolvidas.


Acredito que estamos em plena travessia de uma nova fronteira do conhecimento no esporte, ao demonstrar o papel desse no desenvolvimento cognitivo, que tenho defendido como importante mudança no paradigma, (outro paradigma ao qual tenho me aventurado a estudar e defender é o que trata do esporte como meio de “modulação das emoções”).

Assim sendo, podemos atribuir ao esporte função mais “nobre”, condizente com a expectativa da visão cartesiana que impera ainda na sociedade, que supervaloriza a atividade intelectual em contraposição as atividades corporais. Portanto, podemos afirmar que a prática do esporte é também uma atividade intelectual.

Outros sentidos atribuídos ao esporte são popularmente conhecidos como: “esporte é saúde” e “esporte é lazer”, além do famigerado e reducionista conceito de que “o esporte livra os jovens da droga”, como se fosse um antídoto, um contraveneno. 


O próximo passo é sensibilizar os gestores da área esportiva, da educação, pública e privada, educadores, pedagogos, pais de alunos e estudantes para mudar a realidade presente nas escolas, onde a prática esportiva, ao contrário dos países desenvolvidos, quase inexiste, com algumas honrosas exceções. 


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Por dentro da Cabeça do Craque

12/06/2010 · Deixe um comentário

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“Novas pesquisas revelam que os craques têm raciocínio mais rápido – e que o talento para brilhar na Copa está no cérebro, não nos pés dos jogadores”

Revista Época

O público quer ver golaços, jogadas improváveis e dribles impossíveis na Copa do Mundo que começa nesta sexta-feira, dia 11, na África do Sul. Foi assim na Copa de 1958, da Suécia, quando Pelé, com apenas 17 anos, deu um chapéu em um adversário e fez um gol inesquecível na final. E em 1986, no México, quando Maradona driblou toda a defesa da Inglaterra desde o meio de campo e marcou um dos mais belos gols da história do futebol. E também em 2002, no Japão, quando Ronaldo, superando duas cirurgias no joelho, teve raciocínio rápido para aproveitar um rebote do goleiro alemão Kahn e abriu o placar na decisão contra a Alemanha. Nesta Copa, os torcedores esperam ver jogadas assim sair dos pés do brasileiro Kaká, do português Cristiano Ronaldo ou do argentino Lionel Messi; ou então testemunhar as brilhantes defesas do goleiro brasileiro Julio César. Todos sabem que, em comum, eles têm um preparo físico excepcional, agilidade e força. Agora, segundo alguns dos mais avançados estudos da ciência do esporte, começa a ficar claro que todos eles também são donos de um cérebro com desempenho acima da média. O segredo da genialidade dos jogadores de futebol não está nos pés, mas – como para todos os gênios da humanidade, de Einstein a Mozart – na cabeça.

Nos últimos anos, pesquisadores tentaram compreender cientificamente aquilo que para o torcedor comum é apenas motivo de encanto. Estudaram como agem e raciocinam os atletas de elite. Compararam esses resultados ao desempenho de jogadores iniciantes – e de “mortais” como nós, sem intimidade com a bola. E concluíram que a diferença entre uma pessoa comum e um craque não é apenas coordenação motora. Eles também têm memória e raciocínio privilegiados. “Eles são duas vezes melhores do que uma pessoa s comum em termos de memória e agilidade visual”, diz o neuropsicólogo Erik Matser, da Universidade de Maastricht, Holanda, uma das referências na área. “Apenas uma em 1 milhão de pessoas tem um desempenho tão acima da média nessas duas habilidades.” Esse é o resultado de um estudo, antecipado a ÉPOCA por Matser, que será publicado no próximo semestre.

Matser trabalhou com jogadores do Chelsea, o campeão inglês, e de times profissionais da Holanda. Começou estudando os efeitos das pancadas no cérebro de boxeadores, nos anos 90, em Nova York. Acabou descobrindo que, mesmo expostos a riscos ao longo da carreira, eles tinham um desempenho acima da média da população para memorizar informações e perceber estímulos visuais. De volta à Holanda, em 1996, Matser fez testes de raciocínio com jogadores de futebol e acompanhou seu desempenho por dez anos. Ao fim, comparou os resultados dos convocados para a seleção holandesa aos dos não convocados. Como esperava, o desempenho dos jogadores da seleção foi melhor.

“Não é verdade aquela história de que atletas são muito bons com o corpo, mas não com o cérebro”, diz o neurologista John Krakauer, um dos diretores do laboratório de desempenho motor da Universidade Colúmbia, em Nova York. “O que leva um jogador a ser tão bom é antecipar e entender as ações dos outros colegas e adversários para fazer a melhor jogada.” Krakauer investigou o mecanismo que permite a atletas de alto desempenho processar em milésimos de segundos uma infinidade de variáveis. Ele e outros dois colegas publicaram recentemente, na revista científica Nature Neuroscience, uma hipótese para explicar o que acontece na mente de jogadores excepcionais, como Kaká ou Messi. Eis o que o cérebro deles faz melhor:

1. processar com rapidez os estímulos visuais do ambiente, como a posição dos jogadores no campo;

2. memorizar um grande repertório de jogadas;

3. antecipar o movimento de outros atletas;

4. combinar, numa fração de segundo, todas as informações para tomar a melhor decisão.

A cada ano, milhões de crianças começam a praticar o futebol sonhando em disputar uma Copa. Apenas 736 têm esse privilégio a cada quatro anos. O torneio reúne apenas aqueles com um talento extraordinário, como Kaká. Na África do Sul, o meia do Real Madrid, da Espanha, disputa seu segundo mundial. “Desde pequeno, ele mostrava uma visão de jogo fora do comum”, diz Milton Cruz, auxiliar técnico do São Paulo. Ele treinou Kaká nas divisões de base. Aos 8 anos, o menino já chamava a atenção. “Com muita facilidade, ele deixava os companheiros na cara do gol.” Em 2001, a um mês de completar 19 anos, Kaká foi escalado no time adulto do São Paulo, contra o Botafogo, durante a final do Torneio Rio-São Paulo. Aos 34 minutos do segundo tempo, colocou-se de frente para o gol. Recebeu uma bola na entrada da área, tirou a defesa da jogada, enganou o goleiro e marcou seu primeiro gol como profissional. O segundo veio na mesma partida e deu o título ao São Paulo. Começava ali uma carreira de fama internacional, cujo ápice – por enquanto – foi o título de melhor jogador, concedido pela Fifa, em 2007.

(mais…)

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Um Livro às Quintas

10/06/2010 · Deixe um comentário


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“O Código do Talento”, Daniel Coyle

Editora Agir, 2009.

Você, profissional do futebol ou pretendente a: este é o livro mais importante e útil que você lerá este ano.

Harvards de Fundo de Quintal

Em dezembro de 2006, comecei a visitar lugares minúsculos que produziam um número estratosférico de talentos.

“Minha jornada teve inicio em Moscou, numa quadra de tênis em péssimo estado, e, nos 14 meses seguintes, levou-me a um campo de futebol em São Paulo, no Brasil, a uma escola de canto em Dallas, no Texas, a uma escola no centro histórico de San Jose, na Califórnia, a uma surrada academia de música na região de Adirondacks, em Nova York, a uma ilha dominada pelo beisebol, no Caribe, e a mais uma porção de locais tão pequenos, humildes e fantasticamente bem-sucedidos a ponto de um amigo apelidá-los de “Harvards de fundo de quintal“, em óbvia referência àquela que é tida como a melhor universidade do mundo”

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Zico e o Kichute

02/06/2010 · Deixe um comentário

Homenagem ao Galinho pela coragem de enfrentar mais um desafio, entre tantos outros superados em sua vitoriosa carreira.

Só quem teve um Kichute amarrado na canela é que sabe o valor deste agradecimento…

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Frase da Semana

24/05/2010 · Deixe um comentário

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“Se ganha jogando menos que o adversário, como às vezes se perde jogando mais que o adversário…”

Mano Menezes, treinador de futebol

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Pontos de Vista

10/05/2010 · 1 comentário

via Blog do Juca

É sabido que os brasileiros amam odiar os argentinos e os argentinos odeiam amar os brasileiros.

Mais que isso, no entanto, os argentinos têm de si mesmos uma visão que não bate com a que o mundo têm deles.

Pelo menos é o que mostra este brilhante filmete de uma canal esportivo de lá.

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Atletas tipo Exportação

03/05/2010 · 9 comentários

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“Se o Santos F.C. é uma fábrica de craques que produz espetáculos, por que não tirar vantagens deste ambiente e assumir seu papel de exportador com Selo de Qualidade?”

Os diretores executivos de futebol deveriam perguntar –se “como é que eu insiro meus atletas na concorrência global e nas oportunidades que surgem a cada dia e como prepará-los para tamanha diversidade cultural?”

Trocando em miúdos:

como fazer para que o meu atleta tipo exportação possa se valorizar e potencializar a marca do meu Clube e abrir novos mercados ?

Entre 2005 e 2009, tivemos uma media de 987 atletas deixando o Brasil com contrato de trabalho para equipes do exterior. Isso mesmo: 90 equipes inteiras – do goleiro ao atacante – sendo exportadas para os cinco continentes, todos os anos.

Neste período, pela mesma média, outros 503 atletas retornaram ao país, ano após ano.

Ou seja, mais de 50% dos atletas que saem do país, retornam para o mercado brasileiro.

Motivos? Vários.

Vamos falar de alguns deles no processo de expatriação.

Segundo a psicóloga intercultural Andrea Sebben, a migração envolve todas as pessoas que estão em contato com o jogador: seus pais, filhos, esposas, namoradas, empresários e amigos. O esforço dedicado para que ele tenha sucesso e para que “se adapte, aproveite, e seja feliz” é imensurável.

No entanto, para muitos, viver no exterior acaba tornando-se um fardo, uma obrigação a cumprir, um desafio para além de suas forças.

O atleta e seus acompanhantes no exterior, muitas vezes, irão se deparar com sentimentos como ansiedade, insegurança, medo, despreparo, solidão, saudades, sentimentos de inferioridade/superioridade, graus de preconceito, estereotipia ou racismo, entre outros.

A volta, ou o retorno prematuro destes jogadores, além de enormes prejuízos financeiros, traz muito sofrimento, não só para eles, mas para todos aqueles que estiveram esperando.

Sentimentos de derrota, fracasso, menos-valia, vergonha, culpa entre tantos outros, permeiam o imaginário dessas pessoas quando percebem que não estão conseguindo realizar seu propósito.

Os jogadores expatriados trazem todo o suporte cultural e étnico para o novo mundo onde irão se integrar. Porém, é pelo menos a cultura de três personagens que se encontram e que tornam esse processo de aculturação ainda mais dramático: a cultura brasileira, a cultura do Clube onde irão jogar e a do país onde irão viver – conclui a especialista.

A maioria dos jogadores, por exemplo, é proveniente de uma faixa da população de classe média baixa – e a diferença “entre mundos” é gritante. Como adaptar-se? Como aprender o idioma? Como seguir regras e símbolos até então irreconhecíveis? Como tornar realidade as expectativas antes do embarque para esse mundo novo?

Auxiliar, compreender e preparar as pessoas para esses fenômenos migratórios é tarefa da chamada Psicologia Intercultural.

A Psicologia Intercultural é uma área nova da ciência. É uma ciência bastante estudada e aplicada na Europa, Canadá e EUA e muito gradualmente emergindo no Brasil. Seu objeto de estudo é a relação entre cultura e o comportamento dos povos e, conseqüentemente, os complexos fenômenos migratórios vivenciados por aqueles que migram.

Como são os brasileiros? Como se comportam os espanhóis? Como perdoam os árabes? Quais crenças religiosas se baseiam os chineses? E o mais importante: Como educar para tanta diversidade?

De tempos em tempos, os Clubes brasileiros de maior porte, faturam milhões na venda de seus melhores craques ao exterior. Vale ressaltar que ainda não existe a preocupação de investir no método que sirva para “elevar o nível do mar”, permitindo uma melhora considerável no produto tipo exportação.

Mas quantos destes Clubes investem para ter atletas mais preparados para vencer fora do território nacional?

Surpreende o fato que as expatriações destes atletas aconteçam ainda de forma tão “artesanal”, muitas vezes proporcionada por pessoas de fora do clube: pais e empresários, de maneira geral.

Neymar por exemplo, foi captado pelo Santos F.C. em 2004, quanto tinha apenas 12 anos. O Clube enxergava a pedra preciosa que tinha em mãos e logo tratou de proteger seus interesses remunerando o atleta e sua família com luvas e ajudas de custo a peso de ouro. Com 14 anos, já recebia montantes que se igualavam aos salários dos atletas profissionais da equipe principal.

Hoje, com 18 anos, tem a multa contratual mais cara do futebol brasileiro, superando os 80 milhões de reais. Se algum clube do exterior quiser tirá-lo do Santos F.C., terá que desembolsar aos seus cofres uma quantia próxima a este valor.

É fato que o clube do litoral tem localização privilegiada para a captação de atletas talentosos e que seus negócios – exportação de atletas – tenham se tornado mais expressivos que o de outros grandes clubes.

Também é fato que o clube pretende fazer muito dinheiro com o jovem atleta, assim como procurou fazer com Robinho e Diego.

Mas em seis anos, desde a chegada de Neymar ao clube, e sabendo da jóia preciosa que tinha em mãos, qual foi o investimento na direção deste processo? Que aumentassem as probabilidades deste atleta ter sucesso no exterior e, consequentemente, potencializasse os negócios do clube que um dia também captou Pelé?

Nas últimas semanas, Neymar disse que não era preto, que pinta o cabelo de loiro, que pretende comprar um Porsche e uma Ferrari, que será obrigado a tirar título de eleitor e que não sabe quem são os candidatos à Presidência do Brasil. Disse também que acha que é metrossexual.

Apesar de toda a bola que carrega este jovem craque, Neymar é apenas um jovem, vítima da desigualdade social e que teve pouco acesso às lições de cidadania e ao aprendizado mais adequado à sua carreira de atleta profissional.


Se o Santos F.C. é uma fábrica de craques que produz espetáculos, por que não tirar vantagens deste ambiente e assumir seu papel de exportador com Selo de Qualidade?

No mundo ideal, seríamos exportadores de Campeonatos PayPerView e capazes de permanecer com quem proporciona o espetáculo.

E, para isto, não basta apenas que o futebol brasileiro tenha tanto glamour quanto o europeu.

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Frase da Semana

30/04/2010 · Deixe um comentário

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“El fútbol fue siempre una hermosa excusa para ser feliz.”

César Luis Menotti, treinador de futebol.

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A Corrida da Qualificação

09/04/2010 · Deixe um comentário

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A revista Exame deste mês traz duas matérias muito interessantes.

A Corrida da Qualificação relata sobre a falta de técnicos para sustentar a expansão da economia em nosso país.

Só neste ano, será preciso treinar 1,3 milhão a mais do que em 2009 – como fazer isso?

( … )

Embora a discussão sobre a necessidade de formar profissionais com nível superior seja antiga no país, a carência de mão de obra de nível médio – como soldadores, operadores de máquinas, pedreiros e carpinteiros – é relativamente recente e desconcerta governo e empresas. “A falta de gente qualificada é uma de nossas piores fraquezas, pois impede que o país cresça por vários anos seguidos”, diz Marcelo Odebrecht, presidente do grupo formado por oito empresas, entre elas a maior construtora do país. “A consequência é a frustração dos investimentos pela perda de qualidade, de produtividade e, consequentemente, de aumento de custos. Esse é um verdadeiro drama para a economia.”

Ainda, na mesma revista, outra reportagem que vale bastante a leitura é a respeito do gol de placa da Esporte Interativo, que vem desenhando um novo modelo de empresa de mídia para o século XXI, num formato híbrido entre TV e Web.

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Ego Sum

25/03/2010 · Deixe um comentário

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Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação?

via Universidade do Futebol,  por Oliver Seitz

( … )

Uma questão que eu acho que merece uma discussão detalhada para a melhor compreensão possível sobre o comportamento da indústria do futebol brasileiro é a influência que o ego possui nas ações dos tomadores de decisão envolvidos com o jogo. Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação? Até que ponto essa necessidade de se auto confortar influencia o rumo das suas ações?

Eu venho batendo na tecla de que o futebol gera mais exposição do que dinheiro há muito tempo. Assumindo que isso seja verdade, é natural imaginar que boa parte das pessoas que se envolvem com o futebol buscam mais exposição do que dinheiro. Isso explica, por exemplo, o grande envolvimento de diretores não remunerados com os clubes. O cara larga o trabalho, a casa e a família para se dedicar ao clube. Muita gente vê nisso, não sem subsídios, uma ação de picaretagem. Afinal, se o cara se dedica tanto assim, o cara deve levar uma boa grana por fora. Por vezes, isso é verdade. Mas a impressão que eu tenho é que na maioria das vezes isso se dá por uma questão de auto-estima.

Pessoas que se envolvem com o futebol rapidamente alcançam um status de importância não necessariamente relacionada ao seu currículo pessoal. Isso acontece, por exemplo, com um cara qualquer que de repente vira presidente do clube de futebol. Do dia pra noite, o cara larga o anonimato e se torna uma figura pública. Alguns não gostam disso. A maioria acaba se embebedando. E não larga o osso. Pior, acha que a exaltação é pessoal, e não institucional. Acha que a bajulação se dá pela figura individual, e não pelo fato de ser presidente de uma organização muitas vezes histórica e influente. Aí começa a confundir as coisas. Faz uma conta no Twitter e vai pro abraço. Tenta ser maior que o clube. Logicamente, não é. E tudo, hora ou outra, acaba se esfacelando.

Mas não é só o presidente. Talvez pior sejam os diretores. Afinal, presidente é presidente. Justo que seja minimamente egocêntrico. Diretor, porém, é outra história. O cara é eleito, nunca foi nada, e de repente acha que é o ó do borogodó, que eu não sei se está relacionado apenas à última vogal ou ao fato de ocupar 50% de uma palavra oito letras. Enfim, o cara sobe nas tamancas e, por ter feito parte de uma chapa – uma vez que na maioria dos clubes os diretores não são eleitos individualmente, mas sim fazem parte de um grupo encabeçado pelo presidente – acha que tem certeza daquilo que está fazendo. Afinal o cara é diretor. E diretor é da diretoria. E diretoria é vip. É nata. É elite. É qualquer outro adjetivo que indique superioridade. Tipo a última bolacha do pacote, ainda que eu ache que não seja muito apropriado uma vez que a última bolacha está sempre quebrada e sai junto com um monte de farelo. Ainda assim, ele vai lá, acha que sabe, faz o que quer e dificilmente alguém vai reclamar, uma vez que isso pode gerar um problema político.

Normalmente, portanto, há forte influência do ego no processo cognitivo dos principais tomadores de decisão do futebol.

O problema é que o esquema não para aí. Afinal, não é só dentro do clube que o ego impera. Fora dele pode ser pior ainda, principalmente na imprensa. Muito jornalista que trabalha com futebol ganha muito pouco. Muito comentarista que comenta futebol não ganha nada. Ainda assim, o cara não larga o osso por duas razões: a) porque ele gosta do que está fazendo e é feliz, o que é muito justo; e b) porque ele aparece na televisão e assim ele se torna uma pessoa conhecida e respeitada, o que até pode ser justo também, mas pode carregar um lado nefasto.

Ao aparecer todo dia e ser reconhecido na rua, um jornalista pode eventualmente achar que automaticamente sabe tudo sobre aquilo que ele está falando, e não se preocupa em aprofundar muito a sua opinião. Seu ego influencia na não necessidade do aprimoramento profissional. Muitas vezes, essa opinião é crítica em relação às decisões tomadas pelo clube, que por sua vez também são geradas pela necessidade de auto-estima. Aí, quando um ego bate outro ego, a coisa se complica. E o rumo das decisões começa a tomar a direção do caos.

Se você é psicólogo, você deve ter percebido que eu não sei muito bem sobre o que eu estou falando. Por isso que eu mencionei a necessidade do assunto ser mais bem pesquisado. O entendimento mais profundo dessa questão me parece ser bastante importante para o desenvolvimento mais apropriado da indústria.

E, se eu estou falando, pode ir com fé.

Acredite.

Não seje burro.

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Ordinária

03/03/2010 · 1 comentário

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“Na parte administrativa do futebol, o que impera é o conhecimento ordinário; não raro, por conta disso, o conhecimento científico é deixado de lado…”

Via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz

Existem grandes chances de eu ser levemente problemático.

Afinal de contas, uma das poucas coisas que me lembro dos quatro anos que passei na faculdade é de uma aula de teoria do conhecimento, epistemologia para os nerds, que discutia as diferenças entre conhecimento científico e conhecimento ordinário.

A diferença, e posso estar completamente errado sobre isso, é, basicamente, que o conhecimento científico tem justificativa experimental e metodológica, e o conhecimento ordinário é gerado pela experiência pessoal, sem um padrão definido de observação. Consequentemente, o conhecimento ordinário tende a ser mais leviano e sujeito a falhas.

Na parte esportiva do futebol, quem reina é o conhecimento científico. Comissões técnicas bem estruturadas dão números a diversas variáveis que influenciam na performance de cada jogador, seja por medições de aspectos físicos, seja com estatísticas relacionadas ao jogo. A ciência tem, pelo menos nos clubes mais bem estruturados, um peso muito grande no departamento de futebol. Não é porque um cara acompanha futebol há trinta anos que ele terá razão suficiente, por exemplo, para definir um programa de treinamento de atletas. Para isso, é de fundamental importância a adoção de critérios científicos que existam ou estejam em desenvolvimento pelo mundo afora.

Na parte administrativa do futebol, entretanto, o esquema muda completamente. O que impera é o conhecimento ordinário, gerado por pessoas que fazem parte do sistema há anos ou que observam esse sistema desde muito tempo atrás. Em geral, não há e não se pede por ciência. Muito pelo contrário. Não é raro que um determinado conhecimento científico seja deixado de lado em função do conhecimento ordinário.

Um exemplo disso é o programa de sócios de um clube de futebol. A lógica mais evidente e simples sugere que quanto mais sócios um clube de futebol tiver, mais receita ele será capaz de gerar. Conhecimento ordinário, originado de observações sem cunho metodológico e sem padrão de mensuração, que move o direcionamento de diversas administrações de clubes de futebol pelo país. Um faz porque o outro faz, porque acha que dá certo e fica anunciando pra todo mundo.

O conhecimento científico, ainda que bastante carente de maiores aprofundamentos, sugere que a importância do sócio não é tão grande assim, uma vez que os efeitos de um programa com elevado número de participantes podem gerar significativos distúrbios administrativos e privar o clube de importantes canais de receita, principalmente no longo prazo.

Mas se alguém for defender isso junto para maioria dos tomadores de decisão nos clubes de futebol, será motivo de chacota. Afinal, é o conhecimento popular que prevalece sobre o científico. E ai de quem reclamar. Na melhor das hipóteses, será ignorado. Na pior, será taxado como levemente problemático. Corre até o risco de ser chamado de ordinário.

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A Evolução do Ensino da Matemática no Brasil

23/02/2010 · Deixe um comentário

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Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação,datilografia…

Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.

Segue o relato de uma Professora de Matemática:

“Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos

olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.

Está certo?

( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2011 vai ser assim:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, homosexual, portador de necessidades especiais, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00″

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A Criatividade no Desenvolvimento do nosso Futebol.

05/02/2010 · Deixe um comentário

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“Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo ‘em berço esplêndido’…”

por João Paulo S. Medina

Podemos analisar o trabalho com as categorias de base nos clubes de futebol sob diversos ângulos. Preferi abordá-lo na perspectiva do seu potencial criativo, tentando com isto dar uma contribuição para a reflexão sobre o nível do nosso futebol.

Durante muito tempo a formação de jovens talentos para a prática do futebol em nosso país se deu de forma quase espontânea, germinado nos quintais das casas, ruas, campinhos, praias, entre outros lugares mais inusitados. Com o desenvolvimento urbano e mudanças de hábitos e mesmo de cultura (a cultura rural, por exemplo, foi praticamente substituída pela urbana nas últimas 6 ou 7 décadas), estes locais foram sendo seqüestrados da população ou, quando não, fortemente “disciplinados”.

Hoje em dia é comum, por exemplo, vermos regras rígidas para que o futebol possa ser praticado até em certas praias que tenham grande movimento de pessoas. Aos poucos, a imaginação e a criatividade, que são exercidas nestas circunstâncias de práticas livres e espontâneas, foram sendo substituídas por práticas cada vez mais reguladas, regulamentadas, disciplinadas, por modelos que tentam reproduzir, desde tenra idade (8, 7, 6, 5 anos), o modelo de futebol profissional, adulto e altamente competitivo.

As chamadas “escolinhas de futebol” e o trabalho feito por muitos clubes em suas categorias de base são os exemplos mais bem acabados destas mudanças. Muitas vezes, liderados por profissionais incríveis e surpreendentemente despreparados (às vezes são professores “formados”), nossas crianças e adolescentes são submetidas a verdadeiras torturas motoras, emocionais e psicológicas. Não fosse o alto grau de resistência presente em nossa maravilhosa e rica cultura brasileira, que acaba driblando com ginga e “malandragem” estas limitações impostas, conseguindo colocar alegria e vida em tudo que faz, e já teríamos destruído este aparentemente inesgotável potencial criativo do nosso povo e, e em especial, do nosso futebol.

Bem, mas já imagino o que você leitor pode estar pensando. Afinal de contas somos 5 vezes campeões mundiais e atualmente somos considerados os melhores do mundo e ainda temos grandes talentos jogando no Brasil e fora dele. Portanto a situação não deve ser tão dramática assim…

No meu modo de ver, temos que rapidamente reconhecer que estamos gradativamente perdendo nossa criatividade, este fundamental ingrediente do futebol brasileiro. E isto não quer dizer que não estejam nascendo mais crianças talentosas com este potencial, como antigamente. O que acontece é que aquilo que surgia de forma quase espontânea, às vezes com a ajuda de alguns adultos com alguma dose de bom senso (pais, professores, treinadores), hoje necessita de uma estimulação cada vez mais consciente e mesmo profissional. Se for verdade que a adequada preparação orgânica, motora, técnica, tática, emocional, social etc. é fundamental, não se pode esquecer de, ao mesmo tempo, criar-se um ambiente de liberdade, favorável às expressões de criatividade. Infelizmente o esforço, através dos processos educativos formais, não-formais ou informais, tem sido muito maior no sentido de matá-la do que de desenvolvê-la. Infelizmente…

Torço para que as nossas conquistas nos campos de futebol, que tantos benefícios profissionais podem nos trazer, não nos deixem cegos para as enormes possibilidades que temos de sermos ainda mais brilhantes neste século XXI. Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo “em berço esplêndido”.

Se concordarmos que este potencial já não pode ser desenvolvido de forma tão espontânea como em tempos passados, em virtude de mudanças na nossa maneira de viver, precisamos começar a fazer uma reflexão crítica sobre como melhorarmos este nosso ainda elevado nível de prática futebolística.

Não se constrói um ambiente favorável à criatividade da noite para o dia. Muitas vezes este processo leva anos. Sabemos que existem profissionais competentes com estas preocupações em nossa comunidade do futebol e que estudam seriamente este fenômeno, mas é preciso que esta consciência se amplie e, mais do que isso, que haja políticas (principalmente nos clubes e escolas) incentivando e estimulando a criatividade, este que é, hoje em dia, não só uma matéria prima diferenciada para o futebol, mas para o próprio desenvolvimento humano e social.

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A Chave do Vestiário

01/02/2010 · Deixe um comentário

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O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

A maioria dos presidentes de clubes de futebol, ao contratar seus treinadores, solenemente, entrega a ‘chave do vestiário’ ao novo orientador tático da equipe.

Funciona mais ou menos assim: o presidente chega para o seu novo contratado e diz nas entrelinhas:

“Vai lá.. e joga. Se você ganhar, continua. Se perder, eu serei obrigado a trazer outro melhor.”

E o ciclo se repete na próxima contratação…e na próxima, até que a equipe esteja alinhada cosmicamente e consiga os resultados.

Mais tarde, assim que novas derrotas se apresentem, o ciclo volta a se repetir.

Não se contrata treinadores pensando exclusivamente em salário. Contrata-se pensando em processos.

Ou seja, busca-se um nome que tenha o perfil desejado e que esteja alinhado com o que a instituição pretende desenvolver no curto, médio e longo prazos.

Um treinador que acredite nas mesmas coisas que o presidente acredita. E vice-versa.

E como um clube pode encontrar o treinador certo?

Da mesma maneira que as grandes corporações que procuram disputar espaços no mercado: minimizando erros na escolha de cargos estratégicos, ao tratar com competência o processo de escolha para a função pretendida.

Entrevistar candidatos com um roteiro bem definido e que revele aspectos importantes do perfil do futuro treinador, já é um primeiro passo.

Ao conhecer melhor o candidato a treinador, pode-se aprofundar e querer discutir questões básicas do dia-a-dia, como política de relacionamento com os diferentes profissionais que lhe darão suporte (fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, profissional de TI etc.) e processos de vestiários, talvez o mais sensível de todos os ambientes dentro de um clube.

Quem faz o quê neste ‘sagrado’ local? Como minimizar egos e integrar sinergicamente os (mesmos) objetivos da comissão técnica, gestores e diretoria?

Quais são as informações que a comissão técnica deve passar à diretoria para que ela ‘compre uma briga’? Seja com um empresário/procurador, outro clube, tv, patrocinador, arbitragem, federação…

Ou problemas de autoridade no vestiário, onde transitam os mais diversos tipos de profissionais e amadores bem intencionados.

Vejam quantas são as dimensões e assuntos vivenciados diariamente neste ambiente e o quanto seria pouco produtivo e/ou inteligente deixá-los apenas a cargo do treinador que recebeu ‘a chave’.

O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

Alinhando os principais processos, fica inócua a discussão de quem manda no vestiário, por exemplo.

E isto não significa em absoluto querer escalar a equipe, ou induzir o treinador a jogar em duas linhas de quatro fora de casa.

Tal fato torna-se tão pequeno perto de todo um processo de trabalho, que nenhum presidente-de-verdade gostaria de se meter.

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Quem Entende Alguma Coisa de Futebol?

08/01/2010 · 3 comentários

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Quem entende alguma coisa de futebol?

Faço esta pergunta todo começo de ano, tentando encontrar alguma sábia resposta para uma das principais questões sobre o esporte bretão, ponderando o que aconteceu no ano anterior e o que pode vir a acontecer no ano que se inicia.

E a resposta ainda permanece a mesma: ninguém.

Simples assim.

Há alguns anos, chegava até a me incomodar com as tamanhas certezas dos principais “conhecedores de futebol” no país.

Agora, um pouco mais maduro, anoto algumas dessas verdades e dou risada com os amigos, confrontando-as com a realidade que se consumou.

Talvez o futebol seja o esporte mais parecido com o homem: complexo, racional (lógico), intuitivo, sensível, criativo e, repleto de fé e outras crendices.

E, da mesma maneira, talvez seja por essa razão que nunca será tão simples assim dar certezas absolutas antes da bola rolar.

Viramos o ano e nossa principal referência no futebol é o Flamengo, atual campeão brasileiro, com sua maravilhosa e imensa torcida e de igual magnitude em dívidas.

Mas vale reforçar que, se não fosse a falta de ego do treinador Andrade em perguntar ao recém contratado Petkovic de que maneira o camisa 10 gostaria de atuar, duvido que a sexta estrela estaria no peito dos rubro-negros este ano.

O humilde Andrade ouviu e colocou em prática: organizou a equipe em função do talentoso sérvio de 37 anos, que produziu como poucos, atuando mais solto pela esquerda, chegando para finalizar e ajudando na marcação até o meio-campo.

E quantos de nós não imaginou o óbvio: que Petkovic, contratado pelo Flamengo em troca de dívidas, era uma barca furada?

E em relação a Ronaldo? E ao forte Palmeiras, que ficava ainda mais forte com Muricy e Wagner Love?

A reflexão aqui não está por conta das análises e previsões de jornalistas e da grande mídia em geral. Nem sobre as besteiras repetidas todos os anos por alguns comentaristas. Longe disso.

Para quem quer enxergar, o futebol está cercado de ciências aplicadas. No seu sentido mais amplo, ciência (do Latim scientia, significando “conhecimento”) refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistematizada.

E, por não sermos conhecedores mais profundos desses conhecimentos, não sabemos de futebol como deveríamos. Simples assim.

“O futebol nos mostra com suas subjetividades, com o seu dia a dia e com suas incertezas, tudo isso que a gente sabe que pode acontecer para uma equipe ou para a outra.” (Mano Menezes, 2009.)

Para 2010, já anotei algumas certezas dos “conhecedores de futebol” e gostaria de compartilhar com os leitores deste blog:

a África do Sul já está desclassificada na primeira fase da Copa do Mundo;

o Brasil será o primeiro do grupo G na primeira fase da Copa do Mundo;

o Corinthians é franco favorito para o título da Libertadores;

o Corinthians será desclassificado na primeira fase da Libertadores, pois os jogadores contratados são velhos e futebol é pra gente jovem;

o Barueri irá cair para a série B.

Desculpem me por saber tão pouco sobre futebol, mas será que vai ser simples assim?

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Você já Parou para Pensar?

29/12/2009 · 1 comentário

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“Há mais pessoas inteligentes na China e na India do que pessoas no Brasil.”

A internet achatou o mundo e diminuiu drasticamente as distâncias.

Países de territórios extensos vem se tornando cada vez mais importantes no cenário global.

A população mundial hoje ultrapassa os 6,6 bilhões de habitantes.

20% destas pessoas estão na China e 17% na India.

Juntos, China e India possuem mais de 1/3 da população mundial.

O Brasil tem hoje 190 milhões de habitantes.

Se considerarmos apenas os 16% mais inteligentes da India,

teremos mais pessoas do que toda a população brasileira.

Da China, precisaríamos apenas de 14% para igualar essa marca.

Ou seja, há mais pessoas inteligentes na China e na India do que pessoas no Brasil.

Enquanto você lê este texto, 30 bebês nasceram no Brasil, 244 na China e 351 na India.

Muito em breve, a China será o país que mais fala inglês no mundo.

E você sabia que nos EUA, mais da metade dos profissionais trabalha há menos de 5 anos na mesma empresa?

Sendo que apenas 25% dos profissionais permanecem na mesma empresa por mais de 1 ano.

Segundo a ONU, os estudantes de hoje passarão por 10 a 14 empregos até os 38 anos de idade.

E que as 10 profissões que serão indispensáveis em 2010 sequer existiam em 2004?

Ou seja, estamos preparando nossos alunos para profissões que ainda não existem…

… que utilizarão tecnologias que ainda não foram inventadas…

… para resolver problemas que ainda nem conhecemos.

Por dia, temos:

3.000 novos livros publicados, 6 bilhões de mensagens de textos enviadas, 100 milhões de perguntas feitas no Google.

A quantidade de nova informação gerada no planeta este ano é maior que a acumulada nos últimos 5.000 anos.

E cada vez mais, encontramos tais informações nos meios digitais.

E o que isso significa afinal?

Que todo profissional precisa se atualizar sempre…

Que mudanças acontecem. Todo dia.

E que informação não é o mesmo que conhecimento.

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Ciclos

16/11/2009 · Deixe um comentário

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“Essa é uma das peculiaridades do futebol. A coisa no curto prazo é maluca. E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas. Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.”

por Oliver Seitz, via Universidade do Futebol

Existem poucas verdades absolutas. No futebol, naturalmente, também.

Entre essas poucas verdades, uma delas é que o futebol é cíclico.

Coisas vem e vão.

Pessoas aparecem, somem e reaparecem.

Injustiças acontecem com você agora e, amanhã, acontecerão com seus adversários.

Seu time domina hoje e será rebaixado em pouco tempo.

É assim que as coisas vão. E vem.

No curto prazo, é tudo insano.

No longo, as coisas fazem mais sentido.

Essa é uma das peculiaridades do futebol.

A coisa no curto prazo é maluca.

E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas.

Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.

O afã do próprio eu, somado ao imediatismo da demanda de segundos e terceiros fazem com que se tomem atitudes impensadas.

Motivadas por impulso. Momentâneas.

De curto prazo. Sem lógica.

Sem sentido.

Isso é visível durante e após partidas mais conturbadas.

Mas tem implicações maiores.

Não se enxerga o longo prazo no futebol brasileiro.

Porque ninguém se importa com ele.

É preciso resolver o agora. É necessário se importar com o já.

Mais pra frente, outro que se vire. O meu é aqui, e agora.

O depois, que fique para depois.

De que adianta montar uma estrutura sustentável para vitórias futuras se ela implica em derrotas no presente?

Nada. Absolutamente nada.

Independente se as atitudes que se tomem sejam efêmeras.

Ninguém quer saber. Foca no relógio.

E não no calendário.

E o relógio dá voltas.

O presidente do Palmeiras sentiu isso na pele.

Foi um exemplo claro.

Quem foi prejudicado ontem é beneficiado hoje.

E será prejudicado novamente amanhã.

Quem se preocupa, perde cabelo.

Quem percebe, assiste de camarote.

Mas não tem a mesma graça.

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