O termo “campo de distorção da realidade” foi criado por Bud Tribble em 1981, na época, um dos figurões da Apple, e descreve a habilidade de Steve Jobs em conseguir convencer as pessoas a acreditarem em qualquer coisa com uma mistura de charme, carisma, performance, exagero e marketing.
Existem pessoas que levam isso bem a sério, já outros (principalmente os fãs da marca) juram que nada seria possível se os produtos da Apple não fossem realmente “incríveis, maravilhosos, práticos, fáceis, bonitos…”
Fico imaginando se o futebol brasileiro não vive um pouco desse ‘campo de distorção da realidade’.
Onde nossos cinco títulos mundiais e a perspectiva de um sexto chegando, acabam por distorcer nosso campo de visão sobre o que é ter o melhor futebol do mundo.
E fica a pergunta: o que é ter o melhor futebol do mundo?
“Temas como processo sistêmico, interdisciplinaridade e complexidade, são abordados no universo corporativo.”
(Livro: Presença, de Peter Senge).
O Instituto Tecnológico de Massachusets (MIT) desenvolveu um ambicioso projeto, no qual aplicava conceitos sistêmicos, modelos mentais e outras ferramentas de aprendizado organizacional.
O programa dispunha de um orçamento de mais de um bilhão de dólares para cinco anos, com uma equipe de mil engenheiros em tempo integral, divididos em uma dezena de equipes subsepecializadas, cada qual responsável por uma característica do produto.
Todos trabalhavam sob intensa pressão para cumprir prazos, de modo que as soluções rápidas e superficiais eram a norma – infelizmente, com freqüente desconhecimento dos efeitos colaterais que geravam em outras equipes.
A certa altura, um grupo formado por membros elaborou um mapa de sistemas, a fim de tentar entender o que estava impedindo os engenheiros de trabalhar juntos com proveito e, assim, cumprir os prazos.
Rapidamente foi detectado um padrão. Quando uma equipe subespecializada se deparava com um problema difícil, tinha duas escolhas: ou dava uma resposta rápida e superficial ou ía às raízes do problema.
Por exemplo, quando os engenheiros da área BVT (barulho, vibração, trepidação) resolveram o problema da vibração acrescentando alguns reforços estruturais, criaram novos problemas para a equipe do chassis, responsável pelo peso total do veículo.
Eduardo Conde Tega acredita que o Brasil poderá um dia, enfim, tornar-se um centro de excelência na formação de profissionais do futebol.
Também sonha em ver o Brasil como uma nação de primeiro mundo, onde a educação e a verdadeira cidadania possam ter o valor e destaque que devidamente merecem.
O GEF - Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol foi criado em 2003 motivado pela necessidade de reunir alunos de graduação e pós-graduação interessados no debate sobre futebol numa perspectiva histórica e sociológica na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Em 2004 o grupo foi registrado na base de dados do CNPq.