Caderno de Campo

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Uma Universidade do Futebol para o Brasil

26/07/2010 · Deixe um comentário

Editorial de 7 Anos da Universidade do Futebol

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Uma condição para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol

Em pleno século XXI e em meio a um processo acelerado de globalização, dizer que o Brasil – e só ele – é o “país do futebol” parece um pouco de exagero, alimentado por um sentimento nacionalista exacerbado muito comum entre nós. Sentimento que não se sustenta quando se verifica cuidadosamente a evolução do futebol ocorrida em outros países, bem como quando se constata que este fenômeno esportivo cada vez mais é também capaz de despertar as mais inusitadas emoções em povos de diferentes culturas, ideologias e religiões pelo mundo afora.

Como afirma o destacado treinador francês Arsène Wenger, “o futebol pertence a todos nós. O mundo inteiro joga. É claro que alguns jogam melhor do que outros, mas todos sabemos como é correr e chutar uma bola… Em todos os continentes, o futebol é uma linguagem e uma cultura comum a todos: alegria, paixão, saber o que é estar num time, fuga, inspiração e afirmação de identidade”.

É inegável que entender o significado social do futebol se constitui em fator fundamental para se entender a “alma brasileira”, mas também o é para entender a cultura contemporânea nos dias de hoje. Como afirmam alguns sociólogos, o futebol explica a vida. E para esta compreensão não se pode deixar de considerar o movimento de globalização determinado pelo modelo econômico hegemônico no mundo.

Encerrada a 19ª. edição da Copa do Mundo, realizada na África do Sul, a primeira disputada em território africano – e igualmente reflexo deste contexto econômico –, o Brasil começa a se preparar com mais intensidade para a organização do seu Mundial.

Independentemente de sermos a favor ou contra a realização deste megaevento em nosso país (o raciocínio também serve para a Olimpíada-2016, no Rio de Janeiro), o fato é que salvo algo muito excepcional ele vai ser concretizado.

Nós, brasileiros, estamos, portanto, diante de uma questão fundamental: de que lado penderá a correlação de forças entre os interesses unicamente financeiros e de poder pelo poder, muitas vezes sem qualquer limite ético ou ideológico, e aqueles interesses representados pela oportunidade de, a propósito desses megaeventos, acelerarmos o nosso processo de desenvolvimento garantindo, de fato, um legado não só esportivo, mas social, cultural e educacional para o Brasil?

É neste cenário que a Universidade do Futebol busca o seu posicionamento. Como vimos, o futebol é manifestação de fundamental relevância não só no Brasil como no mundo todo e como tal pode ser uma excelente alavanca de crescimento sob diferentes aspectos. Nosso projeto, fruto do esforço de alguns abnegados e de muitos colaboradores ao longo dos anos, conseguiu – desde 25 de julho de 2003, quando foi lançado na internet com o nome de Cidade do Futebol – atrair milhares de usuários que acreditam que o futebol pode ser tratado com seriedade e profissionalismo, sem, contudo, perder sua magia, beleza e arte.

Esta constatação de estar contribuindo para a melhor capacitação e reflexão crítica em um ambiente ainda demasiadamente conservador e reacionário nos dá também a medida dos obstáculos que teremos pela frente, uma vez que acreditamos que o nosso sucesso está atrelado aos desafios do nosso próprio crescimento enquanto Nação.

Desde a década de 1980 que o Brasil busca consolidar o seu processo democrático. Com muitos avanços e – temos que reconhecer – com alguns retrocessos, nossas instituições – que garantem o funcionamento de nossa sociedade – são obrigadas por força popular a serem cada vez mais transparentes. Uma transparência que infelizmente ainda não atingiu certos setores, entre eles as instituições futebolísticas.

Como disse Arsène Wenger, o futebol pertence a todos nós, é patrimônio de toda a humanidade e, portanto, não pode pertencer a esta ou àquela instituição, como se eles fossem os seus proprietários, como muitas vezes nos dá a entender certas posturas de CBF e Fifa, para ficar em apenas dois exemplos.

Este é o embate. Neste momento em que o Brasil vai realizar dois grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, todos nós que somos apaixonados pelo futebol temos que entender também o nosso papel como cidadãos e lutarmos pela transparência de nossas instituições e a consolidação, o mais rápido possível, deste processo de democratização.

É neste sentido que a Universidade do Futebol, ao comemorar 7 anos de existência, está propondo a mobilização da sociedade – gostemos ou não do futebol – em busca desses ideais de construção de um ambiente mais transparente e, por consequência, mais democrático em nosso país, através do futebol e do esporte de forma geral.

Não podemos mais continuar vendo passivamente os interesses puramente financeiros e de busca pelo poder a qualquer preço prevalecerem. Da mesma forma que – em se tratando de futebol – não podemos nos contentar em sermos apenas exportadores de bons futebolistas. Há muita coisa para ser feita no “país do futebol”.

Muitas novas tarefas devem ser incluídas na agenda que antecede a realização da Copa do Mundo no Brasil. A primeira delas é cobrar mais transparência de todas as instituições governamentais e não-governamentais envolvidas nesta agenda. A outra é repensar de forma estratégica a infraestrutura e o modelo de organização em que se sustenta o futebol e o esporte brasileiros. Para isso é preciso compreender o futebol (e o esporte) para além de seus aspectos puramente técnicos ou administrativos.

Há também dimensões sociológicas, filosóficas, artísticas, entre outras, que não podem ser desprezadas. Como nos ensina o filósofo Manuel Sérgio, “para saber de futebol é preciso saber mais do que futebol.”

É nesse sentido que se justifica a existência de uma Universidade do Futebol em nosso país. Em um mundo em crise econômica, o Brasil se insinua como uma força emergente. Nesta perspectiva, temos amplas condições de realizar não só uma memorável Copa do Mundo, mas, sobretudo, aproveitarmos este momento para nos transformarmos verdadeiramente em um centro de excelência em futebol e na esteira da construção de uma sociedade mais democrática e justa.

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A Corrida da Qualificação

09/04/2010 · Deixe um comentário

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A revista Exame deste mês traz duas matérias muito interessantes.

A Corrida da Qualificação relata sobre a falta de técnicos para sustentar a expansão da economia em nosso país.

Só neste ano, será preciso treinar 1,3 milhão a mais do que em 2009 – como fazer isso?

( … )

Embora a discussão sobre a necessidade de formar profissionais com nível superior seja antiga no país, a carência de mão de obra de nível médio – como soldadores, operadores de máquinas, pedreiros e carpinteiros – é relativamente recente e desconcerta governo e empresas. “A falta de gente qualificada é uma de nossas piores fraquezas, pois impede que o país cresça por vários anos seguidos”, diz Marcelo Odebrecht, presidente do grupo formado por oito empresas, entre elas a maior construtora do país. “A consequência é a frustração dos investimentos pela perda de qualidade, de produtividade e, consequentemente, de aumento de custos. Esse é um verdadeiro drama para a economia.”

Ainda, na mesma revista, outra reportagem que vale bastante a leitura é a respeito do gol de placa da Esporte Interativo, que vem desenhando um novo modelo de empresa de mídia para o século XXI, num formato híbrido entre TV e Web.

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Frase da Semana

09/03/2010 · Deixe um comentário

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“São três as características para se tornar um grande treinador: ser líder, saber ler o jogo e saber comunicar para motivar.”

(Manuel Sérgio, filósofo portugês)

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Ordinária

03/03/2010 · 1 comentário

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“Na parte administrativa do futebol, o que impera é o conhecimento ordinário; não raro, por conta disso, o conhecimento científico é deixado de lado…”

Via Universidade do Futebol, por Oliver Seitz

Existem grandes chances de eu ser levemente problemático.

Afinal de contas, uma das poucas coisas que me lembro dos quatro anos que passei na faculdade é de uma aula de teoria do conhecimento, epistemologia para os nerds, que discutia as diferenças entre conhecimento científico e conhecimento ordinário.

A diferença, e posso estar completamente errado sobre isso, é, basicamente, que o conhecimento científico tem justificativa experimental e metodológica, e o conhecimento ordinário é gerado pela experiência pessoal, sem um padrão definido de observação. Consequentemente, o conhecimento ordinário tende a ser mais leviano e sujeito a falhas.

Na parte esportiva do futebol, quem reina é o conhecimento científico. Comissões técnicas bem estruturadas dão números a diversas variáveis que influenciam na performance de cada jogador, seja por medições de aspectos físicos, seja com estatísticas relacionadas ao jogo. A ciência tem, pelo menos nos clubes mais bem estruturados, um peso muito grande no departamento de futebol. Não é porque um cara acompanha futebol há trinta anos que ele terá razão suficiente, por exemplo, para definir um programa de treinamento de atletas. Para isso, é de fundamental importância a adoção de critérios científicos que existam ou estejam em desenvolvimento pelo mundo afora.

Na parte administrativa do futebol, entretanto, o esquema muda completamente. O que impera é o conhecimento ordinário, gerado por pessoas que fazem parte do sistema há anos ou que observam esse sistema desde muito tempo atrás. Em geral, não há e não se pede por ciência. Muito pelo contrário. Não é raro que um determinado conhecimento científico seja deixado de lado em função do conhecimento ordinário.

Um exemplo disso é o programa de sócios de um clube de futebol. A lógica mais evidente e simples sugere que quanto mais sócios um clube de futebol tiver, mais receita ele será capaz de gerar. Conhecimento ordinário, originado de observações sem cunho metodológico e sem padrão de mensuração, que move o direcionamento de diversas administrações de clubes de futebol pelo país. Um faz porque o outro faz, porque acha que dá certo e fica anunciando pra todo mundo.

O conhecimento científico, ainda que bastante carente de maiores aprofundamentos, sugere que a importância do sócio não é tão grande assim, uma vez que os efeitos de um programa com elevado número de participantes podem gerar significativos distúrbios administrativos e privar o clube de importantes canais de receita, principalmente no longo prazo.

Mas se alguém for defender isso junto para maioria dos tomadores de decisão nos clubes de futebol, será motivo de chacota. Afinal, é o conhecimento popular que prevalece sobre o científico. E ai de quem reclamar. Na melhor das hipóteses, será ignorado. Na pior, será taxado como levemente problemático. Corre até o risco de ser chamado de ordinário.

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A Criatividade no Desenvolvimento do nosso Futebol.

05/02/2010 · Deixe um comentário

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“Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo ‘em berço esplêndido’…”

por João Paulo S. Medina

Podemos analisar o trabalho com as categorias de base nos clubes de futebol sob diversos ângulos. Preferi abordá-lo na perspectiva do seu potencial criativo, tentando com isto dar uma contribuição para a reflexão sobre o nível do nosso futebol.

Durante muito tempo a formação de jovens talentos para a prática do futebol em nosso país se deu de forma quase espontânea, germinado nos quintais das casas, ruas, campinhos, praias, entre outros lugares mais inusitados. Com o desenvolvimento urbano e mudanças de hábitos e mesmo de cultura (a cultura rural, por exemplo, foi praticamente substituída pela urbana nas últimas 6 ou 7 décadas), estes locais foram sendo seqüestrados da população ou, quando não, fortemente “disciplinados”.

Hoje em dia é comum, por exemplo, vermos regras rígidas para que o futebol possa ser praticado até em certas praias que tenham grande movimento de pessoas. Aos poucos, a imaginação e a criatividade, que são exercidas nestas circunstâncias de práticas livres e espontâneas, foram sendo substituídas por práticas cada vez mais reguladas, regulamentadas, disciplinadas, por modelos que tentam reproduzir, desde tenra idade (8, 7, 6, 5 anos), o modelo de futebol profissional, adulto e altamente competitivo.

As chamadas “escolinhas de futebol” e o trabalho feito por muitos clubes em suas categorias de base são os exemplos mais bem acabados destas mudanças. Muitas vezes, liderados por profissionais incríveis e surpreendentemente despreparados (às vezes são professores “formados”), nossas crianças e adolescentes são submetidas a verdadeiras torturas motoras, emocionais e psicológicas. Não fosse o alto grau de resistência presente em nossa maravilhosa e rica cultura brasileira, que acaba driblando com ginga e “malandragem” estas limitações impostas, conseguindo colocar alegria e vida em tudo que faz, e já teríamos destruído este aparentemente inesgotável potencial criativo do nosso povo e, e em especial, do nosso futebol.

Bem, mas já imagino o que você leitor pode estar pensando. Afinal de contas somos 5 vezes campeões mundiais e atualmente somos considerados os melhores do mundo e ainda temos grandes talentos jogando no Brasil e fora dele. Portanto a situação não deve ser tão dramática assim…

No meu modo de ver, temos que rapidamente reconhecer que estamos gradativamente perdendo nossa criatividade, este fundamental ingrediente do futebol brasileiro. E isto não quer dizer que não estejam nascendo mais crianças talentosas com este potencial, como antigamente. O que acontece é que aquilo que surgia de forma quase espontânea, às vezes com a ajuda de alguns adultos com alguma dose de bom senso (pais, professores, treinadores), hoje necessita de uma estimulação cada vez mais consciente e mesmo profissional. Se for verdade que a adequada preparação orgânica, motora, técnica, tática, emocional, social etc. é fundamental, não se pode esquecer de, ao mesmo tempo, criar-se um ambiente de liberdade, favorável às expressões de criatividade. Infelizmente o esforço, através dos processos educativos formais, não-formais ou informais, tem sido muito maior no sentido de matá-la do que de desenvolvê-la. Infelizmente…

Torço para que as nossas conquistas nos campos de futebol, que tantos benefícios profissionais podem nos trazer, não nos deixem cegos para as enormes possibilidades que temos de sermos ainda mais brilhantes neste século XXI. Outros países, com doses maiores de humildade e clareza de suas deficiências, fazem cada vez melhores trabalhos com seus jovens nas categorias de base. Nós, por outro lado, neste aspecto continuamos dormindo “em berço esplêndido”.

Se concordarmos que este potencial já não pode ser desenvolvido de forma tão espontânea como em tempos passados, em virtude de mudanças na nossa maneira de viver, precisamos começar a fazer uma reflexão crítica sobre como melhorarmos este nosso ainda elevado nível de prática futebolística.

Não se constrói um ambiente favorável à criatividade da noite para o dia. Muitas vezes este processo leva anos. Sabemos que existem profissionais competentes com estas preocupações em nossa comunidade do futebol e que estudam seriamente este fenômeno, mas é preciso que esta consciência se amplie e, mais do que isso, que haja políticas (principalmente nos clubes e escolas) incentivando e estimulando a criatividade, este que é, hoje em dia, não só uma matéria prima diferenciada para o futebol, mas para o próprio desenvolvimento humano e social.

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A Chave do Vestiário

01/02/2010 · Deixe um comentário

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O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

A maioria dos presidentes de clubes de futebol, ao contratar seus treinadores, solenemente, entrega a ‘chave do vestiário’ ao novo orientador tático da equipe.

Funciona mais ou menos assim: o presidente chega para o seu novo contratado e diz nas entrelinhas:

“Vai lá.. e joga. Se você ganhar, continua. Se perder, eu serei obrigado a trazer outro melhor.”

E o ciclo se repete na próxima contratação…e na próxima, até que a equipe esteja alinhada cosmicamente e consiga os resultados.

Mais tarde, assim que novas derrotas se apresentem, o ciclo volta a se repetir.

Não se contrata treinadores pensando exclusivamente em salário. Contrata-se pensando em processos.

Ou seja, busca-se um nome que tenha o perfil desejado e que esteja alinhado com o que a instituição pretende desenvolver no curto, médio e longo prazos.

Um treinador que acredite nas mesmas coisas que o presidente acredita. E vice-versa.

E como um clube pode encontrar o treinador certo?

Da mesma maneira que as grandes corporações que procuram disputar espaços no mercado: minimizando erros na escolha de cargos estratégicos, ao tratar com competência o processo de escolha para a função pretendida.

Entrevistar candidatos com um roteiro bem definido e que revele aspectos importantes do perfil do futuro treinador, já é um primeiro passo.

Ao conhecer melhor o candidato a treinador, pode-se aprofundar e querer discutir questões básicas do dia-a-dia, como política de relacionamento com os diferentes profissionais que lhe darão suporte (fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, profissional de TI etc.) e processos de vestiários, talvez o mais sensível de todos os ambientes dentro de um clube.

Quem faz o quê neste ‘sagrado’ local? Como minimizar egos e integrar sinergicamente os (mesmos) objetivos da comissão técnica, gestores e diretoria?

Quais são as informações que a comissão técnica deve passar à diretoria para que ela ‘compre uma briga’? Seja com um empresário/procurador, outro clube, tv, patrocinador, arbitragem, federação…

Ou problemas de autoridade no vestiário, onde transitam os mais diversos tipos de profissionais e amadores bem intencionados.

Vejam quantas são as dimensões e assuntos vivenciados diariamente neste ambiente e o quanto seria pouco produtivo e/ou inteligente deixá-los apenas a cargo do treinador que recebeu ‘a chave’.

O presidente é e sempre será a figura maior do clube.

Alinhando os principais processos, fica inócua a discussão de quem manda no vestiário, por exemplo.

E isto não significa em absoluto querer escalar a equipe, ou induzir o treinador a jogar em duas linhas de quatro fora de casa.

Tal fato torna-se tão pequeno perto de todo um processo de trabalho, que nenhum presidente-de-verdade gostaria de se meter.

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Allenatore Zé Maria

25/01/2010 · 1 comentário

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via Folha de S. Paulo

Ele foi colega de Leonardo no curso para treinador. Faz estágio com José Mourinho na Inter e, nos próximos dias, estará no Manchester City aprendendo um pouco mais com Roberto Mancini.

“Não importa o nível em que você tenha jogado, para ser técnico aqui [Itália] é preciso fazer o curso. Tem o básico, que serve até a quarta divisão e é feito na própria cidade em que você mora. O segundo é federal e serve para toda a Europa. Fiz esse com o Leonardo. Vou fazer outro em outubro que é válido para treinar seleções, é o supercurso, de nível Fifa”, explicou à coluna Zé Maria, ex-lateral de Inter, Perugia, Levante e Sheffield United, para ficar nos gringos.

“Esses cursos servem em especial para conseguir uma base. Seria a ruptura, como dizem aqui na Itália, de uma vez por todas do jogador para ser treinador. Já me propuseram ser jogador-treinador e não quis. É preciso aprender a dirigir um grupo.

No curso tem todo tipo de matéria: psicologia esportiva, método de trabalho, técnico, tático, comunicação, medicina esportiva… Se um técnico vai treinar um time pequeno, sem muitas condições, tem que se virar em preparação física e até em medicina às vezes. Com a base que te dão nos cursos, dá para conversar com um médico sobre qual tipo de estiramento um jogador teve”, conta Zé.

Na temporada de estreia, Leonardo desponta como o Guardiola do ano. Duvidei de sua capacidade no início, mas base para treinador ele teve. “O Guardiola abriu as portas para treinadores novos, como o Leo.

A vantagem de assumir um time pouco após parar a carreira de atleta é que sabemos melhor o que ocorre no vestiário, conhecemos a necessidade dos atletas, conversamos na linguagem do jogador. O Leo está há dez anos no Milan, assim como o Guardiola cresceu no Barcelona. Se eu fosse treinar a Inter ou o Perugia, eu teria vantagem, maior intimidade, um ambiente mais fácil. Ajuda.”

Não só por Leonardo, mas também por Zico, que perdeu mais uma vez o emprego, a formação do técnico brazuca devia ser mais discutida.

“No Brasil, há curso, o sindicato oferece. Na Itália, é feito pela federação.

No Brasil, curso é em dois finais de semana. Aqui, são quatro semanas o primeiro curso, seis semanas o segundo, e o supercurso dura um ano.

O Leo teve autorização para treinar o Milan porque jogou Copa. Ele precisa do supercurso, e está fazendo.”

Zé Maria, pelo papo e pelo papel, já é técnico. “Após terminar o segundo curso, você não pode mais ser jogador. Teria que pedir um cancelamento do meu registro [de técnico] e, depois, determinariam se me devolveriam ou não. Tenho que raciocinar como treinador”, disse ele.

Os estágios com Mourinho e Mancini não integram cursos. O “allenatore Zé” busca um “plus”. Pode não vingar como técnico, mas está fazendo tudo o que pode para isso.

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Há 10 Anos…

17/01/2010 · 2 comentários

Há dez anos já se pensava (e se fazia!) um futebol diferente…

O conceito de Universidade do Futebol, na figura de seu idealizador o prof. João Paulo S. Medina, foi introduzido em 2000 no S.C. Internacional-RS, através de uma reformulação significativa nos seus departamentos de futebol profissional e de base, inserindo diretrizes técnicas fundamentais para a estruturação de clubes de futebol que pretendem estar sintonizados com toda a evolução científica, tecnológica e cultural que vem ocorrendo no século XXI.

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Ciclos

16/11/2009 · Deixe um comentário

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“Essa é uma das peculiaridades do futebol. A coisa no curto prazo é maluca. E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas. Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.”

por Oliver Seitz, via Universidade do Futebol

Existem poucas verdades absolutas. No futebol, naturalmente, também.

Entre essas poucas verdades, uma delas é que o futebol é cíclico.

Coisas vem e vão.

Pessoas aparecem, somem e reaparecem.

Injustiças acontecem com você agora e, amanhã, acontecerão com seus adversários.

Seu time domina hoje e será rebaixado em pouco tempo.

É assim que as coisas vão. E vem.

No curto prazo, é tudo insano.

No longo, as coisas fazem mais sentido.

Essa é uma das peculiaridades do futebol.

A coisa no curto prazo é maluca.

E leva pessoas a tomarem atitudes imponderadas.

Por não conseguir e não poder enxergar as coisas no longo prazo.

O afã do próprio eu, somado ao imediatismo da demanda de segundos e terceiros fazem com que se tomem atitudes impensadas.

Motivadas por impulso. Momentâneas.

De curto prazo. Sem lógica.

Sem sentido.

Isso é visível durante e após partidas mais conturbadas.

Mas tem implicações maiores.

Não se enxerga o longo prazo no futebol brasileiro.

Porque ninguém se importa com ele.

É preciso resolver o agora. É necessário se importar com o já.

Mais pra frente, outro que se vire. O meu é aqui, e agora.

O depois, que fique para depois.

De que adianta montar uma estrutura sustentável para vitórias futuras se ela implica em derrotas no presente?

Nada. Absolutamente nada.

Independente se as atitudes que se tomem sejam efêmeras.

Ninguém quer saber. Foca no relógio.

E não no calendário.

E o relógio dá voltas.

O presidente do Palmeiras sentiu isso na pele.

Foi um exemplo claro.

Quem foi prejudicado ontem é beneficiado hoje.

E será prejudicado novamente amanhã.

Quem se preocupa, perde cabelo.

Quem percebe, assiste de camarote.

Mas não tem a mesma graça.

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Vai Apitar Jogo de Botão!

13/10/2009 · 3 comentários

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Alguém já mandou algum juiz apitar jogo de botão?

Eu já. O Dunga também.

Não estou desmerecendo o nobre esporte bretão de botão… longe disso. Aliás, esporte de mesa apaixonante que me traz saudosas recordações nos confrontos com meu irmão.

Por exemplo, do “homem-gol”, o camisa 11 do Vitória. Seu poder ofensivo era inacreditável. Bastava encostar a palheta com certa habilidade que a bolinha de feltro tinha endereço certo: as caprichosas redes de filó do meu Estrelão.

Mas voltando ao “xingamento”, mandar o juiz apitar jogo de botão era o meu teste de autoridade preferido nos tempos em que eu era bom de bola.

Lembro-me até de uma passagem, onde o treinador do selecionado sub-14 em que jogava, procurando inibir seus atletas a não tomar cartões, repetiu por diversas vezes no vestiário que para aquele jogo em especial, não existiria cartão vermelho. O cartão amarelo seria o suficiente para irmos pro chuveiro mais cedo.

Como as regras sobre cartões mudavam quase sempre para as categorias de base, achei normal o reforço do treinador.

Lá pela metade do primeiro tempo, após algumas botinadas dos zagueiros adversários, me levantei de mais uma falta e encarei o juiz lhe perguntando se não tinha cartão…

Cinicamente, o árbitro veio ao meu encontro e me presenteou com o cartão amarelo. “Tem sim! Esse é só pra você…” – disse o homem de preto.

Recordando-me da preleção do treinador e já me imaginando no chuveiro, educadamente solicitei ao digníssimo que fosse apitar jogo de botão.

E para a minha surpresa, um outro cartão saiu do bolso esquerdo do peito do árbitro, agora da cor vermelha.

Foi o suficiente para eu encarar o juiz com cara de bobo, abaixar a cabeça, seguir pro vestiário e tomar um banho refletindo se o meu treinador estaria preparado ou não para comandar o “homem-gol” no meu Estrelão.

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Na Contramão da Educação a Distância

08/10/2009 · Deixe um comentário

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“Acontece que a lógica da internet é inversa. Na educação a distância, não existe espaço para que todos vençam.
Nela, não cabem centenas de cursos, mas somente os melhores…”

por Jurandir Sell Macedo

NO FINAL da década passada, o Laboratório de Ensino a Distância (LED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) colocou o Brasil entre os líderes mundiais dessa tecnologia. Naquela época, os custos de infraestrutura eram extremamente elevados.

Por meio de convênios com grandes empresas privadas e estatais, foi feito um intenso trabalho e muito conhecimento foi adquirido. Porém, devido à incompreensão do processo por parte de muitos professores e particularmente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o trabalho foi praticamente destruído.

Com o quase total desmanche do LED, diversos pesquisadores montaram pequenas instituições que ganharam destaque nacional e internacional. Hoje, videoconferências e transmissão de vídeos pela rede tornaram-se operações corriqueiras.

Caíram os custos da infraestrutura e aumentou a compreensão das diferenças didáticas entre aulas presenciais e a distância.

Graças aos poucos persistentes pesquisadores que permaneceram na UFSC, hoje, o atual Laboratório de Educação a Distância continua dominando essas tecnologias. Dez anos depois daquela experiência, a Capes acordou para a educação a distância e criou a Universidade Aberta do Brasil (UAB). A iniciativa por si só é louvável. Porém, a instituição carece da mínima compreensão sobre a direção das mudanças.

Hoje, a UAB tem um dos piores modelos de educação a distância do mundo. Estamos reproduzindo na internet os cursos por correspondência comuns no início do século passado, substituindo o livro, a mais antiga forma de educação a distância, por apostilas – o que não faz nenhum sentido.

O modelo da UAB é cartorial e vai de encontro ao princípio que norteia o desenvolvimento da educação a distância. Pode ser que assim o faça por falta de conhecimento de seus dirigentes ou por uma tentativa de contornar o conhecido corporativismo do meio universitário, distribuindo migalhas financeiras a muitos.

Segundo o modelo da UAB, diversas universidades brasileiras oferecem cursos de graduação e pós-graduação, tentando levar o modelo da sala de aula atual para a web. Só em administração e gestão, são hoje 168 cursos de bacharelado e especialização.

Acontece que a lógica da internet é inversa. Na educação a distância, não existe espaço para que todos vençam.

Nela, não cabem centenas de cursos, mas somente os melhores. Estes levam cada vez mais dinheiro, que lhes permite um aprimoramento constante, atraindo cada vez mais alunos e mais dinheiro. Um círculo virtuoso para as instituições vencedoras.

Nas escolas e universidades tradicionais, são necessários muitos professores, pois cada um deles atende um número limitado de alunos.

(mais…)

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Um Livro às Quintas

10/09/2009 · Deixe um comentário

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Do Dom à Profissão, Arlei Sander Damo.

Editora Hucitec, 2007.

Ao contrário do que se imagina seguidamente, para ser jogador profissional de futebol não basta talento. A formação de futebolistas é um processo extremamente competitivo.

Este livro explicita a trama social e simbólica que constitui o poder de sedução da profissão de jogador.

A partir de um detalhado estudo etnográfico, realizado no Brasil e na França, o livro explora as práticas dos agentes e das agências que gravitam no entorno de jovens em vias de converterem o dom em profissão.

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A Maturidade no Futebol Brasileiro é…

19/08/2009 · Deixe um comentário

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O que significa ter maturidade no futebol?

… criar canais de capacitação para a grande indústria do futebol.

… erradicar a violência nos estádios.

… ter grande presença de público nos jogos.

… pensar o futebol em sua dimensão educacional.

… investir no processo de desenvolvimento de atletas muito além do “treino” e da “engorda”.

… ter um campeonato nacional emocionante de pontos corridos.

… exportar campeonatos (TVs pay-per-view) e não atletas com 18 ou 19 anos.

… priorizar atletas e torcedores e não TVs e Federações.

… fazer de uma Copa do Mundo um evento de transformação e desenvolvimento do país.

… fazer da marca “futebol brasileiro” sinônimo de qualidade na formação de atletas, técnicos e gestores do futebol.

… valorizar seus ídolos.

… respeitar o torcedor.

… fazer com que seus estádios sejam seguros e confortáveis.

… criar infra-estrutura pública de transporte adequada ao tamanho do espetáculo.

… não utilizar clubes e instituições para objetivos políticos.

… incentivar a renovação nas políticas de gestão.

… ser transparente na prestação de contas com os investidores, sócios e torcedores.

Outras sugestões serão muito bem-vindas.

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Futebol e Fama – O Tiny Dancer Brasileiro

17/08/2009 · Deixe um comentário

Grande sequência do filme “Quase Famosos”, ao som de Tiny Dancer.

Quase famoso. Este é o esmagador perfil do atleta profissional de futebol brasileiro.

Que recebe em média salário mínimo.

Sonha em receber milhões, jogar na Europa e andar de carro importado. Mas apenas uma minúscula parcela chega lá.

A impressionante maioria não teve oportunidade de combinar a escola com o futebol e acaba rodando o país (e o mundo) atrás de um holerite.

Depois volta pra casa, geralmente com esposa e filhos e tenta alguma função no meio da bola.

Geralmente como empresário de atletas. Assistente técnico também serve, já que a vida lhe ensinou na prática o que fazer.

Vira um minúsculo dançarino, assim como o tema do filme, e que dança conforme a música.

Vida que segue.

Atualização (em 21/08)

Dados divulgados no II Encontro Nacional sobre Legislação Esportivo-Trabalhista:

77% dos atletas profissionais de futebol no Brasil ganham até R$ 1 mil

13% recebem entre R$ 1 mil e R$ 9 mil

10% têm salários acima de R$ 9 mil.

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A Velha História

13/07/2009 · 1 comentário

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“Nada mais me surpreende no futebol depois de 40 anos”

Seguem trechos do desabafo de um dos mais importantes técnicos de futebol da nossa história. O enredo é conhecido e os protagonistas também.

“Valeu ter voltado. Valeu ter matado a curiosidade, após sete anos seguidos em seleções. Queria voltar a sentir essa adrenalina. Mas só constatei que não se tem paciência com o projeto. Só se vê o resultado”, emendou.

“Era necessária uma vitória para sobreviver. Mas não ocorreu. No Brasil, não se tem a oportunidade de trabalhar, é só jogar, jogar e rezar para os resultados acontecerem.”

 

 

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Sobre Heróis e Vilões do Nosso Futebol

03/07/2009 · 23 comentários

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“…Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional.”

Era inverno e início de semana na fria Porto Alegre. O termômetro da Avenida Independência alertava para uma noite das mais geladas e o dirigente estava naquela mesma mesa, no mesmo restaurante.

Fernando, o presidente do Internacional, organizava a pauta da reunião do dia seguinte enquanto aguardava o jantar, que mais era sinônimo de trabalho-fora-do-expediente do que de refeição, propriamente dito.

Muitas frentes estavam se estruturando e um novo clube parecia nascer naquele gigante da Beira-Rio. Em verdade, as críticas também cresciam nas mesmas proporções e muitos eram os assuntos que circulavam nos programas de TV.

Onde já se viu entrevistar técnico de futebol? Investir em centro de informação e inteligência (Intercenter) pra quê? Universidade corporativa, então? Nós precisamos de jogadores e não de alunos! O Inter irá cair sem nossos principais jogadores! Socorro!

Fernando não se continha em felicidade com o pagamento de boa parte das dívidas, conseguido através da venda de Fábio Rockembach ao Barcelona da Espanha. Os investimentos futuros estariam voltados ao crescimento sustentado do clube, através de fatores importantes, como a capacitação de profissionais, busca equilibrada de receita e foco no processo de desenvolvimento dos atletas, buscando valorizar cada vez mais o produto final.

Tinha uma oportunidade única em tentar mudar a história daquela instituição de pouco mais de 90 anos e que se via cercada pelas mesmices do nosso futebol: dívidas, salários de atletas incompatíveis com a realidade do país, receita concentrada nos direitos televisivos, ausência de um planejamento de longo prazo, ambiente contaminado por empresários de atletas sanguessugas e por aí vai.

Um projeto audacioso que estava sendo conduzido por um engenheiro de formação, homem sério, de gênio forte e pulso firme, capaz de olhar seus atletas e colaboradores nos olhos, dar apoio e transmitir segurança de que esse era o caminho.

Era uma das tarefas mais difíceis de toda a sua vida. Colorado e apaixonado pelo Inter desde guri, havia planejado se tornar presidente de seu clube do coração oito anos antes.

Junto de seu coordenador técnico, homem de confiança e co-responsavel na reestruturação do clube, enfrentou toda uma nação colorada de frente, ao anunciar que uma transformação estava por vir. Jogadores custosos seriam dispensados e outros substituídos, dando lugar a atletas pouco conhecidos, alguns deles já formados no próprio clube.

E o mais fantástico, e talvez, mais chocante para os gaúchos colorados: divulgaram uma previsão que o grande Inter de Porto Alegre poderia voltar a sonhar com um título de expressão somente em 4 ou 5 anos a partir das mudanças.

Estávamos no ano de 2001.

Em determinado momento daquela noite, toca o telefone do dirigente:

- Muito boa noite. É o presidente Fernando?

- Boa noite. Sim, quem é? – responde o dirigente.

- Meu nome é Luiz Antônio e tomei a liberdade de ligar para o senhor. Eu gostaria de participar do processo seletivo para o cargo de técnico da equipe juvenil do Internacional. O senhor poderia me auxiliar com algumas informações?

- Pois não, Luiz. Vou lhe passar os dados do nosso responsável e peço que entre em contato ainda nesta semana, tudo bem? – interagiu o presidente.

- Muito obrigado, Sr. Fernando. Farei este contato o mais breve possível. Agradeço a sua atenção e lhe desejo uma boa noite. – despediu-se Luiz Antonio.

- Boa noite e boa sorte! Será um prazer encontrá-lo por lá. – agradeceu o presidente.

Luiz Antonio é Luiz Antonio Venker Menezes, o Mano Menezes. Um dos principais treinadores e conhecedores da gestão de campo (e de gente!) no futebol da atualidade.

E o presidente Fernando, não é o mesmo que saiu na foto do título mundial do Inter. Nem tampouco é o que passou vergonha há alguns dias com declarações típicas de dirigentes que tentam se passar por heróis.

Seu nome é Fernando Miranda.

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O Futebol é o Retrato de um Povo

30/06/2009 · 1 comentário


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Quer entender sobre um determinado país? Entenda primeiro a estrutura do seu futebol.

O futebol é uma das mais genuínas expressões de um povo.

É o retrato mais fiel de sua cultura, sua política e, por que não dizer, de seus governantes.

Analisando o que acontece dentro e fora das quatro linhas, podemos conhecer e detectar diversas características de uma região, e até mesmo, de um país.

Foram sete os países campeões do mundo até agora, e cada um deles possui características muito particulares no futebol, que denunciam os traços e perfis de seus representantes, de jogadores a gestores, de cidadãos a Chefes de Estado:

PAÍS 1

Futebol técnico, provocativo e muito aguerrido. Possui uma das torcidas mais apaixonadas do mundo e tem representantes de seu futebol nos principais clubes do planeta. Contudo, não é exemplo de organização, mesmo tendo uma das federações mais antigas do mundo. A violência nos estádios e a fraca estrutura dos clubes são constantes negativas em sua história. O pouco avanço na busca de mudanças significativas na gestão do esporte pode estar ligada a baixa renovação no alto comando do futebol: o atual presidente da federação deste país está há 30 anos no cargo.

PAÍS 2

Futebol técnico, criativo e que se aproxima da arte. Há décadas que sua principal marca no exterior é o futebol praticado dentro de campo. Fora dele, acompanha a cultura de um país também campeão, só que em corrupção, onde atos secretos para nomeações e mudanças em leis e estatutos são praticados quando o assunto é manutenção do poder. Estádios inseguros, violência entre torcidas e clubes endividados são fatores do cotidiano da bola. Em função disto, seus clubes tem pouca representatividade internacional e não chegam a estar entre as equipes preferidas de torcedores de mercados como Japão e China, por exemplo. O presidente de sua confederação também está no cargo há mais de 20 anos. Sua torcida é alegre e conformada, pois acredita que no futebol e na política, as coisas são assim mesmo.

PAÍS 3

Futebol elegante, dinâmico e caracterizado pela forte marcação. É um dos principais detentores de títulos mundiais por seleções e possui um dos mais tradicionais campeonatos nacionais de clubes do mundo, atraindo atletas de várias nacionalidades. Mesmo sendo o atual campeão mundial por seleções, se vê numa das maiores crises financeiras e morais de toda a história, com estádios semi-vazios, clubes se desfazendo de seus principais atletas para pagar dívidas e escândalos de suborno. (mais…)

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Meu Brasil, brasileiro

08/06/2009 · 4 comentários

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“She’s just seventeen, you know what I mean…”

Justificar os atos cometidos por atletas de 17 anos com a lendária frase, é perder boa parte do crédito que ainda nos resta como País do Futebol.

Quando John e Paul escreveram: “She’s just seventeen, you know what I mean…”, estava deliciosamente implícito o que cada um poderia pensar a respeito.

Eram anos românticos e o melhor do nosso futebol ainda estava por vir.

Mas quando esta mesma frase é utilizada para justificar os atos cometidos por atletas de 17 anos, que utilizaram o futebol como falta de educação, violência e nenhuma cidadania (para não dizer selvageria!), perdemos boa parte do crédito que ainda nos resta como País do Futebol.

O Corinthians foi expulso do mundial Sub-18 realizado na Espanha e está sumariamente suspenso desta competição pelos próximos cinco anos.

O Real Madrid vencia por 4 X 0 quando houve uma briga generalizada provocada por atletas corinthianos que culminou na eliminação e suspensão do clube no torneio oficial da Fifa.

As cenas gravadas pelo canal Teledeporte são lamentáveis e certamente irão correr o mundo todo, divulgando internacionalmente a imagem do Corinthians, porém de um aspecto nada positivo.

No caso de mais pessoas se iludirem com as recentes vitórias nas eliminatórias para a Copa de 2010, seguem algumas constatações do futebol brasileiro, e de maneira bem didática:

O ATLETA

Acha que a educação (escola) é concorrente da sua profissão. Ser jogador de futebol bem sucedido dispensa todo ‘esse trabalho’ de estudar.

Não percebe que ter suas inteligências mais desenvolvidas hoje, pode significar num melhor rendimento dentro de campo… agora.

O DIRIGENTE

Acha que escola pública é sinônimo de ensino. No fundo, também acha que escola pouco combina com futebol.

Discursa sobre formar cidadãos antes de atletas, mas não sabe como ou de que maneira fazer disso uma realidade.

Acha que Assistente Social, Psicólogo e Pedagogo são profissionais que não entram em campo para fazer gol.

A MÍDIA

Vai utilizar este triste episódio da equipe Sub-18 do Corinthians para explorar os buracos da estrutura de formação dos clubes e vender notícia. É pouco.

GOVERNO

Está preocupado em construir hardwares para a Copa de 2014. O software, vem funcionando bem há décadas e não precisa de upgrade.

E para finalizar:

O S.C. Corinthians Paulista deverá punir os jogadores envolvidos na confusão.

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Universidade Corporativa Futebol Clube

29/05/2009 · 2 comentários

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“… Mais do que promover grandes atletas a gestores de campo, diretores de futebol ou presidentes, é necessário que o clube desperte para uma nova cultura.”

São raros os exemplos de atletas que penduram as chuteiras (ou as luvas!) e ingressam imediatamente numa nova carreira, dentro do próprio clube.

Mais raros ainda são os atletas que passam uma vida inteira dentro da mesma instituição, conquistam títulos importantes e transformam-se em referências para várias gerações de torcedores.

O bom caráter, a transparência nas palavras e o amor declarado pelo clube são elementos que potencializam e elevam a imagem destes jogadores a “mártires”, ou até mesmo a “santos”.

Clube e torcedores ficam satisfeitos com a permanência do atleta em seus domínios, seja numa função técnica de campo ou administrativa.

Mas como transformar estes raros exemplos em processos institucionalizados do clube? Como abrir caminhos para a construção de um ambiente corporativo sustentado, que produza não só atletas de alto nível, mas processos de qualidade?

Os processos e métodos de trabalho nos clubes de futebol, em sua enorme maioria, não pertencem a instituição. São de exclusiva propriedade (e know-how) dos profissionais contratados pelo próprio clube.

E como as idas e vindas de comissões técnicas, as vezes quase que inteiras, são frequentes após vencer ou perder campeonatos, no final (ou no início!) o clube é novamente como um computador (hardware) vazio a espera de programação (software).

Jack Welch já havia sacado há muito tempo que enviar seus melhores funcionários em busca de pós-graduações e mestrados era um ledo engano. Primeiro: os altos custos de investimento em capacitação de um funcionário que ficava a maioria do tempo ausente da empresa. Segundo: o assédio de outras empresas que, geralmente, resultava em perder seus melhores talentos.

Trouxe então a capacitação para dentro da companhia, treinando e desenvolvendo seus melhores colaboradores na própria cultura da empresa.

Institucionalizou os processos, melhorou o ‘software’ e alargou os caminhos para o desenvolvimento de melhores gestores. Deu a esta ideia o nome de Universidade Corporativa.

Quantos clubes no Brasil tem uma Universidade Corporativa?

E quantos clubes irão trocar de comissão técnica até o final deste Brasileirão?

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Como Analisar uma Equipe Campeã ?

05/05/2009 · 4 comentários

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“…A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, na maioria das vezes, não seriam notadas.”

A cultura do campeão em nosso país traz consigo várias mazelas, quase impossíveis de serem tratadas no curto prazo. Estamos falando de um paradigma existente em nossa sociedade, que contamina a todos: torcedores, profissionais do esporte, críticos e, principalmente, a imprensa em sua maior parte.

A referência principal, é claro, passa a ser a equipe que alcançou a primeira colocação. Seus atletas e a comissão técnica passam a ser imitados e, igualmente, seus métodos de trabalho.

E a análise sobre o vencedor, que poderia ser rica e ampliada à diversos fatores, quase sempre é óbvia e unânime.

E a unanimidade não é burra, como diria Nelson Rodrigues. A unanimidade é pobre… mas com certeza, nos permite enxergar exceções.

Uma equipe de jogadores bem treinados ou uma comissão técnica integrada e bem articulada são exemplos de unanimidade inteligente. Outro bom exemplo são os pedagogos do esporte, unânimes ao afirmar que o aluno (ou atleta) pode descobrir o prazer de aprender se for devidamente bem estimulado.

E quais aspectos poderiam ser analisados numa equipe que é referência por ter alcançado um título ou a primeira posição da tabela? Aspectos que permitam ir além dos números estatísticos e dos scouts técnicos do jogo e que efetivamente revele a qualidade do trabalho realizado?

Abaixo são apresentados 15 aspectos gerais de uma equipe de futebol, onde cada um é composto de parâmetros específicos e que podem ser coletados no dia-a-dia dos treinamentos e jogos. A análise de cada aspecto pode ser realizada periodicamente, de acordo com os objetivos da comissão técnica.

1. Qualidade Técnica da Equipe;

2. Condição Atlética da Equipe;

3. Padrão Tático de Jogo da Equipe;

4. Perfil Psicológico dos Atletas;

5. Coesão de Grupo – Consciência Profissional Coletiva;

6. Atitude dos Atletas nos Treinamentos;

7. Atitude dos Atletas nos Jogos;

8. Nível Geral de Performance da Equipe;

9. Índice (Ausência) de Lesões;

10. Infraestrutura de Treinamento;

11. Observação Técnico-Tática dos Adversários;

12. Política de Contratações de Atletas;

13. Relacionamento com a Imprensa (para a Direção);

14. Relacionamento com a Imprensa (Comissão Técnica e Atletas);

15. Grau de Cobrança Interna para a Qualidade.

A análise torna-se mais ampla e desencadeia uma visão mais sistêmica das coisas, detectando fragilidades e permitindo intervenções que, em sua maioria, não seriam notadas.

E muitas vezes, percebe-se que alguns aspectos são mais importantes numa conquista do que a somatória de vários outros juntos.

Quantas equipes campeãs alcançaram um nível de coesão tão grande que superou a falta de qualidade técnica de seus jogadores? Ou vice-versa?

E em quantas oportunidades a política de contratações de atletas causou impacto positivo na melhor classificação da equipe, mesmo com uma fraca infraestrutura para treinamentos? Ou vice-versa?

Essa é a beleza e a complexidade do futebol.

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