“E a ciência da altíssima performance, necessária e contada pela tecnologia das filmagens, dos recursos de análise de imagem, da medicina que opera milagres e cura ossos quebrados, chegou à final, representada pela pedagogia do esporte, do treinamento desportivo integrado, onde o que é tático, físico, técnico, psicológico e sócio-cultural não se separa.
Chegou à final representada pela seleção da Espanha, país que tem estudado e pesquisado a fundo questões que envolvem meios e métodos de treino no futebol, onde treinadores e cientistas se confundem em uma coisa só, onde teoria e prática não se separam; lugar em que o futebol é um ambiente riquíssimo para se aprender e produzir coisas novas.
Espanha e Holanda não chegaram à final por obra do acaso (certo Einstein?). Enquanto uma vem se construindo com bases sólidas em uma ciência que vê pelos óculos da complexidade, a outra faz do investimento em sua cultura de jogo, temperada por novas idéias e princípios, o ponto forte de sua jornada invicta.”
Além da Espanha, quem ganhou foi o futebol, onde muitos ainda acreditam, que não há mais nada para se “inventar”…
Sara Carbonero, repórter e namorada do goleiro espanhol Casillas, fora acusada de ser a responsável pela primeira derrota da Espanha, logo na estréia do Mundial.
Passados 6 jogos, a equipe de Casillas, Xavi, Fábregas e Iniesta vence a Copa da África do Sul, jogando um belo futebol.
O beijo do goleiro campeão durante a entrevista ao vivo fecha com emoção a Copa do Mundo de 2010 e mostra que o futebol é uma paixão de todos.
O uso comercial de nossa seleção por uma marca de cerveja é forma sofisticada de estimular a dependência do álcool desde a juventude.
As indústrias de tabaco e de bebidas alcoólicas guardam semelhança em vários aspectos. Primeiramente, ambos os produtos infligem altíssimas consequências negativas sobre a saúde da população.
O consumo de tabaco ainda é a principal causa de morte potencialmente evitável em seres humanos.
Por outro lado, os custos atribuídos ao consumo de bebidas alcoólicas (segundo dados da Organização Mundial de Saúde) no total da saúde pública na América do Sul atingem a espantosa marca de 8% a 15% , enquanto que a taxa mundial é de apenas 4%.
Particularmente entre os mais jovens, há uma associação frequente do consumo nocivo de álcool com violência, acidentes automobilísticos, sexo desprotegido, faltas na escola e trabalho etc.
Outra semelhança é a longa história de associação dessas indústrias com esportes, que se tornou especialmente proeminente e integrada nas últimas décadas.
A publicidade de bebidas alcoólicas usando elementos do mundo esportivo mantém-se firme.
Lawrence Wenner, em estudo bastante conhecido, pergunta: “Como é que o consumo de álcool associado ao esporte não é percebido como uma ironia cultural? Como aconteceu que o fã de esportes passou a se sentir a vontade opinando sobre a performance dos atletas com uma cerveja na mão?”.
A resposta é que essa associação foi criada e alimentada por questões puramente mercadológicas, com a contribuição de inúmeras estratégias de marketing.
A distribuição do consumo de álcool no Brasil é altamente concentrada nos homens (78%) e na faixa etária dos 18 aos 29 anos de idade (40% versus as demais idades).
Dessa forma, é de interesse da indústria de bebidas apostar suas principais fichas na publicidade para homens jovens. E onde, melhor que nas transmissões esportivas, pode-se encontrar esse grupo de forma altamente concentrada?
Começou bem! A maravilhosa sul-africana Charlize Theron foi a anfitriã do sorteio da Copa 2010 na Cidade do Cabo.
via Thank God for Football
O Brasil conheceu hoje seus adversários na Copa do Mundo de 2010 e vai pegar Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte. Alguns de nossos adversários na África do Sul são conhecidos por aqueles que acompanham o campeonato inglês. Sete jogadores do Chelsea devem estar nos elencos de portugueses e marfineses. A Coreia do Norte só tem cinco “estrangeiros”. Eles jogam na Coreia do Sul, Japão, Rússia, Suíça e China.
“…talvez a vantagem de Dunga seja não ter tido tempo e experiência como técnico dentro do nosso bom futebol brasileiro; e só com isso, já apresenta resultados mais satisfatórios do que seus antecessores em vários aspectos.”
Começo a pensar que aquela que era para mim a principal fragilidade do treinador da seleção do Brasil, é na verdade sua principal virtude
Não estou aqui a escrever esse texto para defender esse ou aquele treinador, nem tão pouco para apontar defeitos personificados em um sujeito qualquer que um dia decidiu se tornar treinador de futebol.
Quando aponto falhas no comportamento organizacional de uma equipe, não tenho pretensão alguma de criticar o trabalho do “comandante” da tal equipe, apenas quero discutir como ela joga o jogo.
Hoje, vou então abrir uma exceção, para escrever sobre o treinador da seleção brasileira de futebol, o Dunga.
Confesso ainda achar muito estranho que alguém assuma como primeiro trabalho em sua profissão (em sua carreira), aquele que é tido como o mais importante, difícil e valorizado dentre seus pares.
O fato é que depois de ouvir recentes depoimentos de jogadores brasileiros que jogam ou jogaram na Europa nos últimos anos, começo a pensar que aquela que era para mim a principal fragilidade (defeito, problema!) do treinador da seleção do Brasil, é na verdade sua principal arma (vantagem, qualidade, virtude).
Explico. É muitas vezes assustador assistir nos programas “especializados” em futebol na televisão brasileira as comparações infundadas sobre o futebol praticado na Europa e o praticado no Brasil. Um sem número de argumentos vazios é usado para tentar convencer aos ouvidos menos atentos de que dentro do campo, seja no âmbito da preparação física, técnica ou tática, nós brasileiros somos imbatíveis.
É um velho-novo discurso que, reduzindo o futebol à relações de causa-efeito, simplifica ao bel prazer dos achismos, fatos e teorias que explicam o ponto de vista que se quer defender.
É incontestável que fatores como a preocupação da Uefa com a qualidade da formação dos treinadores em ação no território europeu (da base ao profissional), a proximidade entre as Universidades (Ciência) e a prática em alguns centros, e o grande número de eventos que promovem discussão entre profissionais em diversos países da Europa têm garantido já há algum tempo um grande salto de qualidade no jogar das equipes européias.
“…A tecnologia não está autorizada a entrar em campo oficialmente.”
A Seleção Brasileira venceu ontem a partida contra a Seleção do Egito pela Copa das Confederações por 4 X 3, com um gol de pênalti assinalado aos 47 minutos do segundo tempo.
Nem o árbitro, nem os assistentes viram a infração. A informação chegou pelo quarto árbitro, que havia visto pelo monitor de tv a ‘defesa’ do zagueiro egípcio em cima da linha de gol, utilizando boa parte do braço.
A Fifa ‘não admite’ o uso de tecnologia que interfira no resultado do jogo.
Mas a regra é clara: mão na bola na pequena área, e que não seja a do goleiro, é cal!
Dunga poderia ter sido prejudicado caso o sopro tecnológico não tivesse ocorrido, além de todos os reflexos diretos e indiretos que uma eliminação precoce poderia causar.
A tecnologia faz derrubar aviões do céu e conecta pessoas ao redor do mundo.
Mas não está autorizada a entrar oficialmente em campo.
“…E se futebol pode ser educação e cultura, não temos uma grande oportunidade de tirarmos proveito disto como país de terceiro mundo?”
O advento de uma Copa do Mundo, para qualquer país, pode ser assimilado como uma grande oportunidade de aceleração do crescimento – um verdadeiro PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) * em forma de gols.
Desde 30 de Outubro de 2007, data do anúncio oficial da FIFA indicando o Brasil como sede da Copa de 2014, pouco caminhou-se na direção de uma visão mais estratégica sobre como todos nós – do Chefe Maior ao torcedor comum – poderemos contribuir para fazermos deste evento, não só um grande espetáculo do futebol mundial, mas uma plataforma ampla de melhorias à nossa nação, principalmente em mudanças significativas que estão além das condições mais básicas de infra-estrutura.
O futebol pode ser uma poderosa ferramenta de educação e cultura de um povo, dependendo da forma como o utilizamos. E se futebol pode ser educação e cultura, não temos uma grande oportunidade de tirarmos proveito disto como país de terceiro mundo?
De maneira colaborativa e participativa, podemos fazer surgir tanto idéias quanto envolvimentos e compromissos na construção não só de uma melhor e saudável estrutura para o nosso futebol, mas sobretudo de um país melhor.
Todos sabemos que não vamos mudar a estrutura do futebol profissional brasileiro do dia para a noite. É preciso começar passo-a-passo. É preciso, entre outras coisas, equacionar os problemas administrativos e de gestão dos clubes. E nisto estão envolvidos problemas frequentes vistos no nosso dia-a-dia, como violência nos estádios, política na venda de ingressos, proposta dos clubes formadores de atletas, comportamento das torcidas, ética dos dirigentes esportivos, entre outros assuntos.
A Universidade do Futebol tem um papel importante neste momento, não somente no auxílio à capacitação e qualificação de profissionais, mas na conscientização e divulgação de temas que possam trazer mudanças significativas para o bem do futebol brasileiro e mundial.
Eduardo Conde Tega acredita que o Brasil poderá um dia, enfim, tornar-se um centro de excelência na formação de profissionais do futebol.
Também sonha em ver o Brasil como uma nação de primeiro mundo, onde a educação e a verdadeira cidadania possam ter o valor e destaque que devidamente merecem.
O GEF - Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol foi criado em 2003 motivado pela necessidade de reunir alunos de graduação e pós-graduação interessados no debate sobre futebol numa perspectiva histórica e sociológica na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Em 2004 o grupo foi registrado na base de dados do CNPq.