Caderno de Campo

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Uma Universidade do Futebol para o Brasil

26/07/2010 · Deixe um comentário

Editorial de 7 Anos da Universidade do Futebol

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Uma condição para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol

Em pleno século XXI e em meio a um processo acelerado de globalização, dizer que o Brasil – e só ele – é o “país do futebol” parece um pouco de exagero, alimentado por um sentimento nacionalista exacerbado muito comum entre nós. Sentimento que não se sustenta quando se verifica cuidadosamente a evolução do futebol ocorrida em outros países, bem como quando se constata que este fenômeno esportivo cada vez mais é também capaz de despertar as mais inusitadas emoções em povos de diferentes culturas, ideologias e religiões pelo mundo afora.

Como afirma o destacado treinador francês Arsène Wenger, “o futebol pertence a todos nós. O mundo inteiro joga. É claro que alguns jogam melhor do que outros, mas todos sabemos como é correr e chutar uma bola… Em todos os continentes, o futebol é uma linguagem e uma cultura comum a todos: alegria, paixão, saber o que é estar num time, fuga, inspiração e afirmação de identidade”.

É inegável que entender o significado social do futebol se constitui em fator fundamental para se entender a “alma brasileira”, mas também o é para entender a cultura contemporânea nos dias de hoje. Como afirmam alguns sociólogos, o futebol explica a vida. E para esta compreensão não se pode deixar de considerar o movimento de globalização determinado pelo modelo econômico hegemônico no mundo.

Encerrada a 19ª. edição da Copa do Mundo, realizada na África do Sul, a primeira disputada em território africano – e igualmente reflexo deste contexto econômico –, o Brasil começa a se preparar com mais intensidade para a organização do seu Mundial.

Independentemente de sermos a favor ou contra a realização deste megaevento em nosso país (o raciocínio também serve para a Olimpíada-2016, no Rio de Janeiro), o fato é que salvo algo muito excepcional ele vai ser concretizado.

Nós, brasileiros, estamos, portanto, diante de uma questão fundamental: de que lado penderá a correlação de forças entre os interesses unicamente financeiros e de poder pelo poder, muitas vezes sem qualquer limite ético ou ideológico, e aqueles interesses representados pela oportunidade de, a propósito desses megaeventos, acelerarmos o nosso processo de desenvolvimento garantindo, de fato, um legado não só esportivo, mas social, cultural e educacional para o Brasil?

É neste cenário que a Universidade do Futebol busca o seu posicionamento. Como vimos, o futebol é manifestação de fundamental relevância não só no Brasil como no mundo todo e como tal pode ser uma excelente alavanca de crescimento sob diferentes aspectos. Nosso projeto, fruto do esforço de alguns abnegados e de muitos colaboradores ao longo dos anos, conseguiu – desde 25 de julho de 2003, quando foi lançado na internet com o nome de Cidade do Futebol – atrair milhares de usuários que acreditam que o futebol pode ser tratado com seriedade e profissionalismo, sem, contudo, perder sua magia, beleza e arte.

Esta constatação de estar contribuindo para a melhor capacitação e reflexão crítica em um ambiente ainda demasiadamente conservador e reacionário nos dá também a medida dos obstáculos que teremos pela frente, uma vez que acreditamos que o nosso sucesso está atrelado aos desafios do nosso próprio crescimento enquanto Nação.

Desde a década de 1980 que o Brasil busca consolidar o seu processo democrático. Com muitos avanços e – temos que reconhecer – com alguns retrocessos, nossas instituições – que garantem o funcionamento de nossa sociedade – são obrigadas por força popular a serem cada vez mais transparentes. Uma transparência que infelizmente ainda não atingiu certos setores, entre eles as instituições futebolísticas.

Como disse Arsène Wenger, o futebol pertence a todos nós, é patrimônio de toda a humanidade e, portanto, não pode pertencer a esta ou àquela instituição, como se eles fossem os seus proprietários, como muitas vezes nos dá a entender certas posturas de CBF e Fifa, para ficar em apenas dois exemplos.

Este é o embate. Neste momento em que o Brasil vai realizar dois grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, todos nós que somos apaixonados pelo futebol temos que entender também o nosso papel como cidadãos e lutarmos pela transparência de nossas instituições e a consolidação, o mais rápido possível, deste processo de democratização.

É neste sentido que a Universidade do Futebol, ao comemorar 7 anos de existência, está propondo a mobilização da sociedade – gostemos ou não do futebol – em busca desses ideais de construção de um ambiente mais transparente e, por consequência, mais democrático em nosso país, através do futebol e do esporte de forma geral.

Não podemos mais continuar vendo passivamente os interesses puramente financeiros e de busca pelo poder a qualquer preço prevalecerem. Da mesma forma que – em se tratando de futebol – não podemos nos contentar em sermos apenas exportadores de bons futebolistas. Há muita coisa para ser feita no “país do futebol”.

Muitas novas tarefas devem ser incluídas na agenda que antecede a realização da Copa do Mundo no Brasil. A primeira delas é cobrar mais transparência de todas as instituições governamentais e não-governamentais envolvidas nesta agenda. A outra é repensar de forma estratégica a infraestrutura e o modelo de organização em que se sustenta o futebol e o esporte brasileiros. Para isso é preciso compreender o futebol (e o esporte) para além de seus aspectos puramente técnicos ou administrativos.

Há também dimensões sociológicas, filosóficas, artísticas, entre outras, que não podem ser desprezadas. Como nos ensina o filósofo Manuel Sérgio, “para saber de futebol é preciso saber mais do que futebol.”

É nesse sentido que se justifica a existência de uma Universidade do Futebol em nosso país. Em um mundo em crise econômica, o Brasil se insinua como uma força emergente. Nesta perspectiva, temos amplas condições de realizar não só uma memorável Copa do Mundo, mas, sobretudo, aproveitarmos este momento para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol e na esteira da construção de uma sociedade mais democrática e justa.

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Sinal dos Tempos

12/07/2010 · Deixe um comentário

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via Universidade do Futebol, por Rodrigo Leitão

(…)

“E a ciência da altíssima performance, necessária e contada pela tecnologia das filmagens, dos recursos de análise de imagem, da medicina que opera milagres e cura ossos quebrados, chegou à final, representada pela pedagogia do esporte, do treinamento desportivo integrado, onde o que é tático, físico, técnico, psicológico e sócio-cultural não se separa.

Chegou à final representada pela seleção da Espanha, país que tem estudado e pesquisado a fundo questões que envolvem meios e métodos de treino no futebol, onde treinadores e cientistas se confundem em uma coisa só, onde teoria e prática não se separam; lugar em que o futebol é um ambiente riquíssimo para se aprender e produzir coisas novas.

Espanha e Holanda não chegaram à final por obra do acaso (certo Einstein?). Enquanto uma vem se construindo com bases sólidas em uma ciência que vê pelos óculos da complexidade, a outra faz do investimento em sua cultura de jogo, temperada por novas idéias e princípios, o ponto forte de sua jornada invicta.”

Além da Espanha, quem ganhou foi o futebol, onde muitos ainda acreditam, que não há mais nada para se “inventar”…

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Guerreiros, Álcool e Adolescentes

05/07/2010 · 1 comentário

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Qual símbolo queremos associado ao nosso futebol?

Debate do GEF

por ILANA PINSKY

O uso comercial de nossa seleção por uma marca de cerveja é forma sofisticada de estimular a dependência do álcool desde a juventude.

As indústrias de tabaco e de bebidas alcoólicas guardam semelhança em vários aspectos. Primeiramente, ambos os produtos infligem altíssimas consequências negativas sobre a saúde da população.

O consumo de tabaco ainda é a principal causa de morte potencialmente evitável em seres humanos.

Por outro lado, os custos atribuídos ao consumo de bebidas alcoólicas (segundo dados da Organização Mundial de Saúde) no total da saúde pública na América do Sul atingem a espantosa marca de 8% a 15% , enquanto que a taxa mundial é de apenas 4%.

Particularmente entre os mais jovens, há uma associação frequente do consumo nocivo de álcool com violência, acidentes automobilísticos, sexo desprotegido, faltas na escola e trabalho etc.

Outra semelhança é a longa história de associação dessas indústrias com esportes, que se tornou especialmente proeminente e integrada nas últimas décadas.

A publicidade de bebidas alcoólicas usando elementos do mundo esportivo mantém-se firme.

Lawrence Wenner, em estudo bastante conhecido, pergunta: “Como é que o consumo de álcool associado ao esporte não é percebido como uma ironia cultural? Como aconteceu que o fã de esportes passou a se sentir a vontade opinando sobre a performance dos atletas com uma cerveja na mão?”.

A resposta é que essa associação foi criada e alimentada por questões puramente mercadológicas, com a contribuição de inúmeras estratégias de marketing.

A distribuição do consumo de álcool no Brasil é altamente concentrada nos homens (78%) e na faixa etária dos 18 aos 29 anos de idade (40% versus as demais idades).

Dessa forma, é de interesse da indústria de bebidas apostar suas principais fichas na publicidade para homens jovens. E onde, melhor que nas transmissões esportivas, pode-se encontrar esse grupo de forma altamente concentrada?

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Frase da Semana

30/06/2010 · 1 comentário

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“O replay está para a FIFA como a cruz está para o vampiro”

(Manihot Kadj Oman, corinthiano, vegetariano, geógrafo, anarquista e apaixonado por futebol e cachorros.)

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Novos Tempos?

14/06/2010 · Deixe um comentário

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via Prof. Ms. Aldemir Teles Dema

A matéria principal da revista Época desta semana, anunciada em sua capa, tem o seguinte título: “O cérebro do craque de futebol – A ciência comprova: eles não são bons só com os pés – também são geniais com a cabeça”.

Salvo engano, é a primeira vez que o tema relativo às funções cognitivas no esporte (e o papel do esporte no desenvolvimento dessas funções) é divulgado na grande mídia brasileira, embora já publicado por órgãos de imprensa aqui no estado.

O texto é de excelente qualidade e fiel aos achados científicos, mesmo considerando que o público-alvo, em sua maioria, é leigo no assunto.

Chamaria atenção apenas para a não referência aos aspectos da dinâmica do jogo e a sua imprevisibilidade, que demandam mais atenção, percepção apurada, velocidade na tomada de decisão etc. e, como resposta a essa demanda, as funções que são desenvolvidas.


Acredito que estamos em plena travessia de uma nova fronteira do conhecimento no esporte, ao demonstrar o papel desse no desenvolvimento cognitivo, que tenho defendido como importante mudança no paradigma, (outro paradigma ao qual tenho me aventurado a estudar e defender é o que trata do esporte como meio de “modulação das emoções”).

Assim sendo, podemos atribuir ao esporte função mais “nobre”, condizente com a expectativa da visão cartesiana que impera ainda na sociedade, que supervaloriza a atividade intelectual em contraposição as atividades corporais. Portanto, podemos afirmar que a prática do esporte é também uma atividade intelectual.

Outros sentidos atribuídos ao esporte são popularmente conhecidos como: “esporte é saúde” e “esporte é lazer”, além do famigerado e reducionista conceito de que “o esporte livra os jovens da droga”, como se fosse um antídoto, um contraveneno. 


O próximo passo é sensibilizar os gestores da área esportiva, da educação, pública e privada, educadores, pedagogos, pais de alunos e estudantes para mudar a realidade presente nas escolas, onde a prática esportiva, ao contrário dos países desenvolvidos, quase inexiste, com algumas honrosas exceções. 


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Atletas tipo Exportação

03/05/2010 · 9 comentários

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“Se o Santos F.C. é uma fábrica de craques que produz espetáculos, por que não tirar vantagens deste ambiente e assumir seu papel de exportador com Selo de Qualidade?”

Os diretores executivos de futebol deveriam perguntar –se “como é que eu insiro meus atletas na concorrência global e nas oportunidades que surgem a cada dia e como prepará-los para tamanha diversidade cultural?”

Trocando em miúdos:

como fazer para que o meu atleta tipo exportação possa se valorizar e potencializar a marca do meu Clube e abrir novos mercados ?

Entre 2005 e 2009, tivemos uma media de 987 atletas deixando o Brasil com contrato de trabalho para equipes do exterior. Isso mesmo: 90 equipes inteiras – do goleiro ao atacante – sendo exportadas para os cinco continentes, todos os anos.

Neste período, pela mesma média, outros 503 atletas retornaram ao país, ano após ano.

Ou seja, mais de 50% dos atletas que saem do país, retornam para o mercado brasileiro.

Motivos? Vários.

Vamos falar de alguns deles no processo de expatriação.

Segundo a psicóloga intercultural Andrea Sebben, a migração envolve todas as pessoas que estão em contato com o jogador: seus pais, filhos, esposas, namoradas, empresários e amigos. O esforço dedicado para que ele tenha sucesso e para que “se adapte, aproveite, e seja feliz” é imensurável.

No entanto, para muitos, viver no exterior acaba tornando-se um fardo, uma obrigação a cumprir, um desafio para além de suas forças.

O atleta e seus acompanhantes no exterior, muitas vezes, irão se deparar com sentimentos como ansiedade, insegurança, medo, despreparo, solidão, saudades, sentimentos de inferioridade/superioridade, graus de preconceito, estereotipia ou racismo, entre outros.

A volta, ou o retorno prematuro destes jogadores, além de enormes prejuízos financeiros, traz muito sofrimento, não só para eles, mas para todos aqueles que estiveram esperando.

Sentimentos de derrota, fracasso, menos-valia, vergonha, culpa entre tantos outros, permeiam o imaginário dessas pessoas quando percebem que não estão conseguindo realizar seu propósito.

Os jogadores expatriados trazem todo o suporte cultural e étnico para o novo mundo onde irão se integrar. Porém, é pelo menos a cultura de três personagens que se encontram e que tornam esse processo de aculturação ainda mais dramático: a cultura brasileira, a cultura do Clube onde irão jogar e a do país onde irão viver – conclui a especialista.

A maioria dos jogadores, por exemplo, é proveniente de uma faixa da população de classe média baixa – e a diferença “entre mundos” é gritante. Como adaptar-se? Como aprender o idioma? Como seguir regras e símbolos até então irreconhecíveis? Como tornar realidade as expectativas antes do embarque para esse mundo novo?

Auxiliar, compreender e preparar as pessoas para esses fenômenos migratórios é tarefa da chamada Psicologia Intercultural.

A Psicologia Intercultural é uma área nova da ciência. É uma ciência bastante estudada e aplicada na Europa, Canadá e EUA e muito gradualmente emergindo no Brasil. Seu objeto de estudo é a relação entre cultura e o comportamento dos povos e, conseqüentemente, os complexos fenômenos migratórios vivenciados por aqueles que migram.

Como são os brasileiros? Como se comportam os espanhóis? Como perdoam os árabes? Quais crenças religiosas se baseiam os chineses? E o mais importante: Como educar para tanta diversidade?

De tempos em tempos, os Clubes brasileiros de maior porte, faturam milhões na venda de seus melhores craques ao exterior. Vale ressaltar que ainda não existe a preocupação de investir no método que sirva para “elevar o nível do mar”, permitindo uma melhora considerável no produto tipo exportação.

Mas quantos destes Clubes investem para ter atletas mais preparados para vencer fora do território nacional?

Surpreende o fato que as expatriações destes atletas aconteçam ainda de forma tão “artesanal”, muitas vezes proporcionada por pessoas de fora do clube: pais e empresários, de maneira geral.

Neymar por exemplo, foi captado pelo Santos F.C. em 2004, quanto tinha apenas 12 anos. O Clube enxergava a pedra preciosa que tinha em mãos e logo tratou de proteger seus interesses remunerando o atleta e sua família com luvas e ajudas de custo a peso de ouro. Com 14 anos, já recebia montantes que se igualavam aos salários dos atletas profissionais da equipe principal.

Hoje, com 18 anos, tem a multa contratual mais cara do futebol brasileiro, superando os 80 milhões de reais. Se algum clube do exterior quiser tirá-lo do Santos F.C., terá que desembolsar aos seus cofres uma quantia próxima a este valor.

É fato que o clube do litoral tem localização privilegiada para a captação de atletas talentosos e que seus negócios – exportação de atletas – tenham se tornado mais expressivos que o de outros grandes clubes.

Também é fato que o clube pretende fazer muito dinheiro com o jovem atleta, assim como procurou fazer com Robinho e Diego.

Mas em seis anos, desde a chegada de Neymar ao clube, e sabendo da jóia preciosa que tinha em mãos, qual foi o investimento na direção deste processo? Que aumentassem as probabilidades deste atleta ter sucesso no exterior e, consequentemente, potencializasse os negócios do clube que um dia também captou Pelé?

Nas últimas semanas, Neymar disse que não era preto, que pinta o cabelo de loiro, que pretende comprar um Porsche e uma Ferrari, que será obrigado a tirar título de eleitor e que não sabe quem são os candidatos à Presidência do Brasil. Disse também que acha que é metrossexual.

Apesar de toda a bola que carrega este jovem craque, Neymar é apenas um jovem, vítima da desigualdade social e que teve pouco acesso às lições de cidadania e ao aprendizado mais adequado à sua carreira de atleta profissional.


Se o Santos F.C. é uma fábrica de craques que produz espetáculos, por que não tirar vantagens deste ambiente e assumir seu papel de exportador com Selo de Qualidade?

No mundo ideal, seríamos exportadores de Campeonatos PayPerView e capazes de permanecer com quem proporciona o espetáculo.

E, para isto, não basta apenas que o futebol brasileiro tenha tanto glamour quanto o europeu.

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Ego Sum

25/03/2010 · Deixe um comentário

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Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação?

via Universidade do Futebol,  por Oliver Seitz

( … )

Uma questão que eu acho que merece uma discussão detalhada para a melhor compreensão possível sobre o comportamento da indústria do futebol brasileiro é a influência que o ego possui nas ações dos tomadores de decisão envolvidos com o jogo. Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação? Até que ponto essa necessidade de se auto confortar influencia o rumo das suas ações?

Eu venho batendo na tecla de que o futebol gera mais exposição do que dinheiro há muito tempo. Assumindo que isso seja verdade, é natural imaginar que boa parte das pessoas que se envolvem com o futebol buscam mais exposição do que dinheiro. Isso explica, por exemplo, o grande envolvimento de diretores não remunerados com os clubes. O cara larga o trabalho, a casa e a família para se dedicar ao clube. Muita gente vê nisso, não sem subsídios, uma ação de picaretagem. Afinal, se o cara se dedica tanto assim, o cara deve levar uma boa grana por fora. Por vezes, isso é verdade. Mas a impressão que eu tenho é que na maioria das vezes isso se dá por uma questão de auto-estima.

Pessoas que se envolvem com o futebol rapidamente alcançam um status de importância não necessariamente relacionada ao seu currículo pessoal. Isso acontece, por exemplo, com um cara qualquer que de repente vira presidente do clube de futebol. Do dia pra noite, o cara larga o anonimato e se torna uma figura pública. Alguns não gostam disso. A maioria acaba se embebedando. E não larga o osso. Pior, acha que a exaltação é pessoal, e não institucional. Acha que a bajulação se dá pela figura individual, e não pelo fato de ser presidente de uma organização muitas vezes histórica e influente. Aí começa a confundir as coisas. Faz uma conta no Twitter e vai pro abraço. Tenta ser maior que o clube. Logicamente, não é. E tudo, hora ou outra, acaba se esfacelando.

Mas não é só o presidente. Talvez pior sejam os diretores. Afinal, presidente é presidente. Justo que seja minimamente egocêntrico. Diretor, porém, é outra história. O cara é eleito, nunca foi nada, e de repente acha que é o ó do borogodó, que eu não sei se está relacionado apenas à última vogal ou ao fato de ocupar 50% de uma palavra oito letras. Enfim, o cara sobe nas tamancas e, por ter feito parte de uma chapa – uma vez que na maioria dos clubes os diretores não são eleitos individualmente, mas sim fazem parte de um grupo encabeçado pelo presidente – acha que tem certeza daquilo que está fazendo. Afinal o cara é diretor. E diretor é da diretoria. E diretoria é vip. É nata. É elite. É qualquer outro adjetivo que indique superioridade. Tipo a última bolacha do pacote, ainda que eu ache que não seja muito apropriado uma vez que a última bolacha está sempre quebrada e sai junto com um monte de farelo. Ainda assim, ele vai lá, acha que sabe, faz o que quer e dificilmente alguém vai reclamar, uma vez que isso pode gerar um problema político.

Normalmente, portanto, há forte influência do ego no processo cognitivo dos principais tomadores de decisão do futebol.

O problema é que o esquema não para aí. Afinal, não é só dentro do clube que o ego impera. Fora dele pode ser pior ainda, principalmente na imprensa. Muito jornalista que trabalha com futebol ganha muito pouco. Muito comentarista que comenta futebol não ganha nada. Ainda assim, o cara não larga o osso por duas razões: a) porque ele gosta do que está fazendo e é feliz, o que é muito justo; e b) porque ele aparece na televisão e assim ele se torna uma pessoa conhecida e respeitada, o que até pode ser justo também, mas pode carregar um lado nefasto.

Ao aparecer todo dia e ser reconhecido na rua, um jornalista pode eventualmente achar que automaticamente sabe tudo sobre aquilo que ele está falando, e não se preocupa em aprofundar muito a sua opinião. Seu ego influencia na não necessidade do aprimoramento profissional. Muitas vezes, essa opinião é crítica em relação às decisões tomadas pelo clube, que por sua vez também são geradas pela necessidade de auto-estima. Aí, quando um ego bate outro ego, a coisa se complica. E o rumo das decisões começa a tomar a direção do caos.

Se você é psicólogo, você deve ter percebido que eu não sei muito bem sobre o que eu estou falando. Por isso que eu mencionei a necessidade do assunto ser mais bem pesquisado. O entendimento mais profundo dessa questão me parece ser bastante importante para o desenvolvimento mais apropriado da indústria.

E, se eu estou falando, pode ir com fé.

Acredite.

Não seje burro.

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Um Livro às Quintas

11/03/2010 · Deixe um comentário


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Games em Educação – como os nativos digitais aprendem, João Mattar

Editora Pearson, 2008.

“Introdução

5ª Série (6º Ano).

Fase 1

Aula de História. A professora fala sobre a Mesopotâmia. Escreve na lousa, com giz. Apaga com o apagador. O aluno ouve.

Em casa, o aluno estuda sozinho. No livro didático, ele lê sobre os rios Tigres e Eufrates, sobre a estrutura da sociedade mesopotâmica, sobre sua arquitetura, sobre sua religião, sobre o Código de Hamurábi.

Prova individual e sem consulta. Onde se localizava a Mesopotâmia? Quais as características da civilização mesopotâmica? O que significa zigurate?

Fase 2

Jogando Age of Empires. O jogador divide o controle da Babilônia com um colega e precisa utilizar estratégia e diplomacia para passar pelas idades da Pedra, do Bronze e do Ferro, enfrentando outras civilizações, controladas por outros jogadores.

Os jogadores precisam conseguir comida, madeira, ouro e pedra, dentre outros recursos e administrar cidades, casas, locais de armazenamento, templos etc.

É assim que a educação dos nossos jovens está hoje brutalmente segmentada: na escola, o ensino de um conteúdo descontextualizado que o aluno tem de decorar, passiva e individualmente.

Nos games, o aprendizado em simulações que o próprio jogador ajuda a construir, ativa e colaborativamente.”

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Ordinária

03/03/2010 · 1 comentário

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“Na parte administrativa do futebol, o que impera é o conhecimento ordinário; não raro, por conta disso, o conhecimento científico é deixado de lado…”

Via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz

Existem grandes chances de eu ser levemente problemático.

Afinal de contas, uma das poucas coisas que me lembro dos quatro anos que passei na faculdade é de uma aula de teoria do conhecimento, epistemologia para os nerds, que discutia as diferenças entre conhecimento científico e conhecimento ordinário.

A diferença, e posso estar completamente errado sobre isso, é, basicamente, que o conhecimento científico tem justificativa experimental e metodológica, e o conhecimento ordinário é gerado pela experiência pessoal, sem um padrão definido de observação. Consequentemente, o conhecimento ordinário tende a ser mais leviano e sujeito a falhas.

Na parte esportiva do futebol, quem reina é o conhecimento científico. Comissões técnicas bem estruturadas dão números a diversas variáveis que influenciam na performance de cada jogador, seja por medições de aspectos físicos, seja com estatísticas relacionadas ao jogo. A ciência tem, pelo menos nos clubes mais bem estruturados, um peso muito grande no departamento de futebol. Não é porque um cara acompanha futebol há trinta anos que ele terá razão suficiente, por exemplo, para definir um programa de treinamento de atletas. Para isso, é de fundamental importância a adoção de critérios científicos que existam ou estejam em desenvolvimento pelo mundo afora.

Na parte administrativa do futebol, entretanto, o esquema muda completamente. O que impera é o conhecimento ordinário, gerado por pessoas que fazem parte do sistema há anos ou que observam esse sistema desde muito tempo atrás. Em geral, não há e não se pede por ciência. Muito pelo contrário. Não é raro que um determinado conhecimento científico seja deixado de lado em função do conhecimento ordinário.

Um exemplo disso é o programa de sócios de um clube de futebol. A lógica mais evidente e simples sugere que quanto mais sócios um clube de futebol tiver, mais receita ele será capaz de gerar. Conhecimento ordinário, originado de observações sem cunho metodológico e sem padrão de mensuração, que move o direcionamento de diversas administrações de clubes de futebol pelo país. Um faz porque o outro faz, porque acha que dá certo e fica anunciando pra todo mundo.

O conhecimento científico, ainda que bastante carente de maiores aprofundamentos, sugere que a importância do sócio não é tão grande assim, uma vez que os efeitos de um programa com elevado número de participantes podem gerar significativos distúrbios administrativos e privar o clube de importantes canais de receita, principalmente no longo prazo.

Mas se alguém for defender isso junto para maioria dos tomadores de decisão nos clubes de futebol, será motivo de chacota. Afinal, é o conhecimento popular que prevalece sobre o científico. E ai de quem reclamar. Na melhor das hipóteses, será ignorado. Na pior, será taxado como levemente problemático. Corre até o risco de ser chamado de ordinário.

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A Evolução do Ensino da Matemática no Brasil

23/02/2010 · Deixe um comentário

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Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação,datilografia…

Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.

Segue o relato de uma Professora de Matemática:

“Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos

olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.

Está certo?

( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2011 vai ser assim:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, homosexual, portador de necessidades especiais, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)

( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00″

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Futebol no Brasil é Paraíso para Lavagem de Dinheiro

22/02/2010 · Deixe um comentário

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“Brasil é paraíso para lavagem de dinheiro, diz Fifa”

Via Estado de S. Paulo

Transferências de jogadores que não existem, clubes fictícios e dinheiro de origem obscura. Em um raio X preocupante, a Fifa admite abertamente pela primeira vez que o futebol no Brasil e em toda América do Sul se transformou em um paraíso para a lavagem de dinheiro. Nas palavras da entidade, o mercado de jogadores vive uma “lei da selva, sem controle”.

Para acabar com esses esquemas fraudulentos, a Fifa dará até outubro para que todos os clubes do mundo passem a registrar compra e venda de atletas em um sistema eletrônico que dá à entidade amplos poderes para monitorar as transações internacionais. No Brasil, escolinhas de futebol, fundos de investimentos e mesmo empresas como a Traffic poderão ter dificuldades para se adaptar.

Pelas estimativas da Fifa, entre 20 mil e 30 mil jogadores saem de seus países por ano em um mercad o avaliado em bilhões de euros. Tudo sem qualquer controle. “O futebol é um dos últimos setores no mundo em que uma movimentação enorme de dinheiro ocorre internacionalmente sem qualquer controle. Agora, decidimos que essa era está chegando a seu fim”, afirmou Mark Goddard, gerente geral do Sistema de Transferência da Fifa, o novo mecanismo eletrônico que promete revolucionar a administração do futebol.

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A Criatividade no Desenvolvimento do nosso Futebol.

05/02/2010 · Deixe um comentário

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“Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo ‘em berço esplêndido’…”

por João Paulo S. Medina

Podemos analisar o trabalho com as categorias de base nos clubes de futebol sob diversos ângulos. Preferi abordá-lo na perspectiva do seu potencial criativo, tentando com isto dar uma contribuição para a reflexão sobre o nível do nosso futebol.

Durante muito tempo a formação de jovens talentos para a prática do futebol em nosso país se deu de forma quase espontânea, germinado nos quintais das casas, ruas, campinhos, praias, entre outros lugares mais inusitados. Com o desenvolvimento urbano e mudanças de hábitos e mesmo de cultura (a cultura rural, por exemplo, foi praticamente substituída pela urbana nas últimas 6 ou 7 décadas), estes locais foram sendo seqüestrados da população ou, quando não, fortemente “disciplinados”.

Hoje em dia é comum, por exemplo, vermos regras rígidas para que o futebol possa ser praticado até em certas praias que tenham grande movimento de pessoas. Aos poucos, a imaginação e a criatividade, que são exercidas nestas circunstâncias de práticas livres e espontâneas, foram sendo substituídas por práticas cada vez mais reguladas, regulamentadas, disciplinadas, por modelos que tentam reproduzir, desde tenra idade (8, 7, 6, 5 anos), o modelo de futebol profissional, adulto e altamente competitivo.

As chamadas “escolinhas de futebol” e o trabalho feito por muitos clubes em suas categorias de base são os exemplos mais bem acabados destas mudanças. Muitas vezes, liderados por profissionais incríveis e surpreendentemente despreparados (às vezes são professores “formados”), nossas crianças e adolescentes são submetidas a verdadeiras torturas motoras, emocionais e psicológicas. Não fosse o alto grau de resistência presente em nossa maravilhosa e rica cultura brasileira, que acaba driblando com ginga e “malandragem” estas limitações impostas, conseguindo colocar alegria e vida em tudo que faz, e já teríamos destruído este aparentemente inesgotável potencial criativo do nosso povo e, e em especial, do nosso futebol.

Bem, mas já imagino o que você leitor pode estar pensando. Afinal de contas somos 5 vezes campeões mundiais e atualmente somos considerados os melhores do mundo e ainda temos grandes talentos jogando no Brasil e fora dele. Portanto a situação não deve ser tão dramática assim…

No meu modo de ver, temos que rapidamente reconhecer que estamos gradativamente perdendo nossa criatividade, este fundamental ingrediente do futebol brasileiro. E isto não quer dizer que não estejam nascendo mais crianças talentosas com este potencial, como antigamente. O que acontece é que aquilo que surgia de forma quase espontânea, às vezes com a ajuda de alguns adultos com alguma dose de bom senso (pais, professores, treinadores), hoje necessita de uma estimulação cada vez mais consciente e mesmo profissional. Se for verdade que a adequada preparação orgânica, motora, técnica, tática, emocional, social etc. é fundamental, não se pode esquecer de, ao mesmo tempo, criar-se um ambiente de liberdade, favorável às expressões de criatividade. Infelizmente o esforço, através dos processos educativos formais, não-formais ou informais, tem sido muito maior no sentido de matá-la do que de desenvolvê-la. Infelizmente…

Torço para que as nossas conquistas nos campos de futebol, que tantos benefícios profissionais podem nos trazer, não nos deixem cegos para as enormes possibilidades que temos de sermos ainda mais brilhantes neste século XXI. Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo “em berço esplêndido”.

Se concordarmos que este potencial já não pode ser desenvolvido de forma tão espontânea como em tempos passados, em virtude de mudanças na nossa maneira de viver, precisamos começar a fazer uma reflexão crítica sobre como melhorarmos este nosso ainda elevado nível de prática futebolística.

Não se constrói um ambiente favorável à criatividade da noite para o dia. Muitas vezes este processo leva anos. Sabemos que existem profissionais competentes com estas preocupações em nossa comunidade do futebol e que estudam seriamente este fenômeno, mas é preciso que esta consciência se amplie e, mais do que isso, que haja políticas (principalmente nos clubes e escolas) incentivando e estimulando a criatividade, este que é, hoje em dia, não só uma matéria prima diferenciada para o futebol, mas para o próprio desenvolvimento humano e social.

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A Chave do Vestiário

01/02/2010 · Deixe um comentário

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O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

A maioria dos presidentes de clubes de futebol, ao contratar seus treinadores, solenemente, entrega a ‘chave do vestiário’ ao novo orientador tático da equipe.

Funciona mais ou menos assim: o presidente chega para o seu novo contratado e diz nas entrelinhas:

“Vai lá.. e joga. Se você ganhar, continua. Se perder, eu serei obrigado a trazer outro melhor.”

E o ciclo se repete na próxima contratação…e na próxima, até que a equipe esteja alinhada cosmicamente e consiga os resultados.

Mais tarde, assim que novas derrotas se apresentem, o ciclo volta a se repetir.

Não se contrata treinadores pensando exclusivamente em salário. Contrata-se pensando em processos.

Ou seja, busca-se um nome que tenha o perfil desejado e que esteja alinhado com o que a instituição pretende desenvolver no curto, médio e longo prazos.

Um treinador que acredite nas mesmas coisas que o presidente acredita. E vice-versa.

E como um clube pode encontrar o treinador certo?

Da mesma maneira que as grandes corporações que procuram disputar espaços no mercado: minimizando erros na escolha de cargos estratégicos, ao tratar com competência o processo de escolha para a função pretendida.

Entrevistar candidatos com um roteiro bem definido e que revele aspectos importantes do perfil do futuro treinador, já é um primeiro passo.

Ao conhecer melhor o candidato a treinador, pode-se aprofundar e querer discutir questões básicas do dia-a-dia, como política de relacionamento com os diferentes profissionais que lhe darão suporte (fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, profissional de TI etc.) e processos de vestiários, talvez o mais sensível de todos os ambientes dentro de um clube.

Quem faz o quê neste ‘sagrado’ local? Como minimizar egos e integrar sinergicamente os (mesmos) objetivos da comissão técnica, gestores e diretoria?

Quais são as informações que a comissão técnica deve passar à diretoria para que ela ‘compre uma briga’? Seja com um empresário/procurador, outro clube, tv, patrocinador, arbitragem, federação…

Ou problemas de autoridade no vestiário, onde transitam os mais diversos tipos de profissionais e amadores bem intencionados.

Vejam quantas são as dimensões e assuntos vivenciados diariamente neste ambiente e o quanto seria pouco produtivo e/ou inteligente deixá-los apenas a cargo do treinador que recebeu ‘a chave’.

O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

Alinhando os principais processos, fica inócua a discussão de quem manda no vestiário, por exemplo.

E isto não significa em absoluto querer escalar a equipe, ou induzir o treinador a jogar em duas linhas de quatro fora de casa.

Tal fato torna-se tão pequeno perto de todo um processo de trabalho, que nenhum presidente-de-verdade gostaria de se meter.

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Virada de Mesa

28/01/2010 · Deixe um comentário

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de Rodrigo Barp, via Universidade do Futebol

Vem dos pampas o vento que sopra uma mudança significativa – espera-se – na gestão dos clubes de futebol no Brasil.

O Internacional encaminha mudanças estatutárias para, a partir de 2013, profissionalizar de fato e de direito, a administração do clube, remunerando os quadros executivos do clube.

Não só o presidente, mas também os vices de cada departamento receberão salários, segundo o novo estatuto a ser votado até 2011. O presidente e o vice de futebol deverão ter dedicação exclusiva à agremiação.

Coisa que hoje ocorre apenas com o vice-presidente de marketing do clube, com o segundo e terceiro escalões, passará a estar institucionalmente arraigado de cima para baixo.

Muito se comenta, ao longo da história do futebol brasileiro, o envolvimento pernicioso dos dirigentes dos clubes com as finanças (mal) versadas em causa própria.

Futebol, política e administração pública costumam ter muitos aspectos em comum em nosso país.

A administração pública brasileira, em especial em âmbito federal, tem a ensinar ao futebol.

Antes da promulgação da Constituição Federal, em 1988, na esteira de governadores e prefeitos biônicos, indicados pela ditadura militar, o penduricalho de cargos em comissão e contratados por laços pessoais era o que prevalecia nos quadros administrativos.

A nova ordem político-institucional exigia a qualificação do funcionalismo público, por meio de concursos transparentes, estáveis e com credibilidade. Além de muito bons salários e estabilidade para o desempenho das atividades aos profissionais.

Não à toa vemos a enorme procura por estes concursos nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Melhores salários, com a garantia de concorrência leal para a busca das vagas, por meio da seleção em concursos, atraíram os melhores candidatos e melhorou em muito o nível da gestão pública.

Não que isso tenha excluído a lentidão burocrática e a corrupção. Mas todo o processo depurou muita sujeira que entupia nossos canos enferrujados.

Mudança como essa é fundamental e obrigatória, para que os clubes consigam perseguir o equilíbrio financeiro num cenário esportivo nacional ainda em consolidação. Ademais, o sistema atual do futebol, no tocante à gestão dos clubes, tem se revelado, perigosamente, deficitário.

Um exemplo prático de mudança vem do Poder Judiciário que, até pouco tempo atrás, permitia que os procuradores estaduais também exercessem a advocacia. Atualmente, isso não é possível, e as procuradorias melhoraram em muito a prestação do serviço público dela esperado.

O Conselho Nacional de Justiça também cobra produtividade dos Tribunais e seus juízes e desembargadores. Existem metas para o julgamento de processos.

Será que ainda existe espaço para que os diretores e altos executivos dos clubes deem meio expediente? Se sim, o futebol continuará refém de tentativas pouco consistentes de evolução, vindas de fora do sistema, como a Timemania…

Necessitamos de mais dirigentes com coragem para somarem-se aos do Internacional, visando promover a desestabilização do ambiente letárgico de nossa gestão no futebol.

Acredito que o primeiro passo é pagar muito bons salários para atrair pessoas qualificadas. Como num concurso público. Quem sabe, até mesmo com um concurso.

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Um Experimento Socialista

26/01/2010 · Deixe um comentário

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Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo’.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.”

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe e, portanto, seriam ‘justas’. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”…

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como resultado, a segunda média das provas foi “D”.

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”.

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas desavenças entre os alunos, palavrões e busca por culpados passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A injustiça do método tinha se tornado a principal causa das reclamações.

No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano, para a surpresa de todos.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível por parte de seus participantes e, dessa forma, o resultado estaria sempre fadado ao fracasso.

“Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso também é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento, para dar aos outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

“É impossível levar o pobre à riqueza através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar à alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.”

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Allenatore Zé Maria

25/01/2010 · 1 comentário

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via Folha de S. Paulo

Ele foi colega de Leonardo no curso para treinador. Faz estágio com José Mourinho na Inter e, nos próximos dias, estará no Manchester City aprendendo um pouco mais com Roberto Mancini.

“Não importa o nível em que você tenha jogado, para ser técnico aqui [Itália] é preciso fazer o curso. Tem o básico, que serve até a quarta divisão e é feito na própria cidade em que você mora. O segundo é federal e serve para toda a Europa. Fiz esse com o Leonardo. Vou fazer outro em outubro que é válido para treinar seleções, é o supercurso, de nível Fifa”, explicou à coluna Zé Maria, ex-lateral de Inter, Perugia, Levante e Sheffield United, para ficar nos gringos.

“Esses cursos servem em especial para conseguir uma base. Seria a ruptura, como dizem aqui na Itália, de uma vez por todas do jogador para ser treinador. Já me propuseram ser jogador-treinador e não quis. É preciso aprender a dirigir um grupo.

No curso tem todo tipo de matéria: psicologia esportiva, método de trabalho, técnico, tático, comunicação, medicina esportiva… Se um técnico vai treinar um time pequeno, sem muitas condições, tem que se virar em preparação física e até em medicina às vezes. Com a base que te dão nos cursos, dá para conversar com um médico sobre qual tipo de estiramento um jogador teve”, conta Zé.

Na temporada de estreia, Leonardo desponta como o Guardiola do ano. Duvidei de sua capacidade no início, mas base para treinador ele teve. “O Guardiola abriu as portas para treinadores novos, como o Leo.

A vantagem de assumir um time pouco após parar a carreira de atleta é que sabemos melhor o que ocorre no vestiário, conhecemos a necessidade dos atletas, conversamos na linguagem do jogador. O Leo está há dez anos no Milan, assim como o Guardiola cresceu no Barcelona. Se eu fosse treinar a Inter ou o Perugia, eu teria vantagem, maior intimidade, um ambiente mais fácil. Ajuda.”

Não só por Leonardo, mas também por Zico, que perdeu mais uma vez o emprego, a formação do técnico brazuca devia ser mais discutida.

“No Brasil, há curso, o sindicato oferece. Na Itália, é feito pela federação.

No Brasil, curso é em dois finais de semana. Aqui, são quatro semanas o primeiro curso, seis semanas o segundo, e o supercurso dura um ano.

O Leo teve autorização para treinar o Milan porque jogou Copa. Ele precisa do supercurso, e está fazendo.”

Zé Maria, pelo papo e pelo papel, já é técnico. “Após terminar o segundo curso, você não pode mais ser jogador. Teria que pedir um cancelamento do meu registro [de técnico] e, depois, determinariam se me devolveriam ou não. Tenho que raciocinar como treinador”, disse ele.

Os estágios com Mourinho e Mancini não integram cursos. O “allenatore Zé” busca um “plus”. Pode não vingar como técnico, mas está fazendo tudo o que pode para isso.

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Quem Entende Alguma Coisa de Futebol?

08/01/2010 · 3 comentários

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Quem entende alguma coisa de futebol?

Faço esta pergunta todo começo de ano, tentando encontrar alguma sábia resposta para uma das principais questões sobre o esporte bretão, ponderando o que aconteceu no ano anterior e o que pode vir a acontecer no ano que se inicia.

E a resposta ainda permanece a mesma: ninguém.

Simples assim.

Há alguns anos, chegava até a me incomodar com as tamanhas certezas dos principais “conhecedores de futebol” no país.

Agora, um pouco mais maduro, anoto algumas dessas verdades e dou risada com os amigos, confrontando-as com a realidade que se consumou.

Talvez o futebol seja o esporte mais parecido com o homem: complexo, racional (lógico), intuitivo, sensível, criativo e, repleto de fé e outras crendices.

E, da mesma maneira, talvez seja por essa razão que nunca será tão simples assim dar certezas absolutas antes da bola rolar.

Viramos o ano e nossa principal referência no futebol é o Flamengo, atual campeão brasileiro, com sua maravilhosa e imensa torcida e de igual magnitude em dívidas.

Mas vale reforçar que, se não fosse a falta de ego do treinador Andrade em perguntar ao recém contratado Petkovic de que maneira o camisa 10 gostaria de atuar, duvido que a sexta estrela estaria no peito dos rubro-negros este ano.

O humilde Andrade ouviu e colocou em prática: organizou a equipe em função do talentoso sérvio de 37 anos, que produziu como poucos, atuando mais solto pela esquerda, chegando para finalizar e ajudando na marcação até o meio-campo.

E quantos de nós não imaginou o óbvio: que Petkovic, contratado pelo Flamengo em troca de dívidas, era uma barca furada?

E em relação a Ronaldo? E ao forte Palmeiras, que ficava ainda mais forte com Muricy e Wagner Love?

A reflexão aqui não está por conta das análises e previsões de jornalistas e da grande mídia em geral. Nem sobre as besteiras repetidas todos os anos por alguns comentaristas. Longe disso.

Para quem quer enxergar, o futebol está cercado de ciências aplicadas. No seu sentido mais amplo, ciência (do Latim scientia, significando “conhecimento”) refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistematizada.

E, por não sermos conhecedores mais profundos desses conhecimentos, não sabemos de futebol como deveríamos. Simples assim.

“O futebol nos mostra com suas subjetividades, com o seu dia a dia e com suas incertezas, tudo isso que a gente sabe que pode acontecer para uma equipe ou para a outra.” (Mano Menezes, 2009.)

Para 2010, já anotei algumas certezas dos “conhecedores de futebol” e gostaria de compartilhar com os leitores deste blog:

a África do Sul já está desclassificada na primeira fase da Copa do Mundo;

o Brasil será o primeiro do grupo G na primeira fase da Copa do Mundo;

o Corinthians é franco favorito para o título da Libertadores;

o Corinthians será desclassificado na primeira fase da Libertadores, pois os jogadores contratados são velhos e futebol é pra gente jovem;

o Barueri irá cair para a série B.

Desculpem me por saber tão pouco sobre futebol, mas será que vai ser simples assim?

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Jogador de Futebol para a Prática de Atletismo

11/12/2009 · 2 comentários

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Cristiano Ronaldo é o jogador mais rápido do mundo, diz estudo do jornal alemão Der Spiegel.

O trabalho envolveu os jogadores dos principais clubes do planeta e levou em conta a melhor marca atingida por estes atletas em corridas em direção à bola. Assim, Cristiano Ronaldo ficou com o topo da lista com 33,6 km/h.

Pois então, sugiro ao atleta que participe das provas de atletismo do selecionado português, que tal?

Ser um jogador de futebol veloz garante exatamente o quê?

Aliás, a velocidade no futebol é muito relativa.

Por exemplo, o estudo do periódico alemão compreende a velocidade em direção até a bola.

Mas que tal discutirmos a velocidade com a bola nos pés, ou melhor, a velocidade tática no futebol? Proponho um desafio:

Usain Bolt, o jamaicano que impressionou o mundo batendo seguidos recordes nas provas dos 100 e 200m, contra o meia Deco, do Chelsea.

Utilizando um campo de futebol como “pista de corrida” e criando um percurso irregular, semelhante às características do traçado de uma jogada em direção ao gol, será considerado o vencedor quem antes chegar na linha de fundo, partindo com a bola nos pés e mantendo-a junto ao corpo durante todo o deslocamento.

Será que Deco, com seus 67kg e de estatura mediana seria um adversário à altura de Usain Bolt?

Façam suas apostas.

Eu já fiz a minha.

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Um Livro às Quintas

03/12/2009 · Deixe um comentário

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“Qual será o efeito a longo prazo de digitalizarmos a nossa vida? E de delegar a nossa memória a terceiros…”

Via Tiago Doria

Terceirização da Memória. Este é o termo que o autor Gordon Bell utiliza quando se refere ao fato de, aos poucos, não nos preocuparmos mais com a memorização dos números de telefone, por exemplo. Mas, sem perceber, a cada dia estamos tentando “expandi-la”.

Muito do desenvolvimento humano sempre teve como base uma constante busca por uma memória expandida. Em parte, a invenção da escrita surgiu para suprir as limitações da biomemória. Escrevemos para guardar coisas, para certificarmos que não vamos nos esquecer.

O diferencial é que, na última década, houve uma explosão desse processo graças ao crescente barateamento das tecnologias de captar, armazenar e recuperar informações. Nunca registramos tantos momentos das nossas vidas como hoje em dia.

Um celular equipado com câmera de vídeo e foto, integrado a um site de compartilhamento de imagens, abre caminho para que possamos registrar todos os momentos de nossas vidas. E ainda recuperá-los a qualquer momento, bastando digitar uma palavra-chave no campo de busca.

Enfim, ficou muito fácil captar, armazenar e recuperar informação pessoal. No entanto, essa facilidade gera questões. Qual será o efeito a longo prazo de digitalizarmos a nossa vida? E de delegar a nossa memória a terceiros, no caso, computadores e programas que lembram desde uma data de aniversário até aquela primeira longa conversa que tivemos com uma pessoa no MSN?

Ficaremos mais preguiçosos? Ou serão abertos novos horizontes ao podermos recuperar facilmente cada momento das nossas vidas?

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Mercadoria Tipo Expotação

18/11/2009 · Deixe um comentário

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por Tostão (Folha de S. Paulo), sobre a atual média de altura da seleção brasileira principal, comandada por Dunga:

“Os grandalhões brasileiros são consequência da seleção feita nas categorias de base.

Os meninos estão se tornando atletas muito cedo.

São produzidos em série, como mercadoria para ser exportada.

Os grandalhões com talento valem fortunas.

Os que não vão para frente (a maioria) sentem-se frustrados e incapazes de exercer outras atividades. Perdem o futebol e a vida.”

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