“Acontece que a lógica da internet é inversa. Na educação a distância, não existe espaço para que todos vençam.
Nela, não cabem centenas de cursos, mas somente os melhores…”
por Jurandir Sell Macedo
NO FINAL da década passada, o Laboratório de Ensino a Distância (LED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) colocou o Brasil entre os líderes mundiais dessa tecnologia. Naquela época, os custos de infraestrutura eram extremamente elevados.
Por meio de convênios com grandes empresas privadas e estatais, foi feito um intenso trabalho e muito conhecimento foi adquirido. Porém, devido à incompreensão do processo por parte de muitos professores e particularmente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o trabalho foi praticamente destruído.
Com o quase total desmanche do LED, diversos pesquisadores montaram pequenas instituições que ganharam destaque nacional e internacional. Hoje, videoconferências e transmissão de vídeos pela rede tornaram-se operações corriqueiras.
Caíram os custos da infraestrutura e aumentou a compreensão das diferenças didáticas entre aulas presenciais e a distância.
Graças aos poucos persistentes pesquisadores que permaneceram na UFSC, hoje, o atual Laboratório de Educação a Distância continua dominando essas tecnologias. Dez anos depois daquela experiência, a Capes acordou para a educação a distância e criou a Universidade Aberta do Brasil (UAB). A iniciativa por si só é louvável. Porém, a instituição carece da mínima compreensão sobre a direção das mudanças.
Hoje, a UAB tem um dos piores modelos de educação a distância do mundo. Estamos reproduzindo na internet os cursos por correspondência comuns no início do século passado, substituindo o livro, a mais antiga forma de educação a distância, por apostilas – o que não faz nenhum sentido.
O modelo da UAB é cartorial e vai de encontro ao princípio que norteia o desenvolvimento da educação a distância. Pode ser que assim o faça por falta de conhecimento de seus dirigentes ou por uma tentativa de contornar o conhecido corporativismo do meio universitário, distribuindo migalhas financeiras a muitos.
Segundo o modelo da UAB, diversas universidades brasileiras oferecem cursos de graduação e pós-graduação, tentando levar o modelo da sala de aula atual para a web. Só em administração e gestão, são hoje 168 cursos de bacharelado e especialização.
Acontece que a lógica da internet é inversa. Na educação a distância, não existe espaço para que todos vençam.
Nela, não cabem centenas de cursos, mas somente os melhores. Estes levam cada vez mais dinheiro, que lhes permite um aprimoramento constante, atraindo cada vez mais alunos e mais dinheiro. Um círculo virtuoso para as instituições vencedoras.
Nas escolas e universidades tradicionais, são necessários muitos professores, pois cada um deles atende um número limitado de alunos.







